BOM DIA, TRISTEZA

Chega ao fim uma das revistas mais importantes de literatura do mundo, a francesa Magazine Littéraire. Nascida em 1966, dois anos antes do histórico Maio 68, a Magazine Littéraire passou por várias fases nos últimos anos. Virou LE Magazine Littéraire e, há dois anos transformou-se totalmente, virando Le Nouveau Magazine Littéraire, passando seu foco também à política e ao comportamento, mas  o forte continuou sendo a literatura. Através dos anos, seus dossiês de 20 páginas transformaram em verdadeira enciclopédias de Literatura. Passeou por todos os estilos, do romance a poesia, da ficção científica aos quadrinhos, e por todos os continentes. Neste junho de 2020, a Magazine Littéraire juntou-se à revista Lire, transformando em Lire Le Magazine Littéraire. A Lire, que nasceu nos anos 1970 como uma revista que apenas reproduzia um capítulo condensado de livros da atualidade, aos poucos, foi se transformando numa revista mensal de literatura. Restou pouco da Magazine Littéraire dentro da Lire, apenas o vazio e a falta que ela vai fazer. 

[foto Reprodução]

A ESTANTE DO BOULOS

Durante o Debate na GloboNews, sábado à noite, observamos na estante de Guilherme Boulos (PSOL), coordenador do MTST, os seguintes livros:

Trilogia Getúlio, de Lira Neto

Cartas da Prisão, de Nelson Mandela 

Minha Vida, biografia de Leon Trotsky

O Capital no Século XXI, de Thomas Piretty

O Homem que Amava os Cachorros, de Leonardo Padura

A Difícil Democracia, de Boaventura de Sousa Santos

Crime e Castigo, de Fiódor M.Dostoiévsky

Marighella, o guerrilheiro que incendiou o mundo, de Mário Magalhães

[foto Boulos/Reprodução GloboNews]

AQUI E AGORA

 

O melhor lugar do mundo
É aqui e agora
O melhor lugar do mundo
É aqui e agora

Aqui onde indefinido
Agora que é quase quando
Quando ser leve ou pesado
Deixa de fazer sentido

Aqui de onde o olho mira
Agora que ouvido escuta
O tempo que a voz não fala
Mas que o coração tributa

[Aqui e Agora, Gilberto Gil]

HOME OFFICE

Nesses tempos em que jornalistas e comentaristas trabalham em casa, o meu divertimento é observar que livros têm em casa. A maioria tem como cenário suas bibliotecas, o que é ótimo. Vamos começar com a biblioteca da jornalista de economia e política, Miriam Leitão, onde captamos o livro O Lulismo no Poder, de Merval Pereira. Na estante da jornalista Andréia Sadi,  o livro Antologia da Maldade, de Gustavo Franco e Fabio Gambiagi. Na biblioteca de Demétrio Magnoli, O Livro de Manuel, de Julio Cortázar. E por fim, na casa do jornalista Marcelo Courrege, The Complete Novels, de Fiódor Dostoiévski. 

 

FICÇÃO E REALIDADE

O escritor Juan Jacinto Muñoz Rengel teve uma idéia. Pegou uma foto feita em 1990 por Cristina Carcía Rodero e propôs a seus leitores, escrever um miniconto em 280 caracteres a partir daquela imagem e postar no Twitter. Em poucos dias, foram mais cinco mil postagens, dos mais variados estilos, muitas além da imaginação.

[foto Cristina García Rodero]

NOSSA LITERATURA

O jornal La Repubblica está colocando em todas as bancas da Itália, a partir de hoje, uma coleção de 25 livros de escritores latino-americanos, um por semana. A coleção começa com Gabriel García Márquez e o seu amor nos tempos do cólera. O segundo é Mario Vargas Llosa e o terceiro é Jorge Amado. Livros nas bancas de jornais, uma coleção impecável.

[foto Reprodução La Repubblica]

LEITURA RECOMENDADA

A revista Quatro Cinco Um chega neste mês de janeiro ao seu número 30, sem perder a ternura, nem um pingo de charme. Desde o seu lançamento, a “revista dos livros” vem mantendo um padrão irretocável. Boas resenhas, bons ensaios, uma lista quase completa dos lançamentos do mês. Para quem gosta de livros, para quem gosta de ler, a Quatro Cinco Um é um verdadeiro Waze. 

[foto Reprodução]

A LISTA

O jornal Le Monde fez uma minuciosa pesquisa entre os seus leitores para saber quais são os melhores livros lidos por eles. Vamos revelar aqui apenas os três primeiros mais votados: Harry Potter, de J.R. Bowling, Viagem ao fim da noite, de Louis Ferdinand Céline e Em busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust. São, pensando bem, 101 livros que você precisa ler antes de morrer. 

[foto Reprodução]

152 ANOS DE SOLIDÃO

Uma pequena historia de coincidência. Costumo levar, dentro da mochila, uma edição especial comemorativa dos 50 anos de lançamento do livro Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Marquez.. Um exemplar maravilhoso, capa dura, ilustrado por Luisa Rivera, em espanhol, adquirido no Centro Cultural GGM, em Bogotá. Leio e releio Cem Anos de Solidão quase todos os dias, principalmente no caminho do trabalho, de ida e de volta. Pela literatura e pelo treino do espanhol. Na sexta-feira passada, mais ou menos nove e meia, quinze para as dez da manhã, entrei no ônibus Paraíso, rumo a Higienópolis, onde trabalho. Dois pontos adiante ao meu, uma senhora entrou, passou o seu cartão na catraca e sentou-se no banco na frente do meu. Guardou o cartão, abriu a bolsa e tirou lá de dentro um livro e começou a ler. Minha curiosidade é grande quando vejo uma pessoa lendo dentro do ônibus, sempre pergunto que livro é aquele. Não deu outro. Assim que perguntei, ela me respondeu, mostrando a capa: Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Márquez. Mostrei a ela que estava lendo o mesmo livro, só que em espanhol, uma edição especial. Ela ficou encantada com as ilustrações e eu com a coincidência de encontrar, dentro do ônibus paraíso, uma pessoa lendo o mesmo livro que eu, um livro que foi lançado há cinquenta e dois anos, uma Bíblia para mim. Fotografei. Ela desceu antes de mim e me desejou boa leitura. Retribui. [AV