UM LIVRO

Nessa semana em que milhares e milhares de estudantes saíram às ruas do Brasil em protesto contra o desgoverno de ultra-direita, a dica da semana é um livro que reúne fotos, cartazes, capas de revistas, tudo muito bem explicado e documentado, sobre a revolução de maio de 1968 na França. Um documento precioso realizado por estudiosos e fotojornalistas que enfrentaram paus e pedras para documentar uma página importante da história. Uma publicação da Bibliotèque National de France, que pode ser encontrado via Amazon.

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[foto Reprodução]

DORIL

Em São Paulo, Daniel Pedroso de Moraes, 74 anos, foi baleado na barriga por um segurança numa agência do Bradesco (um dos maiores anunciantes do país), depois de uma discussão na porta giratória do banco. Daniel continua internado em estado grave. Quem achar a notícia aqui, ganha um doce.

 

NOVO REPUBBLICA

Quando o diário italiano La Repubblica mudou de cara, não faz muito tempo, acreditávamos que tinha chegado a quase perfeição. Agora, resolveu mudar de novo, crescer, inovar. O La Repubblica, um dos principais jornais da Itália, não para quieto, não para de se mexer. Existe um ditado do jornal francês Libération que é, nadando contra a maré, “em time que está vencendo é que se mexe”. É o que acontece com o La Repubblica. Hoje, ele chegou às bancas mostrando sua cara nova e anunciando o que vem por ai: Novos cadernos, nova distribuição das matérias e assuntos, cadernos regionais mais encorpados – Milão, Florença, Roma, Turin,Bolonha, Bari, Palermo e Nápoles – sem contar a revista de fim de semana Il Venerdì, o suplemento de cultura Robinson, a revista L’Espresso aos domingos, junto com o jornal, e um novo caderno Weekend. Isso, sem contar os cadernos de Ciência, de Saúde, de Esportes e outros que virão. É o jornalismo renascendo.

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ISSO É QUE É

Quem diria, a Coca-Cola foi parar na manchete principal do jornal francês Le Monde. A notícia é de que a Coca-Cola é uma das empresas que mais faz pesquisas relacionadas a obesidade e que muitas dessas pesquisas são secretas, não chegam ao conhecimento geral. Que Coca-Cola engorda, não resta a menor dúvida.

A ARTE DE EDITAR

Não é de hoje e cada vez mais, a Rede Globo de Televisão se especializa em editar matérias dando a elas o conteúdo que lhe interessa. No caso da discussão em torno da reforma da Previdência, a Globo só coloca no ar opiniões contrárias a reforma, quando transmite ao vivo, sem a possiblidade de edição. Ontem, por exemplo, vimos na GloboNews, um desfile de parlamentares de esquerda, provando por A mais B, que a tal reforma vai prejudicar os menos favorecidos, com discursos contundentes que deixavam o ministro Guedes com cara de bobo. Mas quando chegou a hora e a vez do Jornal Nacional, a história mudou. Com edição, tivemos um desfile de opiniões favoráveis, deixando o telespectador com a impressão de que o Brasil inteiro está unido em torno da reforma. A tesoura podou qualquer opinião contrária. Mesmo durante a tarde, a GloboNews se esforçou em deixar as tarjas bem expostas, todas elas tipo propaganda eleitoral, como a da foto acima.

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(foto Reprodução GloboNews)

EL VIAJERO

O suplemento semanal de turismo do jornal espanhol El País – El Viajero – busca pautas sempre originais e inteligentes. No número desta semana, “deixe que um conto te siga”. A reportagem segue os passos de obras importantes da literatura mundial e, em outra reportagem, os repórteres vão a Cartagena das Indias, na Colombia, atrás de vestígios do Nobel de Literatura, Gabriel García Márquez. Dá vontade de viajar, não é mesmo?

BOLA FORA

A repórter Andreia Sadi, da Rede Globo de Televisão, resolveu entrevistar o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro, aquele que aparece sempre ao lado do presidente de ultra-direita, Jair Bolsonaro, e em silêncio. Helio Bolsonaro (sim, ele usa o nome do patrão), caminhando com a repórter numa superquadra de Brasília, disse, pra citar apenas um exemplo, que “Karl Marx nunca trabalhou”. Foi quando alguém, de longe, perguntou: “Qual foi o livro de Karl Marx que o senhor leu?” A repórter, pega de surpresa, ficou meio desajeitada e apressou o passo, tipo “xi, vamos sair daqui”. No trecho que está circulando nas redes sociais, Sadi não fez aquela que seria a melhor pergunta da entrevista, aquela que veio da voz rouca da rua: “Qual foi o livro de Karl Marx que o senhor leu?”

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[foto Reprodução Internet]

LIÇÃO

É rara a semana em que eu não comento aqui, o assunto de capa do suplemento infantil do jornal francês Libération. O jornal leva aos pequenos, assuntos da atualidade, criando assim, novos leitores. Essa semana, o buraco negro que foi fotografado pela primeira vez, em linguagem simples e direta. Bola dentro!

SOBREVIVENTE

Antes da televisão, o sucesso eram as revistas semanais ilustradas. No Brasil, tínhamos a O Cruzeiro e a Manchete. Nos Estados Unidos, a Life e a Look. Todas desapareceram com o tempo. Mas na Alemanha e na França, duas sobreviveram. Na Alemanha, a Stern, e na França, a Paris Match. Ambas continuam fiéis a seus princípios. Esta semana, a francesa está comemorando 70 anos. Motivo de festa. Para comemorar, um número especial contando a história de capas históricas, algumas espetaculares.

 

TRAGÉDIA

Matéria de página inteira na edição de hoje do Le Monde, mostra que o Brasil assumiu sua política anti-ecológica. Para o jornal, o ministro Ricardo Salles está desmantelando tudo que havia de bom no país com relação à preservação do meio-ambiente.

[foto Reprodução]

VN

Donos e diretores da Rede Globo de Televisão costumam, em eventos públicos, bater sempre na tecla da independência e da imparcialidade de seu jornalismo. É preciso ter coragem. Vou citar apenas poucos exemplos recentes. Que a empresa defenda a reforma da Previdência, nas manchetes desde o golpe, ela tem todo direito. Mas ela não tem o direito de iludir o telespectador, apresentando, diariamente, apenas um lado da moeda. Aquela história de que o bom jornalismo tem de ouvir todos os lados, é balela. A TV Globo nunca coloca no ar alguém contrário a reforma que, claramente, vai prejudicar os bons e velhos trabalhadores. Você pega o controle remoto e passa pela TV Câmara, pela TV Senado, ou entra nas redes sociais, vai ouvir deputados e senadores claramente contrários às reformas e com argumentos sólidos nas mãos. São milhões de brasileiros que desconfiam dessa reforma, mas a TV Globo só mostra um lado, o que interessa a ela, e nem chega perto do outro. Um outro exemplo são as manifestações. Recentemente, em um protesto em Londres contra a destruição ambiental do Planeta Terra, lá estava o correspondente da TV Globo nas ruas, entrevistando os manifestantes, querendo saber todas as opiniões. Você já viu algum manifestante brasileiro, numa manifestação de rua, dando sua opinião na TV Globo? Enquanto as televisões do mundo inteiro mostram a vigília na porta da Polícia Federal, pessoas acampadas há um ano em Curitiba, dando bom dia e boa noite ao único preso político do país,  a TV Globo finge que ela não existe. Mas, agora, o caso mais flagrante foi a entrevista que Lo ex-presidente concedeu a Mônica Bergamo, da Folha, e a Florestan Fernandes Jr, do jornal El País. A TV Globo, que já repercutiu dezenas e dezenas de reportagens exclusivas, furos da Folha, ignorou o fato, comentado na imprensa do mundo inteiro. A TV Globo, que já entrevistou até mesmo o dono de uma lojinha de material de construção no Guarujá, ele dizendo que Dona Marisa esteve lá um dia, fingiu que a entrevista histórica não existiu. Sim, Lula criticou duramente a TV Globo na entrevista. Se era tudo mentira ou acusação falta, a TV Globo não tinha motivos para não responder ao presidente ou até mesmo processá-lo. Calou-se, logo consentiu. Nos últimos tempos, o Jornal Nacional (JN) virou uma Vergonha Nacional (VN). Sinceramente, o que mais tenho acreditado no JN é a previsão do tempo.

[Alberto Villas]

[foto Reprodução TV Globo]

EL PAÍS SEMANAL

Tenho batido numa tecla aqui, alertando pauteiros que andam cochilando. Na capa da El País Semanal, a revista de fim de semana do El País, uma grande reportagem sobre a tatuagem, moda que se espalhou pelo mundo afora. Sei como funcionam as coisas por aqui. Se alguém sugerir numa reunião de pauta uma reportagem sobre tatuagem, aquele chefe de redação vai virar e dizer: “Ah… isso é velho”. Ou então “Precisa de um gancho”. Gancho esse, certamente a morte de alguém que tatuou e teve problemas na pele ou coisa parecida. A reportagem da revista do El País é uma reportagem de comportamento. Palavra que ainda meio esquecida por aqui. [AV]