152 ANOS DE SOLIDÃO

Uma pequena historia de coincidência. Costumo levar, dentro da mochila, uma edição especial comemorativa dos 50 anos de lançamento do livro Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Marquez.. Um exemplar maravilhoso, capa dura, ilustrado por Luisa Rivera, em espanhol, adquirido no Centro Cultural GGM, em Bogotá. Leio e releio Cem Anos de Solidão quase todos os dias, principalmente no caminho do trabalho, de ida e de volta. Pela literatura e pelo treino do espanhol. Na sexta-feira passada, mais ou menos nove e meia, quinze para as dez da manhã, entrei no ônibus Paraíso, rumo a Higienópolis, onde trabalho. Dois pontos adiante ao meu, uma senhora entrou, passou o seu cartão na catraca e sentou-se no banco na frente do meu. Guardou o cartão, abriu a bolsa e tirou lá de dentro um livro e começou a ler. Minha curiosidade é grande quando vejo uma pessoa lendo dentro do ônibus, sempre pergunto que livro é aquele. Não deu outro. Assim que perguntei, ela me respondeu, mostrando a capa: Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Márquez. Mostrei a ela que estava lendo o mesmo livro, só que em espanhol, uma edição especial. Ela ficou encantada com as ilustrações e eu com a coincidência de encontrar, dentro do ônibus paraíso, uma pessoa lendo o mesmo livro que eu, um livro que foi lançado há cinquenta e dois anos, uma Bíblia para mim. Fotografei. Ela desceu antes de mim e me desejou boa leitura. Retribui. [AV

UM LIVRO

Com um certo atraso, acabo de ler Minha primeira vez, livro de crônicas de Luiz Ruffato, autor do best-seller Eles eram muitos cavalos. São crônicas do cotidiano, contadas por um mineiro que conhece o risco do bordado. Muitas giram em torno da cidade de Cataguases, na zona da Mata mineira, cidade onde nasceu o meu pai e que conheço bem. Por esse motivo, me senti em casa. O texto de Ruffato é delicioso, com tiradas no ponto.

Minha primeira vez, Luiz Ruffato, Editora Arquipélago

190 páginas

 

O BAILE

Mané Garrincha é a estrela da capa do livro Elogio della finta, de Olivier Guez, que acaba de sair na Itália. O livro que, em tradução livre, chama-se O Louvor do Falso, conta a história do drible e da ginga no futebol. Claro que Garrincha merecia a capa.

[foto Reprodução]

UM LIVRO

No meio jornalístico, quando o nome do mineiro Nirlando Beirão é citado, logo vem aquela enxurrada de adjetivos: Texto impecável! Maravilhoso! Incrível! Irretocável! Não é por menos. Por onde andou, Nirlando sempre deixou sua marca registrada, a elegância e a inteligência do texto. Agora, aos setenta anos, Nirlando, acometido por uma doença degenerativa do neurônio motor, nos presenteia com um livro emocionante e tão impecável quanto os seus textos, espalhados nas últimas décadas nas páginas do Jornal da Tarde, da Isto É, da Status, da Wish, da Playboy, da Senhor, da Carta Capital, etc etc etc. Nirlando passeia, com humor e categoria por sua Minas Gerais, de Oliveira a Belo Horizonte, chegando a São Paulo, descrevendo a história e as estórias de seus avós, da sua vida, seus desejos, vitórias e frustrações, além da doença. Um livro que a gente acaba de ler e tem vontade de ler novamente, com um Stabilo Boss amarelo na mão. (AV)

[Meus começos e meu fim, Companhia das Letras]

UM LIVRO

Tive a sorte, o desejo e a felicidade de ler todos os livros do Chico, desde Fazenda Modelo, Gota D’Água e Chapeuzinho Amarelo. Não quero colocar em ordem de preferência, dizer que adorei Budapeste e que ó estranhei Estorvo. Mas, na semana que nosso herói faturou o Camões, o maior prêmio literário de língua portuguesa, recomendo aqui O Irmão Alemão. Talvez porque tenho perguntado as pessoas e sinto que muitas ainda não leram. Não sei bem porque. É uma história fascinante, contada de uma maneira fascinante. Tenho uma história particular para contar. Quando trabalhava no Fantástico, lembro-me bem quando o repórter Geneton Moraes Neto saiu para entrevistar o Chico. No final da entrevista, ele perguntou pelo tal irmão alemão dele. A história era um tabu, na época, um segredo guardado a sete chaves. Chico ficou extremamente irritado com o Geneton e a entrevista acabou ali. Quando soube que Chico estava escrevendo um livro sobre o tal irmão alemão dele, lembrei-me imediatamente da cena do Geneton, visivelmente desapontado diante do compositor e escritor. Corra, compre, peça emprestado, mas não deixe de ler O Irmão Alemão, de Chico Buarque, editado pela Companhia das Letras. Em todas as boas casas do ramo que ainda existem.

AV

O LIVRO DO SÁBADO

Nos últimos tempos, os brasileiros ganharam belas, honestas e bem escritas biografias. Para citar apenas algumas, a de Carlos Marighella, de Mario Magalhães, a de Francisco Julião, de Claudio Aguiar, a de Luis Carlos Prestes, de Daniel Aarão Reis, sem contar as mais antigas de Ruy Castro – Garrincha, Nelson Rodrigues e Carmem Miranda -, as de Fernando Morais – Chatô e Paulo Coelho – e as estrangeiras: Matisse, Van Gogh, Paul, John, Michael Jackson, Godard, Sartre e tantas outras. Junte-se a todos essas citadas, a de Maria Theresa Goulart – Uma mulher vestida de silêncio -, de Wagner William, que acaba de sair do forno da Editora Record. Trata-se de uma história meticulosamente contada, cheia de charme e detalhes desconhecidos, até mesmo por aqueles que acompanharam, nos anos 60, 70, principalmente, a vida da mais charmosa e bonita primeira-dama da História, que fora casada com João Goulart, o presidente da República derrubado por um golpe militar. A vida de Maria Theresa Goulart é escrita com esmero e capricho. Logo nas primeiras linhas, temos a impressão de estar lendo um grande romance. Não falta nada, nenhum detalhe. Nenhuma história saborosa – ou não – ficou de fora. Nem mesmo uma canção que o menestrel fez para aquela beleza pura, a música Dona Maria Thereza. Uma mulher vestida de silêncio é daqueles livros que você desacelera nas páginas derradeiras, com pena de acabar. Altamente recomendável. Vale, vale, vale!

AV

O LIVRO DA SEMANA

O novo livro do escritor turco Orhan Pamuk, Nobel de Literatura 2006, acaba de pipocar nos quatro cantos do mundo. Já temos edições em várias línguas, inclusive em português de Portugal. Ainda não chegou por aqui, ainda não li, estou esperando ansiosamente, e já estou recomendando de olhos fechados. Leitor assíduo de seus livros – Neve, Istambul, O meu nome é vermelho, O museu da inocência, entre outros, tenho certeza que A mulher de cabelo ruivo deve ser mais um grande livro de um – na minha opinião – dos maiores escritores da atualidade. É só ficar de olho. Com certeza, voltarei ao assunto. [AV]