O LIVRO DO SÁBADO

Nos últimos tempos, os brasileiros ganharam belas, honestas e bem escritas biografias. Para citar apenas algumas, a de Carlos Marighella, de Mario Magalhães, a de Francisco Julião, de Claudio Aguiar, a de Luis Carlos Prestes, de Daniel Aarão Reis, sem contar as mais antigas de Ruy Castro – Garrincha, Nelson Rodrigues e Carmem Miranda -, as de Fernando Morais – Chatô e Paulo Coelho – e as estrangeiras: Matisse, Van Gogh, Paul, John, Michael Jackson, Godard, Sartre e tantas outras. Junte-se a todos essas citadas, a de Maria Theresa Goulart – Uma mulher vestida de silêncio -, de Wagner William, que acaba de sair do forno da Editora Record. Trata-se de uma história meticulosamente contada, cheia de charme e detalhes desconhecidos, até mesmo por aqueles que acompanharam, nos anos 60, 70, principalmente, a vida da mais charmosa e bonita primeira-dama da História, que fora casada com João Goulart, o presidente da República derrubado por um golpe militar. A vida de Maria Theresa Goulart é escrita com esmero e capricho. Logo nas primeiras linhas, temos a impressão de estar lendo um grande romance. Não falta nada, nenhum detalhe. Nenhuma história saborosa – ou não – ficou de fora. Nem mesmo uma canção que o menestrel fez para aquela beleza pura, a música Dona Maria Thereza. Uma mulher vestida de silêncio é daqueles livros que você desacelera nas páginas derradeiras, com pena de acabar. Altamente recomendável. Vale, vale, vale!

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O LIVRO DA SEMANA

O novo livro do escritor turco Orhan Pamuk, Nobel de Literatura 2006, acaba de pipocar nos quatro cantos do mundo. Já temos edições em várias línguas, inclusive em português de Portugal. Ainda não chegou por aqui, ainda não li, estou esperando ansiosamente, e já estou recomendando de olhos fechados. Leitor assíduo de seus livros – Neve, Istambul, O meu nome é vermelho, O museu da inocência, entre outros, tenho certeza que A mulher de cabelo ruivo deve ser mais um grande livro de um – na minha opinião – dos maiores escritores da atualidade. É só ficar de olho. Com certeza, voltarei ao assunto. [AV]

O LIVRO DO SÁBADO

Um livro lançado no ano 2000 caiu como uma luva nas minhas mãos. O escritor alemão e Nobel de Literatura Günter Grass reuniu cem contos, cada um referente a um ano do século passado, de 1900 a 2000. Conheço a literatura de Günter Grass de O Tambor (vi primeiro o filme) e O Linguado. O escritor, morto em 2015, sempre teve um olho agudo na sociedade alemã. O seu século é descrito de maneira muito pessoal, misturando realidade com ficção, com pitadas de autobiografia. Vai ser muito útil como pesquisa para o livro que estou escrevendo. [AV]

O LIVRO DA SEMANA

Conheci Gabriela Aguerre no prédio da Editora Abril, mais precisamente na redação da revista Viagem e Turismo. Foi quando ela me convidou para escrever crônicas para a revista, revelando um lado engraçado das minhas andanças. Depois disso, nosso contato foi apenas virtual. Alguns anos depois, revi Gabriela, a Gabi, na casa do jornalista Maurício Kubrusly. Estávamos quase fechando a parceria de um trabalho conjunto, que não vingou porque ela tinha outros compromissos. De repente, me cai às mãos o livro O Quarto Branco, que está saindo pela Editora Todavia. Para mim, pelo menos, o livro era um segredo. E agora, uma surpresa. O romance que a Gabi nos entrega é literatura pura. Uruguai, ela nos faz viajar até o seu país que ela deixou ainda criança. A literatura uruguaia se firma entre nós e Gabriela Aguerre já faz parte dessa turma. [AV]

A REVISTA DE HOJE

A revista-livro de ensaios, artes-visuais, ideias e literatura publicada pelo Instituto Moreira Sales é uma ilha de sabedoria nesse deserto que está virando o Brasil. Serrote chega ao seu número 31 com uma seleção de craques: De Achille Mbembe a Alberto Martins, de Paul Davis a Paulo Roberto Pires, de Serge Alain Nitegeka a Fred Coelho, entre outros. Destaque para esta edição, O toldo vermelho de Bolonha, texto de John Berger, com ilustrações de Paul Davis. Leitura altamente recomendada, pra estar sempre na cabeceira.

[foto Reprodução]

O LIVRO DA SEMANA

Nesses tempos sombrios, de comemorações de golpes militares, nada melhor que ler Primavera num espelho partido, do escritor uruguaio Mario Benedetti, morto em 2009. É a esperança que faz sobreviver uma família separada pela prisão, pela insegurança, pelo medo. A escrita de Benedetti está entre as melhores entre os escritores latino-americanos. Li numa edição especial para a TAG. Vale a pena.

O LIVRO DO DOMINGO

Que tal voltar no tempo, chegar aos anos 1970, e recuperar um livro do mais novo imortal da Academia Brasileira de Letras. O terceiro livro de Ignácio de Loyola Brandão é intrigante do princípio ao fim. Uma nova literatura que surgia por aqui, em plena ditadura. Bom de ler aos poucos, absorvendo cada parágrafo. Vale a pena.

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UM LIVRO PRO SÁBADO

Muitos são os livros que contam histórias do tempo do regime militar, que começou naquele 31 de março de 1964 e durou – infelizmente – mais de duas décadas.Mas nenhum é como A queda, de Antônio Nahas Júnior. A queda foca no estado de Minas Gerais, a luta para derrubar a ditadura que cometeu atrocidades em nosso país. Nahas, que passou dois anos na prisão em Salvador e quando pôde, foi lutar em Minas. Ela conta com detalhes as ações das organizações guerrilheiras, enumerando uma a uma. Uma viagem emocionante pela história do Brasil, nesses tempos sombrios que vivemos. O livro é editado pela editora mineira Scriptum. Todos os brasileiros deveriam conhecer essa parte da história que Nahas conta tão bem.

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O LIVRO DO SÁBADO

Já se foi o tempo das grandes reportagens. Época em que o repórter tinha tempo para apurar, juntar os cacos e montar o mosaíco de uma grande história. Eis que de repente, em plena decadência da grande reportagem nos jornais e nas revistas, Chico Felitti nos presenteia com uma história extraordinária em forma de livro. Ricardo e Vânia, publicado pela Todavia, não é a biografia de uma figura lendária de São Paulo, o Fofão da Augusta. É sua história reconstruída, esmiuçada, completa. Ele desvenda o mistério, depois de procurar todos os detalhes com a lupa de um grande repórter. Duvido que alguém comece a ler o livro e pare. Nem pra respirar a gente para. Publicada inicialmente no Buzzfeed em forma de reportagem, Ricardo e Vânia foi revista, ampliada e completada. Recomendo.

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O LIVRO DO SÁBADO

De tempos em tempos, compro um disco de olhos fechados. E tenho uma boa surpresa. Nunca tinha ouvido falar em Glaura Santos, tampouco do livro Todo mar vai ser você. Na última estada em Belo Horizonte, comprei o livro na charmosa Livraria Quixote, no coração da Savassi. Estava mergulhado na biografia de Jorge Amado, mas dei uma paradinha para espiar o mar de Glaura. Fui lendo, lendo e não parei mais. Lembrei-me vagamente de Ana C., que costurava anotações, cartas, pequenos diários. Glaura conta uma história real, cheia de poesia, costurando palavras até chegar a um bordado magnífico. Ao mesmo tempo que triste, a história é cheia de pequenos detalhes do cotidiano que nos enche de alegria e esperança. Adorei.

O LIVRO DO SÁBADO

A coleção BH – A cidade de cada um, chega ao seu trigésimo livro, dedicado ao Colégio Municipal. Sim, é um livro para mineiros que cultivam a memória da cidade. O livro de José Alberto Barreto, além de recordar muitos casos de quem passou pelo Municipal nas décadas de 1940 e 1950, inclui inúmeros recursos da própria Belo Horizonte, provinciana ainda, cheia de pardais, que o autor reclama que estão acabando. O próximo da coleção será dedicado ao bairro da Renascença.

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UM LIVRO PRO SÁBADO

Algumas biografias, como esta de Jorge Amado, escrito pela jornalista e historiadora Joselia Aguiar, são verdadeiras aulas de história. Em mais de seiscentas páginas, Joselia vai traçando o perfil do escritor baiano e, ao mesmo tempo, nos situando no Brasil, na sua História, no seu folclore, nas suas curiosidades. Muito já se falou e escreveu sobre Jorge Amado, mas a biografia editada pela Todavia é um caso à parte. A jornalista pesquisou durante quase uma década, esmiuçou a vida de Amado e chegou a um resultado exemplar. É leitura boa e cativante da primeira até a última página.

A CAPA

O Brasil tem dessas coisas. Muitas vezes, um produto interessante é pouco ou quase nada conhecido do grande público. Outro dia perguntei quem conhecia a Quatro Cinco Um, sem dizer que era uma revista mensal de literatura. Poucos conheciam. No entanto, ela está no mercado há mais de um ano. Não sei se todos conhecem A Capa, um jornal que só tem capa, não tem conteúdo.  Está todo dia aqui no mundo online, sempre com uma surpresa, um toque criativo de publicitários e afins. Vale a pena conhecer. Procure A Capa no Facebook. Vai ter uma boa surpresa. Bem como a Quatro Cinco Um.

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