COMBO

A Folha de S.Paulo acaba de anunciar que vai propor aos seus leitores, uma assinatura combo: a possibilidade de fazer uma assinatura do jornal, em conjunto com o jornal português Público, que tem uma linha editorial aproximada com a da Folha. O diretor Sergio Davila argumenta que “se há um enorme oceano que nos separa, há também uma língua, uma cultura e um código de valores que nos aproximam. Em Portugal ou no Brasil, somos conhecidos pelo nosso compromisso com a democracia, com o estado de direito e pelo nosso respeito aos direitos humanos”. Uma boa ideia. 

FALHA DE S.PAULO

Nada justifica uma chamada na primeira página da Folha de S.Paulo de sábado (4) – Morre, aos 96, o ator Leonardo Villar, que atuou em ‘O Pagador de Promessas’ – quando você encontra no interior do jornal, uma matéria pífia, minúscula, de pouco mais de uma dúzia de linhas com um título que nem merece comentário. 

[foto Reprodução]

AMARELO FOLHA

O jornal Folha de S.Paulo lançou, no final de semana, uma campanha a favor da democracia. Um bom editorial na primeira página da edição de domingo, um caderno especial “O que foi a ditadura” bem feito, mudou o slogan de “um jornal a favor do Brasil” para “um jornal a favor da democracia”. Até ai, tudo bem. Mas a Folha quis ir além e ressuscitou a cor da diretas e lançou também – equivocadamente – o grito de “vista amarelo pela democracia”. Na época das diretas, nos idos dos anos 1980, Chico Buarque compôs “Pela Tabelas”, que dizia assim: “Oito horas e danço de blusa amarela/Minha cabeça talvez faça as pazes assim/Quando ouvi a cidade de noite batendo panelas/Pensei que era ela voltando pra/Minha cabeça de noite batendo panelas”. Mas o jogo virou em 2016, quando milhares de pessoas foram às ruas vestindo camisas amarelas, acompanhados de um pato gigante e também amarelo, armando um golpe para derrubar a presidenta Dilma Rousseff, democraticamente eleita. A camisa da seleção virou símbolo de uma direita raivosa e equivocada, aquela que acreditava que a solução para o Brasil era simples, tirar o Partido do Trabalhadores do poder. A Folha acredita que tem força para virar o jogo novamente. Desde domingo, vem insistindo e acreditando que o país vai vestir amarelo, agora em nome da democracia. Posso estar enganado, mas na minha opinião, o equívoco é enorme. O jornal já fez matéria até sobre cromoterapia e o significado do amarelo. Na segunda-feira, abriu espaço no Painel dos Leitores para publicar fotos enviadas por ele, mostrando a São Paulo amarela. Na edição desta quarta-feira (1), publicou uma matéria de página inteira lembrando a moda amarela, como você deve se vestir. Sorry, Folha, eu não acredito que essa moda pegue. 

[foto Reprodução]

O COMEÇO DO FIM

Na próxima quarta-feira, dia primeiro de julho, quem acordar em Brasília e for a uma banca comprar o jornal O Globo, não vai mais encontrar. O jornal acaba de anunciar que não terá mais a versão em papel na capital do país. Sim, O Globo de papel, que já não chegava às bancas de Recife, agora não vão mais circular em Brasília e Goiânia. A pandemia, além de todos os males que está causando à humanidade, está acelerando a morte dos jornais como sempre conhecemos. Quem não se acostumou ainda com a versão online, vai de ter de se acostumar. Aquele prazer de sentir o cheiro do café com o jornal em cima da mesa, vai virar coisa do passado. Aproveite! Os jornais de papel estão com os dias contados. 

[foto Edição de O Globo do dia da inauguração de Brasília/Reprodução]

SEM FUTURO

Não precisa ser muito atento para perceber o encolhimento dos jornais de papel. Falamos disso aqui constantemente. Lembramos com saudade daqueles calhamaços de domingo, aqueles cadernos e mais cadernos todos os dias. Era preciso por ordem antes de começar a ler. Era caderno de esporte, caderno de turismo, caderno de literatura, caderno infantil, caderno de ciência, caderno de variedades, caderno feminino, eram muitos mesmo. Hoje, o jornal caminha para se transformar em um fascículo, ainda bem que continua guardando sua importância. A repercussão dos jornais nas redes sociais ainda é muito grande. Domingo passado, o leitor mais atento deve ter percebido que o horóscopo da Folha de S.Paulo, simplesmente sumiu. Na segunda, o jornal justificou-se, afirmando que ele vai continuar online. É sempre assim, tudo que desaparece no papel vem a desculpa que continuará online. Sei que está lá, mas confesso que há três dias não leio o horóscopo da Folha e, pelo visto, não lerei mais. Dá medo. O dia em que pegar a Folha no capacho e não encontrar mais a Ilustrada, por exemplo. Não encontrar mais a crônica do Antônio Prata ou o cartum do Benett, da Laerte, do João Montanaro, Não vem me dizer que continuarão online, por favor. 

O FUTURO ESPERADO

Roula Khalaf, a redatora-chefe do jornal britânico Financial Times, um dos mais influentes do mundo, tem uma missão pela frente. Ela assumiu a direção do FT no início da pandemia e hoje tem apenas cinco pessoas trabalhando na redação. Trezentos e noventa e cinco estão em home office. Um cenário triste, o avesso daquele ambiente efervescente de uma redação. Nesses tempos de vírus, o número de assinantes online cresceu 75%. Hoje, o Financial Times tem 1,1 milhão de assinantes, sendo que 932 mil são assinantes virtuais. Nas bancas, vende pouco mais de 80 mil exemplares. Com a flexibilização lenta e gradual na Grã-Bretanha, a direção do jornal tem como pauta principal, começar a discutir o fim do jornal de papel. Isto vai acontecer, com certeza. Mais cedo ou mais tarde. 

[foto/Reprodução]

A DONA DA VOZ

A cantora brasileira Flavia Coelho pode não ser nada conhecida por aqui, mas na França ela é um sucesso de público e crítica. Flávia está lançando seu novo disco – DNA – nas terras francesas e ganhou mais de meia página na última edição do prestigiado jornal Le Monde. Flávia tem shows pré-agendados para um ano, assim que a pandemia passar. Na entrevista ao Monde, Flavia diz que “o Brasil está à beira de uma ditadura”. A sua frase virou título da matéria. 

[foto/Reprodução]

UM MINUTO DE SILÊNCIO

Sei o quanto é difícil fechar a primeira página de um jornal.Tive essa experiência no Estadão e lembro-me perfeitamente da aflição de balancear as noticias mais importantes, as fotos, cada título, cada legenda. Existe um padrão e é difícil sair dele. Claro que às vezes, fogem à rega com uma bossa aqui, outra ali. Aumenta uma foto, um título que ganha as seis colunas, uma sacada engraçadinha. Não e fácil. O jornal francês Libération, que acompanho desde os idos de 1968, é um exemplo de ousadia. Corre a boca pequena na redação do Libé, como é conhecido, que os jornalistas ainda guardam na cabeça aquele ditado do seu fundador, Serge July: “Em time que está vencendo é que a gente mexe”. No Brasil temos a capa do popular e carioca Meia-Hora que muitas vezes arranca gargalhadas pelo deboche, pelo trocadilho, pela ousadia. Nos últimos dias, o jornal Estado de Minas tem caprichado na criatividade, fato até mesmo copiado tal e qual por revistas menos escrupulosas. No domingo (10), o jornal O Globo resolveu ousar. Esqueceu o padrão gráfico para dar lugar a um lamento em forma de nomes e número: 10 mil mortos pelo coronavírus. Capa que vai entrar para a história do Jornalismo.

[foto Reprodução]

A LUTA CONTINUA

O Primeiro de Maio na França não é um feriado como os outros. No Dia do Trabalho, os operários de todos os cantos saem às ruas para fazer suas reivindicações, lembrar suas lutas, seus heróis, sua batalha sem fim. Mas este ano não vai ser igual aquele que passou. O Primeiro de Maio confinado é assunto de capa do jornal Libération desta quinta-feira.

(foto Reprodução]

COMIDA É ARTE

A edição desta terça-feira (28) do jornal francês Le Monde e da nossa Folha de S.Paulo, em meio a tantas notícias, traz um debate sobre o futuro das galerias de arte na era pós-pandemia. A França se prepara para a flexibilização à partir de 11 de maio, bem como o Brasil, apesar do confinamento por aqui nunca ter existido pra valer, de verdade. Lendo as duas matérias, concluímos que o mundo precisa começar do zero, que está tudo fora da ordem. Vale a leitura.

[foto Reprodução] 

PODE ISSO?

Observamos que mais de três meses depois do surgimento do coronavírus, dois dos principais jornais do país fizeram a pergunta no mesmo dia. Desconfiamos que os dois jornais têm o mesmo pauteiro.

[foto/Reprodução]