A CAPA

O Brasil tem dessas coisas. Muitas vezes, um produto interessante é pouco ou quase nada conhecido do grande público. Outro dia perguntei quem conhecia a Quatro Cinco Um, sem dizer que era uma revista mensal de literatura. Poucos conheciam. No entanto, ela está no mercado há mais de um ano. Não sei se todos conhecem A Capa, um jornal que só tem capa, não tem conteúdo.  Está todo dia aqui no mundo online, sempre com uma surpresa, um toque criativo de publicitários e afins. Vale a pena conhecer. Procure A Capa no Facebook. Vai ter uma boa surpresa. Bem como a Quatro Cinco Um.

[AV]

FAMOSO QUEM

Pouco se falava do cantor sertanejo Eduardo Costa, a não ser no meio artístico, digamos, rural. Mas o Brasil tem dessas coisas. Bastou Costa rasgar o verbo contra a apresentadora do programa Amor & Sexo, Fernanda Lima, para ele ganhar as páginas dos jornais. Fernanda, que fez uma espécie de editorial feminista (muito bacana, por sinal) no programa, foi atacada por Eduardo Costa que a chamou, inclusive, de imbecil. Bastou isto, para Eduardo Costa ficar famoso, dando até entrevista ao jornalista Pedro Bial, no programa Conversa com Bial, coisa inimaginável há dois meses. Parece que ele percebeu que, em nosso país, basta falar merda que fica famoso. Poucos dias depois, quando a história com Fernanda Lima (que abriu dois processo contra ele) começou a esfriar, ele soltou outro torpedo para voltar à mídia. Criticou aqueles que estavam arrasados com a morte do cachorro na porta do Carrefour, morto por um segurança do supermercado. E voltou. Já está à mil nos sites de fofoca. Resumo da ópera: Falar merda no Brasil dá mídia. Detalhe: Eu continuo sem conhecer nenhuma música que Eduardo Costa canta.

O MARKETING EM DEBATE

Virou mania postar nas redes sociais, pratos principais, sobremesas, ou mesas bonitas, bem arranjadas. Ninguém quer postar uma foto de um café da manhã corrido porque acordou atrasado, aquele que aparece, lá no fundo a pia cheia de vasilhas pra lavar, farelos de pão no chão ou aquele copo de requeijão que virou copo do dia-a-dia. Quando digo ninguém, é ninguém que quer fazer marketing de gente como a gente. O bobalhão que vai sentar na cadeira de presidente da República no dia primeiro de janeiro, não tem noção do ridículo, não por se expor do jeito que se expôs nesta fotografia. Os motivos são muitos que demostram ser um bobalhão, mesmo fora da mesa do café da manhã. Mas vamos ficar na foto. Oito copos dos mais baratos, ninguém sabe como serão utilizados. Talvez pra tomar café. Gente simples toma café naquele copo chamado de americano. Além dos oito copos de vidro, vemos uma pilha razoavelmente grande de copos de plástico. Pra que tanto copo? O queijo prato sequer foi tirado do isopor e o papel filme ainda está ali, com o preço enrolado nele. A manteiga sequer foi pra manteigueira, está desembrulhada numa demonstração clara e proposital de desleixo total. Qualquer carioca pode comprar uma manteigueira na liquidação do Supermercado Guanabara, mas o bobalhão quer deixar bem claro que ele é povo e que manteigueira é coisa de rico. O porta-bolos é também simples. Aqui na 25 de Março, em São Paulo, zona de comércio popular, tem dessas a preço bem módico. A mesa não tem toalha. Na mesma 25 de março você compra um pacote com três ao preço de um almoço num restaurante a quilo. Mas o bobalhão acredita que uma toalha daria um charme especial à sua mesa de café da manhã, o que atrapalharia a cabeça do seu eleitor, aquele que acha que votou numa pessoa, gente como a gente. A garrafa térmica popular também está ali, perto de um punhado de facas. Só tem facas. Nenhum colherzinha pra mexer o café? Será que o bobalhão só usa arma branca pro seu café matinal? Fruta ou suco, nem pensar. Deixa pro Doria. Ah, tem ainda o Leite Ninho, porque uma marca sempre está presente em suas fotos programadas para as redes sociais. Quem não se lembra da última, com um litrão de Coca-Cola bem à vista? Aguardemos a próxima fotografia. Se for na hora do almoço, não vai faltar aquele arrozinho com feijão, uma carninha moída de segunda, um chuchu refogado, os copos de requeijão como copo do dia-a-dia, o pacote plástico de sal aberto aberto em cima da mesa, sem saleiro, nada de toalha e, à vista uma garrafa de Itaipava ou, quem sabe um litrão plástico de Dolly. O litrão de Dolly Guaraná, pensando bem, pegaria muito bem, não é mesmo?

[foto divulgada nas redes sociais]