DANDO O TROCO

O Brasil é o único país do mundo que dá preço aos produtos, sabendo que não há troco. Como pode uma manga custar 4 reais e 97 centavos, se não existe 3 centavos de troco? Não existe mais moeda de 1 centavo em circulação, mas os preços continuam quebrados. Nós, brasileiros, já nos acostumamos a dar esses centavos aos comerciantes. Ninguém reclama e quem reclama os centavos, fica com fama de sovina. Os países europeus respeitam muito o troco. Poderíamos dar uma nota de 100 euros para pagar 1 euro, que davam o troco de 99 euros, sem reclamar. Era assim, agora mudou. A praga do troco chegou à Europa, pelo menos na Itália, na França e na Grécia, onde passamos esses últimos três meses. Aqui no Brasil é vício. Você pode dar uma nota de 10 reais para pagar 9.90 que, automaticamente, perguntam: Não tem 90 centavos? Ao invés de pegar 10 centavos e dar de troco. As moedas parece que estão desaparecendo também na Europa. A única diferença é que, ao invés de perguntar: Não tem 10 centavos?, eles perguntam: Poderia facilitar o troco, por favor? Mas uma coisa é certa: Lá, ninguém fica com 1 centavo do cliente. Enquanto aqui, a gente acha que 1 centavo não vale um tostão furado.

MERCADINHO EM PYLOS, GRÉCIA, ONDE O TROCO É SAGRADO

[foto Alberto Villas]

A CAMISA AMARELA

Pouco antes de voltar ao Brasil, depois de um longo período na França, ouvi a canção O que será, do Chico, várias vezes. Depois de passar quase dez anos sem pisar na Terra Brasilis, voltei com aquela coisa na cabeça: O que será que será/Que andam suspirando pelas alcovas/Que andam sussurrando em versos e trovas/Que andam combinando no breu das tocas/Que anda nas cabeças, anda nas bocas/Que andam acendendo velas nos becos/Que estão falando alto pelos botecos/E gritam nos mercados que com certeza/Está na natureza. Quando cheguei, vi que estavam falando alto pelos botecos e o assunto era a zebra da Loteria Esportiva no domingo. Dessa vez, quando deixei o Brasil, ainda não havia clima de Copa do Mundo e, na minha cabeça, passava a dúvida: Quem vai vestir camisa amarela? Desde que os direitistas adotaram a camisa canarinho como uniforme  para derrubar uma presidente democraticamente eleita, eu duvidava que alguém de esquerda tivesse coragem de vestir a tal camisa da CBF, ninho de corruptos e tenebrosas transações. A Copa começou e eu fora, longe daqui. Apesar de ligado nas redes sociais, não sentia muito o clima das ruas, o papo do boteco. Eu, particularmente, tomei uma certa ojeriza dessa camisa que não posso nem ver. Apesar de ter uma guardada no armário, presente de rei. No avião que voltei ao Brasil, tinha uma moça de camisa amarela porque o Brasil jogaria com a Costa Rica enquanto estaríamos nas nuvens. Não era uma camiseta dessas comuns que a gente vê nos camelôs, nem mesmo uma oficial. Era uma camiseta de grife, talvez Gucci ou Dolce Gabbana, toda customizada, com brilhos e bossas. O Brasil ganhou e ela vibrou na escala que fizemos no aeroporto Charles De Gaulle. Confesso que fico feliz quando saio nas ruas nos dias de jogo da nossa seleção e vejo pessoas nos botecos com camisa amarela. São pessoas que ainda torcem, que ainda acreditam no Brasil. Pena que o Brasil não há mais.

[foto Alberto Villas]

 

ME DÊ MOTIVO!

O que mais me intriga na malfadada Ciclovia Tim Maia, no Rio, aquela que desabou há quase dois anos, é o nome. Pelo que se sabe, Tim Maia nunca subiu numa bicicleta. Seria o mesmo que dar o nome ao Museu da Honestidade, de Paulo Maluf.

[foto Reprodução]

FIM DE SEMANA

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Aos poucos, em doses homeopáticas, Yoko Ono vai recolocando nas lojas de disco que ainda existem, a versão em vinil de cada um de seus inúmeros discos. Corria o ano de 1971, os Beatles separados de pouco tempo, quando ela lançou o álbum Fly, cheio de experiências e doces canções. Ouça Mr. Lennon.

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Para entender a injustiça que estão cometendo com o ex-presidente Lula, o livro é este. Cinco Mil Dias, organizado por Gilberto Maringoni e Juliano Medeiros. Depoimentos de mais de cinquenta personalidades,  entre acadêmicos, lideranças políticas e ativistas sociais, o livro é uma verdadeira aula de história contemporânea.

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Entre outubro de 1966 e agosto de 1971, a extinta Editora Efecê colocou nas bancas do Brasil uma revista “para homens” chamada FairPlay. Vendida dentro de um saco plástico opaco por determinação da censura militar, a revista que era considerada uma “revista de mulher pelada” tinha textos de Nelson Rodrigues, Millôr Fernandes, Ruy Castro, Vinícius de Moraes e daí pra frente. Acabou fechando por força da ditadura militar e deixou saudade.

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REFLEXO DE GIRONA

[foto Alberto Villas]

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[1980]

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[1955]

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O HOMEM DA CAPA

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Está saindo essa semana na França, uma curiosa biografia do mago, ocultista, hedonista, escritor, poeta e crítico social Aleister Crowley, escrita por Agnès Gard. Além de ser isso tudo, Crowley é um dos personagens da capa do antológico Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, lançado em 1967.

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[fotos Reprodução]