120 DIAS

Hoje, o governo de ultra-direita de Jair Bolsonaro está fazendo quatro meses. Continuo não enxergando nenhum sinal de luz no fim do túnel, muito pelo contrário. Vejo trevas. Foram cento e vinte dias de trombadas, de burradas, de destruição. Nada de útil. Nossa imprensa conservadora continua tentando passar uma imagem de que se a orquestra ainda está tocando, é sinal de que o Titanic não está afundando. Que lembranças temos desses quatro meses de governo? Um ministro da Educação demitido, uma ministra que viu Jesus num pé de goiaba, um vídeo pornô, dezenas de funcionários contratados e demitidos em seguida, oitenta tiros num músico negro, dois prédios construídos pela milícia desabados e 24 mortos, um punhado de disse-não-disse, uma clara política do toma lá-dá cá, um vereador do Rio que fica dando pitacos diretamente de Brasília, um presidente que faz a Petrobras perder 32 bilhões em um dia, uma líder do governo que veste um maluco de Napoleão, achando que é dom Pedro I e dá o grito: Reforma da Previdência ou morte!

[AV]

PAPO CABEÇA

Os Mutantes na contracapa do segundo disco, lançado em 1969, e John Lennon na época do Magical Mistery Tour, de 1967. O curioso é que a mutação nas cabeças de Serginho, Arnaldo e Rita foi feita artesanalmente com balão (em São Paulo, bexiga) e barbante.

EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO

Nesses dias de folia em que VILLASNEWS esteve ausente, lembramos de uma edição da revista Veja, de 1974. Um surto de meningite tomou conta do Brasil e o assunto foi proibido de sair na imprensa pelo regime militar. A Veja, editada na época por Mino Carta, furou o bloqueio e a meningite virou assunto de capa. Veja o que mais aconteceu nesses últimos dias.

A revista Carta Capital apoiou José de Abreu, autoproclamada presidente do Brasil.

O jornalista e escritor Eric Nepomuceno publicou um artigo no jornal argentino Página 12. Leia:

https://www.pagina12.com.ar/178416-el-tamano-del-dolor

Foto de Ricardo Stucker flagrou um dos policiais que escoltavam o ex-presidente Lula até São Bernardo do Campo, onde participou da cerimônia do adeus ao neto Arthur, usando um distintivo da polícia de Miami.

Gervásio publicou no blog Nocaute, uma emocionante homenagem ao pequeno Arthur.

O Globo e o Estadão preferiram dar destaque ao Carnaval em suas primeiras páginas, ao invés de Lula acenando para o povo em São Bernardo do Campo. A Folha foi mais jornalismo.

O jornal francês Le Monde publicou uma longa reportagem mostrando que os índios brasileiros estão correndo risco de vida na era Bolsonaro.

Eu escrevi uma carta ao jornal Folha de S.Paulo, que não foi publicada.

E o fantasma do comunismo continuou nas ruas, mesmo durante o carnaval.

[postagem do Jornalistas Livres]

 

 

 

 

meinho

DANDO O TROCO

O Brasil é o único país do mundo que dá preço aos produtos, sabendo que não há troco. Como pode uma manga custar 4 reais e 97 centavos, se não existe 3 centavos de troco? Não existe mais moeda de 1 centavo em circulação, mas os preços continuam quebrados. Nós, brasileiros, já nos acostumamos a dar esses centavos aos comerciantes. Ninguém reclama e quem reclama os centavos, fica com fama de sovina. Os países europeus respeitam muito o troco. Poderíamos dar uma nota de 100 euros para pagar 1 euro, que davam o troco de 99 euros, sem reclamar. Era assim, agora mudou. A praga do troco chegou à Europa, pelo menos na Itália, na França e na Grécia, onde passamos esses últimos três meses. Aqui no Brasil é vício. Você pode dar uma nota de 10 reais para pagar 9.90 que, automaticamente, perguntam: Não tem 90 centavos? Ao invés de pegar 10 centavos e dar de troco. As moedas parece que estão desaparecendo também na Europa. A única diferença é que, ao invés de perguntar: Não tem 10 centavos?, eles perguntam: Poderia facilitar o troco, por favor? Mas uma coisa é certa: Lá, ninguém fica com 1 centavo do cliente. Enquanto aqui, a gente acha que 1 centavo não vale um tostão furado.

MERCADINHO EM PYLOS, GRÉCIA, ONDE O TROCO É SAGRADO

[foto Alberto Villas]

A CAMISA AMARELA

Pouco antes de voltar ao Brasil, depois de um longo período na França, ouvi a canção O que será, do Chico, várias vezes. Depois de passar quase dez anos sem pisar na Terra Brasilis, voltei com aquela coisa na cabeça: O que será que será/Que andam suspirando pelas alcovas/Que andam sussurrando em versos e trovas/Que andam combinando no breu das tocas/Que anda nas cabeças, anda nas bocas/Que andam acendendo velas nos becos/Que estão falando alto pelos botecos/E gritam nos mercados que com certeza/Está na natureza. Quando cheguei, vi que estavam falando alto pelos botecos e o assunto era a zebra da Loteria Esportiva no domingo. Dessa vez, quando deixei o Brasil, ainda não havia clima de Copa do Mundo e, na minha cabeça, passava a dúvida: Quem vai vestir camisa amarela? Desde que os direitistas adotaram a camisa canarinho como uniforme  para derrubar uma presidente democraticamente eleita, eu duvidava que alguém de esquerda tivesse coragem de vestir a tal camisa da CBF, ninho de corruptos e tenebrosas transações. A Copa começou e eu fora, longe daqui. Apesar de ligado nas redes sociais, não sentia muito o clima das ruas, o papo do boteco. Eu, particularmente, tomei uma certa ojeriza dessa camisa que não posso nem ver. Apesar de ter uma guardada no armário, presente de rei. No avião que voltei ao Brasil, tinha uma moça de camisa amarela porque o Brasil jogaria com a Costa Rica enquanto estaríamos nas nuvens. Não era uma camiseta dessas comuns que a gente vê nos camelôs, nem mesmo uma oficial. Era uma camiseta de grife, talvez Gucci ou Dolce Gabbana, toda customizada, com brilhos e bossas. O Brasil ganhou e ela vibrou na escala que fizemos no aeroporto Charles De Gaulle. Confesso que fico feliz quando saio nas ruas nos dias de jogo da nossa seleção e vejo pessoas nos botecos com camisa amarela. São pessoas que ainda torcem, que ainda acreditam no Brasil. Pena que o Brasil não há mais.

[foto Alberto Villas]

 

ME DÊ MOTIVO!

O que mais me intriga na malfadada Ciclovia Tim Maia, no Rio, aquela que desabou há quase dois anos, é o nome. Pelo que se sabe, Tim Maia nunca subiu numa bicicleta. Seria o mesmo que dar o nome ao Museu da Honestidade, de Paulo Maluf.

[foto Reprodução]

FIM DE SEMANA

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Aos poucos, em doses homeopáticas, Yoko Ono vai recolocando nas lojas de disco que ainda existem, a versão em vinil de cada um de seus inúmeros discos. Corria o ano de 1971, os Beatles separados de pouco tempo, quando ela lançou o álbum Fly, cheio de experiências e doces canções. Ouça Mr. Lennon.

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Para entender a injustiça que estão cometendo com o ex-presidente Lula, o livro é este. Cinco Mil Dias, organizado por Gilberto Maringoni e Juliano Medeiros. Depoimentos de mais de cinquenta personalidades,  entre acadêmicos, lideranças políticas e ativistas sociais, o livro é uma verdadeira aula de história contemporânea.

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Entre outubro de 1966 e agosto de 1971, a extinta Editora Efecê colocou nas bancas do Brasil uma revista “para homens” chamada FairPlay. Vendida dentro de um saco plástico opaco por determinação da censura militar, a revista que era considerada uma “revista de mulher pelada” tinha textos de Nelson Rodrigues, Millôr Fernandes, Ruy Castro, Vinícius de Moraes e daí pra frente. Acabou fechando por força da ditadura militar e deixou saudade.

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REFLEXO DE GIRONA

[foto Alberto Villas]

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[1980]

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[1955]

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