O SOL DE SEGUNDA-FEIRA

A manifestação contra Bolsonaro no sábado assustou o governo que estava se achando

A Folha de S.Paulo sendo a Folha de S.Paulo

Alguém lembra do ministro Queiroga dizendo que até o fim de maio, o Basil estaria vacinando 1 milhão e meio de brasileiros? Faltam poucas horas para terminar maio.

A polícia de Recife foi o grande vexame da manifestação de sábado

Sim, o preconceito multiplicou desde o surgimento do coronavírus em Wuhan

João Montanaro na página A2

Um filmaço!

Um jornal com complexo de Valor Econômico

Pobre Brasil!

E o ensino brasileiro?

Todos sabem o interesse do governo bolsonarista pela pesquisa

Pra não dizer que não falamos da manifestação de sábado

Na foto em destaque, Flamengo 1, Palmeiras 0

A Der Spiegel, semanal alemã de informação, deseja um benvindo à nova realidade à todos

Na capa da edição italiana da Scientific American, uma vacina para todo tipo de coronavírus

A edição francesa da National Geographic pergunta: Por quê o racismo?

O vídeo postado por um elemento chamado Roberto Jefferson no final de semana nas redes sociais é caso de polícia ou de manicômio

Bolsonaro e Mussolini dividem a capa da Isto É

A Ilustrada, da Folha, compara a audiência da CPI da Pandemia a audiência de um BBB

NOTA 10

Para o divertido programa Posso Explicar do canal National Geographic. Animado pela ótima Miá Mello, o programa mistura música, humor e ciência. Vale a pena conferir. É show!

NOTA 10

Para a live de Gal Costa, sexta-feira à noite. Para ver e ouvir:

A Folha de S.Paulo foi o único dos três maiores jornais do país a dar na primeira página a manifestação contra o governo Bolsonaro na primeira página

Nas aspas do Le Monde, Bolsonaro é mais perigoso que o vírus

Um belo ensaio na revista Ela, do Globo de domingos. Alguns dos bons e velhos bambas da MPB, todos vacinados

https://cultura.uol.com.br/noticias/24139_live-de-jair-bolsonaro-em-quartel-do-exercito-pode-configurar-crime-e-gerar-impeachment.html

https://noticias.uol.com.br/colunas/balaio-do-kotscho/2021/05/30/como-nas-diretas-ja-a-grande-midia-esconde-protestos-com-excecao-da-folha.htm

Quando o tsunami Betty Friedan varreu o planeta Terra na década de 1960, ele era jovem ainda.  Ele que amava tanto a revolução, que amava tanto o feminismo, vestiu a camisa e foi à luta. Remando contra a maré, se ligava nas mulheres que não sabiam coar um café, cozinhar um ovo, fritar um bife.

Ele foi apresentado à vassoura, ao pano de prato, ao fogão. Passou a conviver com o Pinho Sol, o Bombril e a Cera Parquetina. Aprendeu rapidinho a preparar mamadeiras, a trocar fraldas e a passar Hipoglós no bumbum do bebê.

Ele viu com os seus próprios olhos suas colegas de científico arrancar dos peitinhos de pera seus sutiãs De Millus e queimá-los em praça pública. Quando deu conta, as meninas já estavam nos botequins bebendo Caracu, fumando Charm e discutindo futebol.

O feminismo virou uma religião. Alguns anos depois, longe daqui, mandava notícias via Intelsat para os jornais Brasil Mulher, Nós Mulheres e Mulherio. Ele se sentia no mesmo barco que elas, lutando com as armas delas e as de Jorges.

No seu exílio, o trabalho de casa passou a ser dividido com a companheira numa boa, tipo “você lava, eu enxugo”. Virou um ótimo dono-de-casa, a ponto de nunca colocar na máquina de lavar roupas brancas e coloridas juntas. A ponto de fazer um arroz bem soltinho, ter sempre o armário em ordem e saber que para obter um ovo quente perfeito é necessário cozinhar durante exatos dois minutos e oito segundos. Mas isso era dentro de casa. 

Fora dela, no olho da rua, saia em passeatas organizadas pela editora Des Femmes exigindo salários iguais para homens e mulheres. Fazia saraus na Casa do Brasil, discutindo os boletins do Women’s Liberation Front que chegavam da América do Norte.

No subsolo da livraria Joie de Lire, no coração do Quartier Latin, promovia encontros com as mulheres da América Latina, que viviam oprimidas pelas ditaduras militares e por maridos machistas. Brasileiros, uruguaios, argentinos, chilenos, peruanos.

Tudo isso acontecia enquanto a vaidade do seu pai, homem com H, se resumia a um pequeno vidro de brilhantina Myrurgia, um vidro de água de colônia Pinho Campos do Jordão e um pente Flamengo que ele guardava no bolso de trás da calça de tropical inglês. A brilhantina, ele guardava no banheirinho do armário e só usava uma vez por dia, de manhã, depois do banho. 

O mundo hoje é outro.

Mas ele sabe que muita coisa tem de mudar ainda. Decidiu parar a crônica por aqui quando escreveu dono-de-casa e o corretor do Google corrigiu para dona-de-casa.

[Crônica publicada no site da revista Carta Capital]

http://www.cartacapital.com.br

 

 

 

 

 

 

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