QUERIDA, ENCOLHI A PANDEMIA

O crítico de televisão do UOL e da Folha de S.Paulo, Maurício Stycer, trouxe acertadamente o assuntou ontem em sua coluna: o Jornal Nacional encolheu o noticiário sobre a pandemia, apesar da média de mais de mil mortos por dia. Vamos falar desse assunto também. Na terça-feira (4) chegou a quase 1.400 vítimas. Qual é o motivo? O povo cansou?, O telespectador sumiu? O Ibope caiu? Ontem, pela primeira vez em seis meses, o principal telejornal do país não deu na sua escalada, na sua vitrine, nenhuma notícia da pandemia que vai caminhando, em nosso país, para os 200 mil mortos. Alguns podem dizer que a explosão na zona portuária de Beirute ocupou o espaço da pandemia. Ledo engano. O Líbano estava no primeiro item da escalada, mas não ocupou um espaço que impediria uma cobertura ampla como JN vinha dando da pandemia. O coronavírus foi parar no final do telejornal e até mesmo o competente Marcio Gomes, que apresenta um mapa detalhado da tragédia, é chamado com uma certa displicência, como se fosse um quadro fixo do JN obrigado a estar ali diariamente. O JN de ontem, para não dizer que não faltou emoção, encerrou, mais uma vez, em silêncio, com o número de mortos atrás dos apresentadores: 1.394! [AV]

[foto Reprodução TV Globo]

 

 

ACABOU!

O mundo virou uma zona federal depois que um vírus surgiu no longínqua Wuhan e foi se espalhando pelo mundo afora, se alastrando pela Ásia, África, Américas e Oceania, chegando aos Yanomamis, chegando a Brasilândia, a Suazilândia. Abre, fecha, abre com restrições, libera, proíbe, fecha novamente. Alguns idosos ainda continuam confinados em casa, muitos não. Vejo um circulando pelas ruas de São Luiz do Maranhão, mão no bolso, sem máscara, cigarro no canto da boca. Da minha janela vejo que onde não havia gente, hoje há. Os ônibus passam com pessoas cochilando, cabeça encostada no vidro, nada de respeitar as normas de higienização. A máscara virou a vacina. A National Geographic dá na capa a Retrospectiva 2020, como se o ano tivesse acabado. Enquanto isso, Beirute vai para os ares. O haitiano estava certo: Acabou!

UM CHECK-UP DA IMPRENSA

De repente, uma explosão na zona portuária de Beirute, que matou mais de cem pessoas e deixou cerca de quatro mil feridas, foi o assunto do dia. Com 1.394 mortos pelo coronavírus nas últimas 24 horas, a pandemia sumiu das primeiras páginas dos principais jornais do país e saiu da escalada do Jornal Nacional pela primeira vez. 

A Folha foi o único dos três principais jornais do país a dar na manchete principal a tragédia na capital libanesa

     

A Economia vai tomando o lugar do noticiário sobre a pandemia

Pois é, alguns anos depois, chegaram a conclusão da parcialidade do juiz Sergio Moro na condução da Lava-Jato.

A foto em destaque na primeira página é a imagem do apocalipse

PRA NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DE FLORES!

Na última página da Folha, uma mulher faz selfie num campo de lavanda de Ickleford, na Inglaterra.                                                

 [foto Peter Criborra/Reuters]

A eterna reforma tributária ganhou, mais uma vez, a manchete do Estadão

Lula disse, um dia na prisão, que o dia de Moro iria chegar. Quem se lembra?

Onyx é aquele que pediu perdão pelo Caixa 2 e Moro aceitou, numa boa

Na foto em destaque na primeira página, o retrato de Beirute ontem

O fato de Flavio Bolsonaro dar uma entrevista ao Globo já é uma coisa meio estranha. Na entrevista, Flavio admite que o seu asessor Fabricio Queiroz, que está passando uma temporada de prisão domiciliar, pagava algumas de suas contas. Isso é que é ser amigo.

A foto da primeira página do Globo

A capa do L’Orient-Le Jour, o principal jornal do Líbano

A tragédia libanesa nas primeiras páginas de alguns jornais do mundo

ORIENTE MÉDIO

Uma forte explosão na tarde desta terça-feira (4) destruiu boa parte da zona portuária da capital do Líbano, onde estão instalados vários armazéns. Carros foram lançados distância e a destruição é muito grande. Uma grande nuvem de fumaça avermelhada foi tomando conta do céu de Beirute. As autoridades ainda não sabem o motivo da explosão. Pelo menos 73 pessoas morreram e mais de 3.700 ficaram feridas até o momento. Explosões em Beirute sempre colocam as forças de segurança do país em estado de alerta.  

DESCONSTRUINDO A MATÉRIA

“Fulano lavou dinheiro, desviou milhões e tem várias contas no exterior. A Polícia Federal faz busca e apreensão, recolhe malas de dinheiro vivo, prova e comprova”. A reportagem do Jornal Nacional mostra o passo a passo da falcatrua. Mas é preciso ouvir o outro lado. “O advogado de Fulano disse que ele nunca fez nada de ilícito em toda a sua carreira de político, não desviou um centavo do poder e jamais teve contas no exterior. Disse ainda que o seu cliente está pronto para colaborar com a Justiça e que vai provar sua inocência”. Vimos isso todas as noites no principal telejornal do país. Não há nada mais confortável para um advogado que declarar inocência do seu cliente e ouvir o apresentador do JN ler, colocando um ponto final em qualquer desconfiança porque nunca há tréplica.

[foto Reprodução TV Globo] 

 

O VELHO NORMAL

Lavei muitas panelas, reguei muitas plantas, tomei muitos capuccinos, coloquei muitas roupas na máquina, passei muito aspirador, li muitos livros, li todas as revistas, organizei as fotografias, fotografei lá fora pela janela, vi o Papo de Segunda, vi o Pedro no Irã, o Emicida no Roda Viva,  ri com o Diário de um Confinado, torci pela Elisa na Totalmente Demais, passei Cif nos porta-retratos, fiz gelatina, amassei banana com aveia, lavei laranjas, lavei limões, tomates folhas de couve, passei um paninho com álcool nos ovos, escrevi crônicas pra Carta Capital, escrevi um novo capítulo do meu livro, assisti lives e mais lives, conversei com meus irmãos pelo Skype, com os meus filhos e netos pelo Zoom, vi o Marcio Gomes explicando o mapa da pandemia, ganhei um vira-lata chamado Canela, recebi centenas de parabéns virtuais, gravei mensagens de voz, fiz reuniões virtuais, lavei máscaras com Protex, cansei.  

UM CHECK-UP DA IMPRENSA

O brasileiro já decretou, por conta própria, o fim da pandemia, o fim do confinamento. Anda de máscara nas ruas porque senão leva multa. O governo continua a espalhar a confusão. Fecha, abre, adia, volta atrás. O país já perdeu 94.702 pessoas, vítimas do coronavírus.

O STJ é a cara da nossa Justiça: manda prender, manda soltar, acusa, tira a acusação, condena, suspende a condenação.

         

A foto em destaque na primeira página mostra que a luta do pessoal da Saúde ainda é muito grande, principalmente nas periferias.

Laerte, sempre acertando na mosca.

SE ORIENTE, RAPAZ:

 

 

 

 

 

 

Prende, solta, prende, solta… e a vida continua.

A inauguração de uma ponte para travessia de animais silvestres, no interior fluminense, é uma notícia que não pode passar em branco. A obra vai evitar a morte de milhares de animais na rodovia.

A Lava Jato agora lava também roupa suja.

Sim, o governo não vai abrir mão de distribuir dinheiro até as eleições de 2022.

A pergunta que não quer calar: Que rei sou eu?

Chico Caruso traduzindo o bafafá no STF

Na foto em destaque na primeira página, mais uma tragédia em nossas estradas. Desta vez, no Paraná.

É aquela velha história. Para tapear, a gente tiras uns zeros da moeda.

Na foto em destaque, a volta dos que não foram às aulas no Rio.

ISSO AQUI, Ô Ô… É UM PEDACINHO DO BRASIL:

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, é conhecido como “genro de Silvio Santos” (no site da revista Veja)

A Carta Capital assume que o candidato da revista à Prefeitura de São Paulo é Guilherme Boulos, Erundina vice.

Chegando às bancas a edição da primorosa Quatro cinco um, a revista dos livros.

Na capa do jornal português, como vai ser o outono na Europa, ainda com a presença do coronavírus.

A edição de agosto da italiana Linus, uma das melhores revistas de quadrinhos do mundo, tem Stanley Kubrick na capa.

 

 

A BOLHA

A pandemia chegou ao nosso país e revelou para milhões e milhões de brasileiros, os invisíveis. Parece que, de repente, o Brasil descobriu os seus carentes, aqueles que vivem com pouquíssimo dinheiro, comem mal e vivem precariamente. Sim, houve uma corrente de solidariedade que ajudou muita gente, tirando-as daquela penúria. Mas um outro país continua existindo para a imprensa. Já perceberam que os depoimentos que vão ao ar de pessoas mostrando como estão enfrentando a pandemia dentro de casa, são sempre muito parecidas e de uma classe privilegiada? “Faço yoga, meditação, estou me reinventando, pensando mais, aprendi a lavar pratos, estou curtindo minha casa, meus filhos…” e por aí vai. ótimo isso, mas onde estão as pessoas que estão enfrentando a pandemia sem tempo para uma yoga, para uma meditação ou sequer pensar? Nenhum telejornal ouviu pessoas de baixa renda, aqueles que precisam lutar a cada dia para conseguir almoçar e jantar. Se a ajuda material veio, agora precisamos ouví-los. Sim, eles querem comida. Mas outras coisas da vida também.

O TEMPO

Primeiro foi em Hong Kong. Muitos, coloridos, enfrentando bombas e jatos d’água, em nome da democracia. No final da batalha, estilhaços espalhados pelas ruas. Trapos, barbatanas, gotas de sangue. A pandemia chegou e eles apareceram nas ruas de Mumbai, não importa se a meteorologia previu chuva com trovoadas ou sol ao cair da tarde. Eles surgiram para separar as pessoas, o tal do distanciamento social. Aquele abraçou saiu definitivamente de moda. No fim de semana, eis que surgem em Meca que, pela primeira vez na história, viu os fiéis andando com fé, distantes um dos outros, separados por um guarda-chuva.

O SOL NAS BANCAS DE REVISTA

Fui buscar num velho jornal dos anos 1970, o título para esse check-up diário que farei da imprensa aqui no VILLASNEWS. O Sol era um jornal laboratório, criativo, independente. A alegria de ver todos os dias o Sol nas bancas de revista não tinha tamanho e enchia a gente de alegria. O jornal não passava em branco, passava à limpo o que acontecia naqueles anos difíceis sem democracia. O Sol vai estar aqui de segunda a sexta, de olho nos jornais, nas revistas, na televisão, nas redes sociais, nos podcasts. Contamos com a sua leitura. [AV]

A manchete principal do Globo significa mais ou menos o seguinte: Bolsonaro admite descobrir a pólvora sem fazer barulho.

Preste atenção numa chamada bem pequena, embaixo, do lado esquerdo:

Na página 13, observamos, coincidência ou não, que o cabelo de Jair Bolsonaro está cada vez mais parecido com o de Adolf Hitler.

Deu na coluna na Patrícia Kogut.

Na foto em destaque na primeira página do Globo, não é apenas uma capivara que circula pelo Leblon. Vimos também várias antas aglomeradas.

Na manchete do Estadão, a constatação do óbvio. Pibinho, desemprego e pouca grana.

Perceberam que o esporte, que sempre ganhava destaque nas primeiras páginas dos jornais de segunda-feira, foi reduzido a uma pequena chamada:

Na foto em destaque na primeira página do Estadão, Sarita teve de colocar a filha Marilia numa escola mais barata nesses tempos de pandemia.

Na manchete principal da Folha: São Paulo será o primeiro estado a fazer mudanças no currículo baseado na reforma do ensino, aprovada há três anos.

Ainda na primeira página da Folha, vamos constatando o esperado:

Na foto em destaque, alguns paulistanos preferiram assistir Corinthians e Mirasol no telão, dentro do carro, no Pacaembú.

A capa da revista Carta Capital desta semana, nos remete a um velho problema. Em outubro de 1983, a falta de emprego no governo militar de João Batista Figueiredo era considerado uma “tragédia brasileira”.

Dois títulos bacanas:

Matéria sobre a volta por cima dos restaurantes à quilo. (Veja)

Matéria sobre os cariocas que estão jogando suas máscaras na praia, na rua, em qualquer lugar, menos no lixo. (O Globo)

 

Isso aqui, ô ô… é um pedacinho do Brasil:

Vinte anos após o seu lançamento, a revista O Magazine, de Oprah Winfrey, vai trazer uma outra mulher na capa que não seja a dona da revista: a militante Breonna Taylor é a capa da edição de setembro.

A pandemia de coronavírus pela primeira vez na capa da National Geographic.