NEW SCIENTIST

A primeira foto do buraco negro foi parar nas primeiras páginas dos principais jornais do mundo. Foi notícia em todos os cantos do Planeta Terra. Para saber tudo, para saber mais, se aprofundar no assunto, a revista recomendada é a inglesa New Scientist.

[foto Reprodução]

COM CERTEZA!

A jornalista Leda Nagle ficou conhecida no Brasil inteiro pelo seu bordão “com certeza”, a sua carinhosa despedida, todas as tardes, quando terminava o Jornal Hoje, da Rede Globo, durante muitos e muitos anos. Simpática ao fazer entrevistas, não resta a menor dúvida, quando deixou a casa dos Marinho, foi fazer o Sem Censura, em outro canal, um programa delicioso, de segunda a sexta, ao cair da tarde. Não faz muito tempo, Leda foi afastada do comando do Sem Censura, o que provocou muita indignação nos telespectadores vespertinos. Mas tudo tende passar e Leda, ligada aos novos tempos, foi fazer o seu programa – Canal Leda Nagle – no Youtube, onde recebe em casa, os seus convidados. Os últimos quatro programas assustaram pelo viés ideológico. Foram apenas convidados de direita, não resta a menor dúvida. Carlos Bolsonaro defendeu-se, dizendo que ele não é o pitbull que dizem, com Danilo Gentilli bateram na tecla da censura, com Alexandre Garcia falaram de “jornalismo isento” e com os três garotos que dirigiram o documentário 1964 – Entre Armas e Livros, o assunto foi também a imparcialidade do trio do Brasil Paralelo, inclusive com elogios a voz de Emílio Garrastazu Médici, um ditador feroz de tempos que procuramos esquecer e alguns, lembrar. Sinceramente, gostaria de ver no programa da Leda no Youtube, o outro lado da história. Gostaria que ela virasse a primeira à esquerda e encontrasse pessoas com pensamentos diferentes desses últimos seis entrevistados. Que tal um Fernando Morais, uma Luiza Erundina, um Ivan Valente, uma Manuela D’Ávila? Aguardemos. [AV]

[fotos/Reprodução Youtube]

A MORTE ANUNCIADA

A Editora Três anunciou ontem o fechamento da revista Planeta. Claro que faz muito tempo que a Planeta não é mais aquela revista em pequeno formato, fundada por Louis Pawels, nos anos 1960 e que ganhou sua versão brasileira no início dos anos 1970, via Editora Três. A Planeta virou uma revista meio de ecologia, meio de religião, meio de comportamento, meio de tudo. Não sabemos como ultrapassou o século e sobreviveu até o ano 19 deste. Mas o que mais chamou a atenção foi o fechamento da sucursal de Brasília da revista Isto É, uma semanal de informação que já teve seus dias de glória nas mãos do jornalista Mino Carta. Hoje é um panfleto que costuma atirar ou receber tiros de todos os lados. Está completamente perdida nessa selva de informações. Fechar a sucursal de Brasília significa dizer “não vamos fechar a revista Isto É de uma hora pra outra, vamos fechando devagarinho”.

Isto É nos tempos de Mino Carta

[foto Reprodução]

 

OPS…

Tem alguma coisa errada. Segunda-feira era o dia em que, cedo, todos pegavam o jornal e puxava lá de dentro o caderno de Esportes. Pra ler e reler tudo sobre o campeão do ano, pra saber quem foi o campeão carioca, o mineiro, o pernambucano, o gaúcho, pra ir direto no pôster do Corinthians, recortar e levar pro dono da borracharia ou do boteco pé sujo na esquina de casa. Hoje, vou direto no Erramos porque tornou-se a seção mais divertida e curiosa da Folha de S.Paulo. Fiz uns cálculos aqui, se o explorador americano descesse sete mil quilômetros no Oceano Atlântico, mais um pouquinho ele chegava em Tóquio.

[foto Reprodução]

A REVISTA DO DIA

Nesses tempos em que as grandes empresas começam a cortar custos e suas revistas customizadas, a Colors, ligada da United Colors of Benetton, nada contra a maré. Com edições em várias línguas, a edição italiana acaba de ganhar uma nova fórmula, sem tirar o pé do comportamento, das viagens internacionais, da última moda e tudo mais.

[foto Reprodução]

A REVISTA DO DIA

A revista semanal Les Inrockuptibles apresenta um panorama geral da cultura francesa e internacional. Fala de música, cinema, teatro, artes plásticas, televisão, games. No número dessa semana tem uma entrevista exclusiva com o diretor Jean-Luz Godard, feita pelos enviados especiais à sua casa. Gordard está beirando os 90 anos de idade, mas com a cabeça permanentemente na vanguarda.

ABISMO

Existe um abismo entre o jornalismo crítico e o jornalismo pasteurizado. Sigo atentamente o jornalismo brasileiro e o gringo, como dizem atualmente. Não vim aqui para criticar o brasileiro e elogiar o gringo, apenas para chamar a atenção para um fato. O jornalismo brasileiro, preocupado com a informação pasteurizada, informa e pronto. Depois, para fingir-se imparcial, diz em uma nota, a defesa dos citados. Se um citado disser que a terra é plana, virá apenas a informação: ” O advogado do fulano de tal afirmou que a terra é plana”. Não há contestação. Já falei disso aqui. Hoje, cito o exemplo de um noticiário de ontem, que estava em todos os jornais e telejornais, daqui e de fora. O presidente Macron, da França, disse que a catedral de Notre-Dame será recuperada em cinco anos. Nos jornais brasileiros, a notícia foi essa. Ninguém ouviu arquitetos e restauradores sobre o assunto. Ora, muitas vezes uma obra de arte de Leonardo Da Vinci leva uma década para ser restaurada. A reforma do Big Ben, em Londres (que não pegou fogo) vai durar, pelo menos, quatro anos. Como reconstruir uma Notre-Dame em cinco? Para ilustrar esse comentário, recorro-me a manchete de primeira página do jornal francês desta quarta-feira: “Cinco anos para reconstruir a Notre-Dame: Macron acredita em milagre”. É isso. [AV]

UM RESPIRO

Os cadernos de Economia dos jornais diários, normalmente são feios, cheios de gráficos e números. O caderno Argent (dinheiro), do jornal francês Le Monde, remando contra a obviedade, tem caprichado para conquistar leitores com suas capas criativas, capazes de fazer interessar por economia, até mesmo aqueles que não gostam do assunto.

A REVISTA DO DIA

Revistas sobre cidades, existem nos quatro cantos do planeta. Muitas delas circulam nos fins de semana, encartada aos jornalões. Algumas ultrapassam a barreira da metrópole e vão muito além. É o caso da The New York Times Magazine, a Il Venerdì (do italiano La Repubblica), a El País Semanal, a Papel (do espanhol El Mundo, que virou diária). No Brasil, já tivemos a Época São Paulo (mensal), que cumpria bem o seu papel. A mais idosa é a Veja São Paulo, conhecida como Vejinha, que já teve dias de gloria e hoje, menos. Hoje destacamos a espanhola Metrópoli, um capricho de edição, da capa até a última página. Revistas de cidade precisam enxergar grande, enxergar longe, fazer jus à metrópole a que pertence. [AV]

QUEM MATOU EVALDO?

Você já imaginou se um homem de classe média, branco, inocente, estivesse dentro de um carro em Ipanema e, de repente, recebesse uma saraivada de oitenta tiros de soldados do Exército e morresse, deixando viúva e um filho de sete anos? Deixo aqui hoje apenas duas perguntas, a primeira que fiz acima e uma segunda: Três dias depois, a notícia do massacre do homem homem branco, classe média e inocente, teria desaparecido da primeira página do principal jornal do Rio?

[foto Reprodução]