VEJO E GOSTO

Nunca tinha visto o jornal Em Ponto, da GloboNews, que começa tão cedo. Nesses tempos de coronavírus tenho visto todos os dias. Gosto. São as primeiras notícias do dia. Com o Burnier em casa, em sua quarentena, Julia Duailibi, é quem está segurando o rojão. No final dos anos 1990, todos os telejornais de fim de noite, anunciavam as manchetes dos dias seguintes, em arte simples apenas mostrando a manchete principal. Desde o ano passado, uma das primeiras coisas que faço no dia é o Diário de Noticias pro Nocaute, blog do Fernando Morais. Faço um pequeno raio-X dos principais jornais do país e dou dicas que pesco na imprensa internacional. Agora, vendo o Em Ponto, acompanho todos os dias a Julia mostrando as primeiras páginas dos jornais. Com a tecnologia que é outra, ela vai mostrando no telão as primeiras páginas dos jornais, apenas as primeiras páginas, e fazendo pequenos comentários. Acho simpático. 

[foto Reprodução/GloboNews]

BYE BYE PAPEL

O jornal político e satírico francês Le Canard Enchaîné, fundado em 1915, nunca teve sua edição online. No entanto, desde a semana passada, Le Canard (é uma expressão que os franceses usam para um jornal tipo pasquim) deixou temporariamente sua edição em papel e adotou a online. O coronavírus está mudando o mundo. 

MUDANÇA DE HÁBITO

Existe um velho ditado no Jornalismo que diz: num  jornal, numa revista, pode-se mudar tudo, menos o logotipo. Acredita-se que o logotipo é a vitrine consolidada do produto. Pode-se mudar todos os produtos da vitrine, mas a vitrine propriamente dita, não. No Brasil, muito raramente mudam-se as letras de uma marca de jornal ou revista. Elas sobrevivem impávidas até a morte. A Ilustrada, da Folha de S.Paulo, resolveu fugir à regra e tem surpreendido a cada dia os seus leitores. Se o jornal em si está emoldurado num formato rígido e burocrático, a capa da Ilustrada mais parece um território livre dentro de uma potência, o que é um bom exercício de criatividade e uma surpresa saudável para o leitor, a cada dia. No ano de 1986, ao ser lançado, o Caderno 2 do Estadão passou por experiência mais ou menos parecida. Se não mudava o logotipo, sua capa era sempre uma novidade dentro do velho e tradicional Estadão. Ao assumir a direção de redação, Augusto Nunes acabou com a brincadeira e transformou o Caderno 2 num produto como os outros, burocrático. A Ilustrada tem mudado quase que diariamente o seu  logotipo e o que é mais importante. Seu artigo de capa que sempre abriga um texto muito bom de se ler. Percebe-se que há um capricho ali. [AV]

[foto Reprodução]

ANOREXIA

Todos sabemos que no verão os jornais emagrecem. Não para ficar bem na foto, mas por falta e publicidade. Os suplementos de turismo, sobreviventes de cortes que fizeram desaparecer cadernos importantes, resistem graças à publicidade que ainda pingam em suas páginas. Nos últimos tempos vimos desaparecer das bancas boas revistas como a Viagem e Turismo e Próxima Viagem. Com todas as informações disponíveis sobre viagem estão na Internet, inclusive hospedagem, restaurantes, museus, ruas, tudo atualizado, as revistas foram perdendo o sentido, bem como os guias de viagem. Hoje o turista prefere um smartphone na mão do que um pesado guia turístico, muitas vezes desatualizado. Neste carnaval sentimos o drama de perto. Os suplementos de turismo do Globo e da Folha estavam com o tamanho de um folheto de publicidade, de uma capa tipo informe publicitário. O Turismo da Folha, por exemplo, tinha 4 páginas. Resumindo: os suplementos de turismo estão com os dias contados, com a morte anunciada.

[foto Reprodução]

FAMOSA QUEM

A minha primeira leitura nos jornais de domingo é a página C2 da Ilustrada que abriga um perfil/entrevista, quase sempre bem conduzido, de pessoas interessantes, algumas vezes em voga, outras não. Neste domingo, primeiro dia de março, tive uma surpresa ao abrir o suplemento de variedades da Folha e encontrar lá a personagem da semana que, confesso, nunca tinha ouvido falar. Talvez por ignorância ou por não costumar ler as colunas onde o seu nome costuma frequentar: Antonia Fontenelle! Aos poucos, lendo a matéria, fui sabendo de quem se tratava. Companheira do ator e diretor Marcos Paulo durante alguns anos, comprou uma briga na justiça com a família dele para ter uma fatia do bolo, assim que ele morreu. Antonia é um pouco de tudo. Meio atriz, meio socialite, meio famosa, meio jornalista, soube que tem um programa de entrevistas no Youtube chamado “Na Lata”, que “bomba”. Acabei de ler a página com o seu perfil e fui direto pro computador para me inteirar que programa era esse. Descobri que Antonia é assim uma espécie de Joice Hasselmann, no jeitão. Suas entrevistas são geralmente com pessoas de direita, pessoas que pensam como ela. Usa e abusa daquela frase “eu sou assim, pergunto mesmo”, como se estivesse arrancando do entrevistado um grande furo de reportagem. Tive a paciência de ver algumas dessas entrevistas, sempre lembrando dos milhares e milhares de seguidores que ela tem. No fundo, a gente se diverte. Por exemplo, ao ouvir dela que o GNT é um canal de esquerda e que o cantor e compositor Gilberto Gil é incoerente, pois como pode uma pessoa de esquerda (só faltou dizer que ele é comunista) fazer uma música que diz “andar com fé eu vou porque a fé não costuma falhar”. Essas duas afirmações foram ditas a Danilo Gentilli, seu companheiro de “partido”. Resumo da ópera: daqui pra frente, quando alguém falar em Antonia Fontenelle eu vou saber quem é. Infelizmente. (AV)

[foto Reprodução Na Lata]

AGORA, FALANDO SÉRIO!

O título da reportagem sobre a live de Jair Bolsonaro, publicado na edição desta sexta-feira (28) na Folha de S.Paulo, pisa em ovos. Na verdade, o mais forte das bobagens que falou na noite de quinta-feira foi atacar os jornalistas, destruir a Folha de S.Paulo, a revista Época e a TV Globo principalmente, além de dizer que vai aconselhar os seus ministros a dar entrevistas à CNN Brasil (que ele não lembrou o nome na hora) e não à Globo que, segundo ele, é sensacionalista, canalha e mentirosa. Agora, falando sério: os jornais estão com medo do presidente de ultra-direita. 

[foto Reprodução]

CIDADE

O jornal Le Monde anunciou em sua edição datada desta quinta-feira (20), matéria de página inteira, como ficará a Avenida dos Champs Elysées, que vai passar por um banho de loja. 

[foto Reprodução]

A CAPA DE HOJE

Pauta boa, nova e interessante, é ouvir o artista chinês Ai Weiwei sobre o coronavírus que assola o seu país e dar no título: “O antivírus”. Robinson é um suplemento semanal do jornal italiano La Repubblica.

[foto Reprodução]

MACONHA LIVRE!

A edição de fim de semana do jornal francês Le Monde, publica uma extensa reportagem sobre a liberação da cannabis no Uruguai, nosso vizinho. O texto foca no quesito pesquisa e mostra fatos importantes como, por exemplo, dezenas de países do chamado primeiro mundo que mandou pesquisadores ao país de Mujica, para estudar a evolução da planta como medicamento. Um mapa mostra em que países a cannabis está liberado e sendo estudado, tipo de informação que a maioria dos brasileiros, infelizmente não têm.

[fotos Reprodução]

SE ESSA RUA FOSSE MINHA

Nunca me esqueço das aulas de Jornalismo no prédio da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais. Apaixonado pela profissão, desde pequenininho, virei uma espécie de ombudsman de jornais, telejornais, revistas, folhetos de propaganda, outdoors, bulas de remédio. Por pura paixão. Acordo todos os dias com o barulho do porteiro do meu prédio jogando o jornal em cima do capacho, cinco, cinco e pouco da manhã. A primeira coisa do dia que faço é dar uma primeira olhada nos jornais, uns de papel, outros na tela do computador. Dia desses, quando bati os olhos na primeira página da Folha de S.Paulo e vi as fotografias em destaque, lembrei-me logo de um clássico do jornalismo quando ainda não havia carnaval em São Paulo, tempo que assumíamos o apelido dado por Vinícius de Moraes, o túmulo do samba. Os jornais costumavam, fazer um paralelo entre a cidade caótica e a patética. Publicavam duas fotografias, uma do lado da outra, mostrando a Avenida Paulista na hora do rush, num dia útil e, ao lado, a mesma avenida, do mesmo ângulo, sem uma viva alma. Fazia sentindo. Dia desses, duas fotos publicadas pela Folha, lado a lado, mostravam uma rua vazia e outra completamente destruída, acabada pelos temporais. Pensei com os meus botões: Meu Deus, olha como era essa rua em Belo Horizonte e como está hoje. Que nada, a foto da esquerda estava distante mais de 15 mil quilômetros da foto da direita. O jornal mostrou a cidade fantasma de Wuhan, na China, epicentro do coronavírus e, ao lado, era a minha Belo Horizonte arrasada pelos temporais. Voltando às aulas de Jornalismo na UFMG, pensei: O que tem a ver uma rua vazia, com a população com medo de um vírus, asfalto lisinho, com uma rua de Belo em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, destruída pelas águas? Não estavam ali lado a lado por acaso, já que a legenda era uma só. Mais de quatro décadas depois daquelas aulas na Fafich, ainda continua intrigado com o jornalismo. 

[foto Reprodução Folha de S.Paulo]

A MANCHETE DE HOJE

Enlatados, industrializados, poluição, estresse, mundo moderno, agrotóxicos… o número de diagnosticados com câncer aumenta assustadoramente no mundo. Enquanto a televisão diz que o “agro é pop/o agro é tudo”. Manchete principal do jornal Le Monde datado de 05/02/20.

[foto Reprodução]

DIA DE INDÍGENA

A edição de desta terça-feira (4), dedica duas páginas aos nossos indígenas. Uma boa entrevista com Davi Kopenawa, xamã e líder Yanomami, além de um texto sobre a exposição de fotos da tribo, feitas pela competentíssima Claudia Andujar, que acompanha a vida dos yanomamis há décadas. A exposição, em cartaz na Fondation Louis Vuitton, está merecendo elogios em cima de elogios, ganhando inclusive a capa da prestigiosa revista Télérama. Filas diárias são vistas na porta da Fondation para ver a exposição, que já esteve em cartaz por aqui no Instituto Moreira Salles. Veja na foto abaixo.

[fotos Reprodução/Divulgação]