O SOL DE SEGUNDA-FEIRA

Segundo o extinto Posto Ipiranga, agora vai!

Simples assim!

João Montanaro na página A2

Já os países pobres…

Repetindo: simples assim!

O São Paulo desencanta

É o tal golpe militar

Repetindo mais uma vez: simples assim!

Chico Caruso na primeira página

O Selvagem da Motocicleta ou Easy Rider

O fim da história

Na capa da Época, o progresso da medicina e, na capa da Isto É, o Pinóquio

A vida em Londres volta a ser como ela era

Vergonha internacional. No Le Monde, as mentiras do ex-ministro da saúde

Crosby, Stills, Nash & Young. Na capa da Rolling Stone France, pura nostalgia

Augusto Nunes, o jornalista bolsonarista de carteirinha, concorda com Bolsonaro que diz ser o governador do Maranhão, Flavio Dino, “um comunista gordo”. Deu na Jovem Pan.

NOTA 10

Para a reportagem de Felipe Santana sobre a luta do povo da América Central para entrar clandestinamente nos Estados Unidos. Sem blá blá blá, in loco. Emocionante.

NOTA 0

Para a empáfia da TV Globo que ignorou completamente o Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1, no Fantástico. Tipo se não passou na Globo, não é notícia. Vergonha.

OPS…

O Fantástico gastou um tempo precioso na noite de ontem para exibir três matérias chamadas “da casa”: 1. O lançamento do podcast Prazer, Renata. 2. Os piratas da TV à cabo. 3. O lançamento de uma nova série da Globoplay, O Caso Evandro. As três “matérias” foram anunciadas com alarde nos intervalos comerciais do programa.

Lula lá… em companhia de FHC, na primeira páginas dos três principais jornais do país, no sábado

Os fiéis leitores da revista Veja devem ter tido um ataque 

A Ilustrada fundiu-se com a Ilustríssima e o resultado foi bom. Na capa, Mario Frias, o cara que está acabando com a cultura no país.

Ele deixou o aeroporto internacional de Zurique ouvindo Stravinsky como música de fundo e os termômetros registrando 8 graus abaixo de zero. Doze horas e pouco depois, o avião da Swissair pousou no Galeão, na cidade que ele ainda acreditava ser maravilhosa. O termômetro estava quebrado, indicando apenas um 88 apagado, mas ele soube que aquele calor que fazia por ali estava em torno de 40 graus. Sim, Rio 40 graus!

Ainda na capital suíça, a lembrança que ficou da despedida de um exílio de quase uma década, foi a de um senhor grisalho, elegantíssimo num casaco preto, sentado ao lado de uma pequena mala de couro, lendo O Arquipélago Gulag, de Aleksandr Soljenítsin.

Aqui, a primeira imagem que viu foi a de uma criança de uns quatro, cinco anos, batendo os pés no chão numa birra sem fim, revoltado com o seu sorvete de chocolate que havia caído no chão, virado pra baixo. Enquanto derretia no chão quente, a mãe vestindo um top e um short curtíssimo, gritava com ele que não, não, não ia comprar outro. Banzé.

Ele sentou-se, colocou as bagagens do lado, enquanto esperava os pais que vieram buscá-lo. Retirou da carteira uma nota de moeda brasileira enviada pelo irmão, para que tomasse um guaraná bem gelado assim que chegasse, para matar a sede e a saudade. Fez isso. Foi até a lanchonete, criou coragem e pediu para a mocinha detrás do balcão: Eu queria um guaraná!, disse ele. Querias… disse ela. Assustado, ensaiou um sorriso amarelo. Em segundos, estava com a garrafa e o copo de guaraná na sua frente. Estupidamente gelado.

Mais tarde, soube que o tal querias, era o bordão de um personagem de um programa humorístico na televisão, estava na moda. Todo mundo brincava com isso: querias!

Ele passou algumas horas no Rio de Janeiro e voou para Belo Horizonte, sua terra natal. Sobrevoando a cidade antes do pouso, ficou assustado com as montanhas que haviam sido engolidas pela MBR durante o seu exílio. Lá do alto, ele via inúmeros tratores amarelos da Caterpillar, como formigas saúvas, destruindo a natureza.

Deixando o aeroporto da Pampulha, viu numa Variant, um adesivo de plástico com os dizeres: Olhai bem as montanhas! uma ideia do artista plástico Manfredo Souzaneto, um dia entrevistado em Paris para o jornal Estado de Minas.

Em quinze dias de Minas Gerais, comeu muito pão de queijo, almoçou frango caipira, arroz, tutu, angu e quiabo. Comeu jabuticaba no pé, goiabada com queijo, vaca atolada, comeu torresmo e tomou Mate-Couro.

Andou pela cidade, viu os edifícios destruindo as coisas belas do bairro do Carmo, jardins com roseiras das casas dos anos 1960, serem transformados em estacionamentos de restaurantes a quilo e viu as ruas de paralelepípedos sendo asfaltadas e árvores frondosas desaparecidas.

No décimo sexto dia pegou um ônibus da Cometa e foi a São Paulo conhecer aquela loucura. No dia seguinte, começou a trabalhar no Estadão como separador de telex: Oriente Médio, Ásia, Europa, América do Sul, EUA, Cuba, Malvinas, Sandinistas.

A vida dele seguiu. O casamento acabou, pulou da imprensa escrita para a televisão, passou dez anos na ponte aérea, cansou. Casou novamente, plantou árvores, escreveu livros, teve mais duas filhas.

Muitos anos depois, trancou-se em casa durante um ano. Agora, depois da segunda dose da vacina, resolveu colocar o nariz do lado de fora, de tempos em tempos, sem antes tomar um banho de álcool gel e colocar uma máscara cobrindo o nariz e a boca. A vida perdeu a graça, mas ele continua de pé, disposto a contar muitas histórias.  

[Crônica publicada no site da revista Carta Capital]

http://www.cartacapital.com.br

Chegando às livrarias, o novo livro de Bernardo Carvalho. Literatura made in pandemia

 

 

 

 

Um comentário em “O SOL DE SEGUNDA-FEIRA

  1. Bom dia Villas,
    Beleza de texto em mais uma crônica cinematográfica sobre sua volta ao Brasil. Muito bom ler seus escritos, que tão gentilmente nos brinda toda semana.
    Mas há um assunto grave que quero abordar: a agressão ao jornalista da CNN. Incrível como nenhum jornalão colocou na primeira página! A direita acusa a esquerda de censura, mas em nosso país, quem censurou e censura é a direita, sem falar na autocensura dos meios de comunicação conservadores. Globo, Estadão, Folha, etc., e agora a novata CNN (no Brasil) são todos defensores da direita, mas ultimamente perseguidos com violência pelos militantes direitistas. Os fanáticos seguidores e o próprio líder dessa diabólica seita atacam diuturnamente a imprensa e… ela continua a lançar notas suaves e anódinas contra o monstro que ajudou a criar e apoiam com veemência sua política nefasta ao Brasil. Na ditadura militar de 64, o Estadão, apesar de ser um defensor desde a primeira hora, acabou censurado também. E hoje, continua a atacar a esquerda. Nos 12 anos de governos do PT, esses veículos de comunicação nunca foram censurados, nem alvo de perseguição ou de corte de verba.
    Como diz o grande pensador Padre Julio Lancellotti, o neoliberalismo não é só um modelo econômico, é também um modelo epistemológico. É um modo de pensar que se espalha como erva daninha, como verme, como veneno ou como vírus por toda a sociedade.

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