PARDON!

Durante mais de um ano, a Globo, televisão, rádio, jornal e tudo mais, realizou um verdadeiro massacre do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um pequeno sítio em Atibaia e um apartamento de classe médio no Guarujá, foram transformados em cenários de uma grande novela das oito e meia. Tanto o sítio quanto o apartamento, que nunca nunca foram provados pertencerem ao ex-presidente, transformaram em dezenas, centenas de matérias nas mídias de Roberto Marinho (foto). No Jornal Nacional, bastava citar o nome Lula para aparecer, no fundo da tela, enormes tubos jorrando notas de cem reais. Desconfiados que o sítiozinho teria sido reformado por uma empreiteira, em benefício de Lula, o JN ouviu até mesmo a dona de uma lojinha de material de construção nas redondezas, que se lembrava vagamente de Dona Mariza por ali comprando meia dúzia de tijolos. Usaram helicóptero, drones para provar que a mulher do presidente tinha ali uma pequena horta e se tinha uma horta, era a dona do pedaço. Com o apartamento no Guarujá, outro massacre, uma novela sem fim. Cinco anos depois, na edição de domingo (12), na página 3, o articulista Ascânio Seleme, Globo de carteirinha, escreveu um artigo intitulado “É hora de perdoar o PT”. Eu me pergunto se não é hora da organização Globo pedir perdão a Lula pelo crime que fez a ele. Se você se interessar, leia o artigo abaixo.

COLUNA TRAVADA

Sergio Moro, ex-juiz, ex-ministro da Justiça e ex-queridinho dos bolsonaristas, não anda bem da coluna e corre o risco de perder o salário de ex-ministro que, pela lei, pode receber durante seis meses depois de deixar o cargo. Ele não poderia ter outra fonte de renda, mas se arvorou em estrear uma coluna na revista Crusoé, daqueles antagonistas, e no Globo, jornal de papel. A maioria não gostou da coluna intitulada “Honra e Fuzis”. Veja os números, duas horas depois da postagem:

Este número de desaprovação chegou a 200 mil em pouco tempo, contra 16 mil que gostaram. No Globo não foi diferente. Com o artigo “Contra o populismo”, as primeiras reações dos leitores vieram à tona. Confira:

[fotos Reprodução]

 

MOMENTO CARAS

É comum dizer que qualquer pessoa que aceita um cargo no governo ultra-direitista de Jair Bolsonaro, não é uma pessoa do bem. Sabe-se que o chefe é destemperado, grosso, homofóbico, armamentista, racista, para citar apenas alguns adjetivos. Tomou posse na quarta-feira (17) o novo ministro do novo Ministério das Comunicações, Fabio Faria (Centrão), famoso por ser genro de Silvio Santos, apresentador do programa Topa Tudo por Dinheiro. O site de notícias UOL parece que resolveu dar uma de Caras e fez uma matéria tipo leve. Assinada por Hanrriskon de Andrade, o texto diz logo de saída que Faria mostrou o seu lado popstar ao tomar posse no seu novo emprego. No segundo parágrafo informa que o evento contou com a presença de Felipe Melo, do Palmeiras, e Alexandre Pato, do São Paulo. Segundo o texto, todos os presentes ficaram admirados com a intimidade entre eles. Um dos congressistas chegou a declarar ao UOL que “sabia que ele tinha bom trânsito, mas não que era amigo de jogadores famosos”. Que chique, não é mesmo? O texto com a cara de Caras não deixou de citar que ambos estavam com máscaras com cores e símbolos dos times. Somente uma ausência foi sentida, a de Silvio Santos que, apesar dos cabelos pretos, faz parte do grupo de risco e preferiu ficar recolhido na sua mansão no Morumbi. Fabio, pelo visto, não tem ouvido ultimamente as declarações do patrão (Jair, e não Silvio), pois elogiou no seu discurso de posse “os jornais, que tanto ajudam a aprofundar as reflexões da sociedade”. Isto também estava no texto do UOL.

[foto Reprodução UOL]

AS VOZES

Com o surgimento da pandemia de coronavírus e com o assassinato de George Floyd, em Minneapolis, estamos observando que, de repente, descobriram os pobres, os “invisíveis” do nosso país, aqueles que surgiram em filas gigantescas nas portas das agências da Caixa Econômica. E descobrimos também a voz dos negros, que surgiram na televisão para debater o assassinato de Floyd, o racismo que sempre existiu por aqui. Essas vozes não podem sumir, precisam estar sempre presentes no nosso país. Queremos ouvir os pobres e também os negros. Que tal discutirmos desigualdade e racismo hoje e sempre?

[foto Reprodução GloboNews]

 

O CHIQUEIRINHO

Há meses que canto a bola aqui, afirmando que repórteres e cinegrafistas, depois de tanta humilhação, deviam abandonar aquele chiqueirinho em frente ao Palácio da Alvorada onde, todas as manhãs, uma besta quadrada aparece insultando a imprensa e fazendo o gesto de talkey pros seus fiéis, pra suas ovelhas, pro seu gado. Sugeri e recebi a resposta dizendo que a cobertura deveria ser feita porque dali poderia sair uma bomba a qualquer momento e era preciso estar presente. Bobagens saíram sim, quase que diariamente. Na noite de segunda-feira (25), Globo e Folha de S.Paulo soltaram comunicado avisando que não mais enviariam jornalistas para a porta do Alvorada por motivo de segurança. Todos os órgãos de imprensa deveriam fazer o mesmo. Deixar a besta quadrada falando sozinha. Veja a íntegra do comunicado do Grupo Globo:

 

O PEQUENO LIBÉRATION

O diário francês Libération vem criando novos leitores não é de hoje. O suplemento Le P’tit Libé desta semana coloca uma lupa no coronavírus para que a juventude entendam tudo o que está se passando no mundo. Esses leitores vão crescer e vão ler qual jornal? Libération, é claro.

[foto Reprodução)

A NOVIDADE

Quando bati os olhos nessa propaganda de vinagre balsâmico de página inteira no jornal italiano La Repubblica, voltei a 1986 quando estávamos – Luiz Fernando Emediato e eu – mergulhados no projeto do Caderno 2 do Estadão. Nessa época, ele ainda se chamava ETC e os números zero iam saindo uns atrás dos outros. A nossa ideia era publicar quadrinhos para adultos na última página. Ainda vivia impregnado pelos quadrinhos da revista (A Suivre) e queria trazer para o Brasil as histórias de Milo Manara, Carlos Sampayo, José Muñoz, Marcel Gotlib, Comès, essa turma. Fizemos vários números experimentais e a página de HQ ia ficando cada vez mais linda. Na hora H, o suplemento mudou de nome, de ETC passou para Caderno 2 e as histórias em quadrinhos para adultos caiu por água abaixo. A direção optou pela Turma da Mónica, por já ser conhecida do público em geral. A propaganda do vinagre balsâmico  mostra uma fatia de queijo Brie com seis gotinhas do tal azeite, como se fosse uma peça de dominó. Meio enigmático, meio minimalista. Fico imaginando o dono do balsâmico argumentando que ninguém entenderia direito, que seria melhor colocar o azeite em cima de uma mesa, rodeado de pães, saladas e queijos e uma família feliz em volta. Se estou aqui a 10 mil quilômetros de distância comentando este anúncio de vinagre balsâmico italiano, que mostra uma peça de dominó em formato de Brie, é porque chamou atenção. Eu sempre fui mais Comès, Muñoz, Sampayo, Crumb, essa turma.

[foto Reprodução] 

IN MORO WE TRUST

O Brasil viveu uma das sextas-feiras mais agitadas dos últimos tempos. 24 de abril de 2020 vai entrar para a história. Foi o dia em que o ministro da Justiça Sergio Moro, demissionário, soltou os cachorros ao vivo e em cores na televisão. Seis horas depois, foi a vez do presidente da República, Jair Bolsonaro, ir à forra. Soltou também os seus cachorros, principalmente desmentindo o que o agora ex-ministro falara no final da manhã. Vinte horas e trinta minutos, três horas e meia depois do pronunciamento do presidente, o Jornal Nacional rodou a sua vinheta e anunciou que tinha, com exclusividade, as provas de que Moro, o cada vez mais candidato da emissora às eleições do longínquo 2022, estava com a razão. “Pedimos as provas para Sergio Moro e ele enviou ao Jornal Nacional, com exclusividade!”, bradou o apresentador William Bonner. As provas eram mensagens trocadas entre Moro e a deputada federal Carla Zambelli, afilhada do ministro que estava de partida. A Globo livrou a cara de Moro de estar mentindo, mas curiosamente, não informou se aquelas mensagens foram checadas, se eram verdadeiras. In Moro We Trust! No ano passado, o site The Intercept Brasil divulgou mensagens trocadas pela turma de Curitiba, inclusive do então juiz Sergio Moro, que foram sempre contestadas pela mesma TV Globo. Eram “mensagens obtidas de forma ilícita por hackers criminosos”, dizia Moro no mesmo Jornal Nacional. Fica aqui a pergunta: por que a Globo acredita nas mensagens de Moro e não acredita nas mensagens do Intercept? Todos desconfiam, não é mesmo?

[foto Reprodução/TV Globo]  

QUE QUARENTENA?

No final da tarde de quarta-feira (22), cinco dias depois de tomar posse, o ministro da Saúde, Nelson Teich, deu as caras na televisão para uma coletiva. E chegou para avisar que o governo tem um plano para flexibilizar, ordenadamente, a quarentena. Os jornalistas, preocupados em arrancar umas aspas para o seu jornal, para o seu canal de televisão, simplesmente se esqueceram de perguntar: “Ministro, qual quarentena? O presidente da República nunca defendeu isolamento social, nunca defendeu quarentena, muito pelo contrário, sempre saiu às ruas passando a mão no nariz, cumprimentando as pessoas, dando tapinha nas costas e convidando à todos para voltar ao trabalho, deixar de lado essa bobagem de quarentena que só atrapalha a economia brasileira. Qual quarentena, ministro, o senhor está falando?” Os jornalistas parecem estar com medo da cara esquisita do novo ministro da Saúde ou da cara do general Braga Neto, o aprendiz de golpista. Aproveitando a ocasião, copidescamos a manchete do globo.com

O SILÊNCIO DA CONCORRÊNCIA

No final da tarde desta quinta-feira (9), a CNN Brasil deu o seu maior furo desde que foi ao ar pela primeira vez, dia 15 de março. Revelou para o Brasil o vazamento de um diálogo entre o chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o deputado Federal Osmar Terra, também conhecido como Osmar Terra Plana. Os dois fofocavam sobre o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e tramavam sua queda. Um diálogo tão sórdido quanto aquele do “precisamos manter isso aí” de Michel Temer para o dono da JBS, que ninguém mais lembra bem o nome. Foi uma bomba para quem estava sintonizado no novo canal à cabo. Aos poucos, o diálogo foi sendo revelado, inclusive com o áudio. Zapeei para ver como a GloboNews, sua concorrente maior, estava dando o escândalo e deparei com um silêncio sepulcral sobre o que tinha acabado de acontecer. E assim foi até o final da noite. Oito e meia em ponto, o Jornal Nacional foi ao ar e nada de vazamento. O JN informou que o ministro da Saúde não apareceu na já tradicional coletiva das 17 horas, mas não disse o motivo, exatamente porque teria de responder aos jornalistas sobre a conversa dada pela CNN Brasil. O JN usou imagens de arquivo de Mandetta e não procurou saber o motivo de sua ausência. Ou soube, mas silenciou-se. Os telespectadores que sintonizam apenas a Globo, ficaram sem saber o que aconteceu ontem no finalzinho da tarde, inclusive Lorenzoni dizendo que se ele fosse o presidente, teria “cortado a cabeça” do ministro da Saúde “depois daquela reunião” e também que “ele (Mandetta) não tem compromisso com nada”. Na manhã desta sexta-feira, apenas o jornal Folha de S.Paulo deu uma pequena chamada na primeira página: “Terra oferece ajuda a Onyx para tirar Mandetta do cargo”. A CNN Brasil colheu ontem o seu maior fruto, mas no país do jornalismo seletivo, ele ficou praticamente apenas no seu balaio. A notícia quando é notícia não tem dono, mas no Brasil é diferente. “Não vamos dar furo da concorrência”, devem ter pensado todos os editores-chefes que não trabalham na CNN Brasil.

[foto Reprodução/CNN Brasil]

OPS…

Ontem elogiamos aqui neste espaço, o título da matéria de capa da Ilustrada, da Folha, “A rainha da Sucata”. A manchete para a posse de Regina Duarte à frente da Secretaria Nacional de Cultura é realmente boa, mas lembramos que já tinha saído na revista Veja há um mês. 

O JEITINHO DE DAR UMA NOTÍCIA

Este pequeno texto é para mostrar que existem jeitos e jeitos de se dar uma notícia. Todos sabemos que nesses tempos modernos do capitalismo, não é nada fácil uma pessoa acima dos 50 anos conseguir um emprego. Se não é CEO, sobram pouquíssimas vagas para aqueles que já são considerados “idosos”. Mas a GloboNews conseguiu passar uma outra imagem, o outro lado da moeda de um problema. Esse número que mostra um crescimento de 131% de empregos para idosos a partir de 65 anos, é fake. Na verdade, são idosos que não conseguem comprar sequer a listinha de remédios que muitos idosos precisam: pressão, colesterol, artrite, tireóide, para citar apenas alguns. Então saem à procura de um bico, e não de um emprego propriamente dito. Porque emprego propriamente dito, é muito difícil de encontrar, uma pessoa com mais de 65 anos. Com essa tarja no vídeo, a GloboNews passa uma falta informação de que explodiu o número de vagas para os idosos. Sugiro ao pauteiro da emissora à cabo, escalar um repórter para acompanhar a saga de uma pessoa de 65 anos à procura de um emprego de verdade. Vamos ver se ele consegue. 

[foto Reprodução GloboNews]

QUE GREVE?

Se você perguntar para qualquer brasileiro que passa o dia jogado no sofá com o controle remoto da televisão nas mãos, como anda a greve dos petroleiros, ele vai simplesmente responder: “que greve?”. Pois saiba: 20 mil trabalhadores da Petrobras estão de braços cruzados há 14 dias em 108 unidades de 13 estados e 50 plataformas marítimas. O que não se explica é porque a imprensa brasileira resolveu ignorar o movimento, como se fosse um cartel. Ninguém dá. Fica aqui a pergunta: que jornalismo é este que escolhe notícias de acordo com o pensamento do dono? Os donos de jornais, revistas, canais de televisão, de rádios, é bem sabido, odeiam qualquer tipo de greve. Ainda guardam aquele rancor direitista de que greve é coisa de esquerdista, agitador, gente que só quer tumultuar. Os petroleiros estão em greve para evitar que a estatal seja rifada da noite pro dia, que demissões em massa ocorram e que os estrangeiros metam a mão no petróleo que, bem sabemos, é nosso. Onde estão os jornalistas, os editores-chefes que não perguntam a seus patrões o motivo do silêncio em torno da greve dos petroleiros? Talvez se algum mais ousado perguntar, certamente vai ouvir a mesma resposta daquele que está jogado no sofá com o controle remoto nas mãos: “que greve?” Mas, na noite de quinta-feira (13), o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, surgiu na tela da GloboNews, numa longa entrevista para dizer que “a greve dos petroleiros é política”. Alguém conhece alguma greve que não seja política?

 

[fotos Reprodução]

VEJA ESSA!

Redatores às vezes estão presos às normas da casa e não arredam o pé delas. No site da revista Veja na noite de quinta-feira (16), o redator cravou “Entretenimento” no alto da página para situar a morte do cantor e compositor Luiz Vieira. Não seria melhor a morte de um músico receber um chapéu (jargão jornalístico) do tipo: “Despedida” ou “1928/2020”, por exemplo? Mas não, se o assunto é cantor, a ordem é colocar “Entretenimento”. Ficou feio. Outra coisa muito comum nos sites são as informações estapafúrdias sobre datas. Veja bem: O texto foi escrito no dia 16 de janeiro e ficamos sabendo que Luiz Vieira estava hospitalizado “desde quarta-feira, dia 15 de janeiro”. Ora, 15 de janeiro para quem estava no dia 16, foi ontem, não é mesmo? O correto não seria “estava hospitalizado desde ontem”, meu caro redator? 

[Montagem da notícia/VILLASNEWS]

UMA AULA DE JORNALISMO

Já está nas livrarias, uma obra imprescindível para todo estudante de Jornalismo e principalmente para aqueles que estão no ar e nas redações. Trata-se do livro Jornal da Tarde – uma ousadia que reinventou a imprensa brasileira – de Fernando Casagrande, publicado pela Record. Além de contar os bastidores – e com detalhes – do nascimento do filhote do Estadão, em 1966, Casagrande recolheu as mais deliciosas, extravagantes, aflitivas e engraçadas aventuras dos protagonistas. O tempo era outro, a tecnologia era outra, os sonhos eram outros. A história do JT e da turma que fazia o jornal – e que turma! – já merecia um documento assim. Na equipe, estavam, entre outros, Mino Carta, Murilo Felisberto, Ivan Ângelo, Marcos Faerman, Humberto Werneck, Moisés Rabinovici, Telmo Martino, José Maria Mayrink, apenas para citar alguns. O sonho de fazer um jornal diferente de todos os que estavam nas bancas, transformou o JT num verdadeiro laboratório de invenções. Não dá pra perder!

[foto Reprodução] 

MUDANDO DE ASSUNTO

A ação norte-americana no aeroporto de Bagdá, no segundo dia do ano ainda novo, em que morreu o general iraniano Qassem Soleimane, mostra um lado fascinante do Jornalismo: como uma notícia, pura e simples, engole todas as outras. De repente, sites de notícia, jornais e telejornais focam no acontecimento, deixando em segundo plano praticamente todas as outras notícias. Elas são dadas de uma forma meio blasé, como se não tivessem a menor importância. E muitas vezes não têm mesmo. Mas a guerra de hoje é diferente das guerras de outrora. Com o avanço da tecnologia, a informação chega numa velocidade estonteante, mas quase nunca por vias próprias. Não existe mais, pelo menos entre nós, a figura do correspondente de guerra como foi um dia Rubem Braga ou Joel Silveira. Não vemos mais aquele soldado na trincheira porque a guerra é cibernética. Quem ataca são os drones e o que vimos são apenas clarões no céu. Tudo bem esquecer um pouco as bobagens ditas e feitas pelo presidente Bolsonaro, por exemplo. Mas deixo aqui uma perguntinha: Cadê o impeachment do presidente Donald Trump que estava aqui? A guerra comeu!

[foto Reprodução Le Monde]