UM LIVRO

Com um certo atraso, acabo de ler Minha primeira vez, livro de crônicas de Luiz Ruffato, autor do best-seller Eles eram muitos cavalos. São crônicas do cotidiano, contadas por um mineiro que conhece o risco do bordado. Muitas giram em torno da cidade de Cataguases, na zona da Mata mineira, cidade onde nasceu o meu pai e que conheço bem. Por esse motivo, me senti em casa. O texto de Ruffato é delicioso, com tiradas no ponto.

Minha primeira vez, Luiz Ruffato, Editora Arquipélago

190 páginas

 

O BAILE

Mané Garrincha é a estrela da capa do livro Elogio della finta, de Olivier Guez, que acaba de sair na Itália. O livro que, em tradução livre, chama-se O Louvor do Falso, conta a história do drible e da ginga no futebol. Claro que Garrincha merecia a capa.

[foto Reprodução]

UM LIVRO

No meio jornalístico, quando o nome do mineiro Nirlando Beirão é citado, logo vem aquela enxurrada de adjetivos: Texto impecável! Maravilhoso! Incrível! Irretocável! Não é por menos. Por onde andou, Nirlando sempre deixou sua marca registrada, a elegância e a inteligência do texto. Agora, aos setenta anos, Nirlando, acometido por uma doença degenerativa do neurônio motor, nos presenteia com um livro emocionante e tão impecável quanto os seus textos, espalhados nas últimas décadas nas páginas do Jornal da Tarde, da Isto É, da Status, da Wish, da Playboy, da Senhor, da Carta Capital, etc etc etc. Nirlando passeia, com humor e categoria por sua Minas Gerais, de Oliveira a Belo Horizonte, chegando a São Paulo, descrevendo a história e as estórias de seus avós, da sua vida, seus desejos, vitórias e frustrações, além da doença. Um livro que a gente acaba de ler e tem vontade de ler novamente, com um Stabilo Boss amarelo na mão. (AV)

[Meus começos e meu fim, Companhia das Letras]

UM LIVRO

Tive a sorte, o desejo e a felicidade de ler todos os livros do Chico, desde Fazenda Modelo, Gota D’Água e Chapeuzinho Amarelo. Não quero colocar em ordem de preferência, dizer que adorei Budapeste e que ó estranhei Estorvo. Mas, na semana que nosso herói faturou o Camões, o maior prêmio literário de língua portuguesa, recomendo aqui O Irmão Alemão. Talvez porque tenho perguntado as pessoas e sinto que muitas ainda não leram. Não sei bem porque. É uma história fascinante, contada de uma maneira fascinante. Tenho uma história particular para contar. Quando trabalhava no Fantástico, lembro-me bem quando o repórter Geneton Moraes Neto saiu para entrevistar o Chico. No final da entrevista, ele perguntou pelo tal irmão alemão dele. A história era um tabu, na época, um segredo guardado a sete chaves. Chico ficou extremamente irritado com o Geneton e a entrevista acabou ali. Quando soube que Chico estava escrevendo um livro sobre o tal irmão alemão dele, lembrei-me imediatamente da cena do Geneton, visivelmente desapontado diante do compositor e escritor. Corra, compre, peça emprestado, mas não deixe de ler O Irmão Alemão, de Chico Buarque, editado pela Companhia das Letras. Em todas as boas casas do ramo que ainda existem.

AV

O LIVRO DO SÁBADO

Nos últimos tempos, os brasileiros ganharam belas, honestas e bem escritas biografias. Para citar apenas algumas, a de Carlos Marighella, de Mario Magalhães, a de Francisco Julião, de Claudio Aguiar, a de Luis Carlos Prestes, de Daniel Aarão Reis, sem contar as mais antigas de Ruy Castro – Garrincha, Nelson Rodrigues e Carmem Miranda -, as de Fernando Morais – Chatô e Paulo Coelho – e as estrangeiras: Matisse, Van Gogh, Paul, John, Michael Jackson, Godard, Sartre e tantas outras. Junte-se a todos essas citadas, a de Maria Theresa Goulart – Uma mulher vestida de silêncio -, de Wagner William, que acaba de sair do forno da Editora Record. Trata-se de uma história meticulosamente contada, cheia de charme e detalhes desconhecidos, até mesmo por aqueles que acompanharam, nos anos 60, 70, principalmente, a vida da mais charmosa e bonita primeira-dama da História, que fora casada com João Goulart, o presidente da República derrubado por um golpe militar. A vida de Maria Theresa Goulart é escrita com esmero e capricho. Logo nas primeiras linhas, temos a impressão de estar lendo um grande romance. Não falta nada, nenhum detalhe. Nenhuma história saborosa – ou não – ficou de fora. Nem mesmo uma canção que o menestrel fez para aquela beleza pura, a música Dona Maria Thereza. Uma mulher vestida de silêncio é daqueles livros que você desacelera nas páginas derradeiras, com pena de acabar. Altamente recomendável. Vale, vale, vale!

AV

O LIVRO DA SEMANA

O novo livro do escritor turco Orhan Pamuk, Nobel de Literatura 2006, acaba de pipocar nos quatro cantos do mundo. Já temos edições em várias línguas, inclusive em português de Portugal. Ainda não chegou por aqui, ainda não li, estou esperando ansiosamente, e já estou recomendando de olhos fechados. Leitor assíduo de seus livros – Neve, Istambul, O meu nome é vermelho, O museu da inocência, entre outros, tenho certeza que A mulher de cabelo ruivo deve ser mais um grande livro de um – na minha opinião – dos maiores escritores da atualidade. É só ficar de olho. Com certeza, voltarei ao assunto. [AV]

O LIVRO DO SÁBADO

Um livro lançado no ano 2000 caiu como uma luva nas minhas mãos. O escritor alemão e Nobel de Literatura Günter Grass reuniu cem contos, cada um referente a um ano do século passado, de 1900 a 2000. Conheço a literatura de Günter Grass de O Tambor (vi primeiro o filme) e O Linguado. O escritor, morto em 2015, sempre teve um olho agudo na sociedade alemã. O seu século é descrito de maneira muito pessoal, misturando realidade com ficção, com pitadas de autobiografia. Vai ser muito útil como pesquisa para o livro que estou escrevendo. [AV]

O LIVRO DA SEMANA

Conheci Gabriela Aguerre no prédio da Editora Abril, mais precisamente na redação da revista Viagem e Turismo. Foi quando ela me convidou para escrever crônicas para a revista, revelando um lado engraçado das minhas andanças. Depois disso, nosso contato foi apenas virtual. Alguns anos depois, revi Gabriela, a Gabi, na casa do jornalista Maurício Kubrusly. Estávamos quase fechando a parceria de um trabalho conjunto, que não vingou porque ela tinha outros compromissos. De repente, me cai às mãos o livro O Quarto Branco, que está saindo pela Editora Todavia. Para mim, pelo menos, o livro era um segredo. E agora, uma surpresa. O romance que a Gabi nos entrega é literatura pura. Uruguai, ela nos faz viajar até o seu país que ela deixou ainda criança. A literatura uruguaia se firma entre nós e Gabriela Aguerre já faz parte dessa turma. [AV]

A REVISTA DE HOJE

A revista-livro de ensaios, artes-visuais, ideias e literatura publicada pelo Instituto Moreira Sales é uma ilha de sabedoria nesse deserto que está virando o Brasil. Serrote chega ao seu número 31 com uma seleção de craques: De Achille Mbembe a Alberto Martins, de Paul Davis a Paulo Roberto Pires, de Serge Alain Nitegeka a Fred Coelho, entre outros. Destaque para esta edição, O toldo vermelho de Bolonha, texto de John Berger, com ilustrações de Paul Davis. Leitura altamente recomendada, pra estar sempre na cabeceira.

[foto Reprodução]

O LIVRO DA SEMANA

Nesses tempos sombrios, de comemorações de golpes militares, nada melhor que ler Primavera num espelho partido, do escritor uruguaio Mario Benedetti, morto em 2009. É a esperança que faz sobreviver uma família separada pela prisão, pela insegurança, pelo medo. A escrita de Benedetti está entre as melhores entre os escritores latino-americanos. Li numa edição especial para a TAG. Vale a pena.

O LIVRO DO DOMINGO

Que tal voltar no tempo, chegar aos anos 1970, e recuperar um livro do mais novo imortal da Academia Brasileira de Letras. O terceiro livro de Ignácio de Loyola Brandão é intrigante do princípio ao fim. Uma nova literatura que surgia por aqui, em plena ditadura. Bom de ler aos poucos, absorvendo cada parágrafo. Vale a pena.

[AV]

UM LIVRO PRO SÁBADO

Muitos são os livros que contam histórias do tempo do regime militar, que começou naquele 31 de março de 1964 e durou – infelizmente – mais de duas décadas.Mas nenhum é como A queda, de Antônio Nahas Júnior. A queda foca no estado de Minas Gerais, a luta para derrubar a ditadura que cometeu atrocidades em nosso país. Nahas, que passou dois anos na prisão em Salvador e quando pôde, foi lutar em Minas. Ela conta com detalhes as ações das organizações guerrilheiras, enumerando uma a uma. Uma viagem emocionante pela história do Brasil, nesses tempos sombrios que vivemos. O livro é editado pela editora mineira Scriptum. Todos os brasileiros deveriam conhecer essa parte da história que Nahas conta tão bem.

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O LIVRO DO SÁBADO

Já se foi o tempo das grandes reportagens. Época em que o repórter tinha tempo para apurar, juntar os cacos e montar o mosaíco de uma grande história. Eis que de repente, em plena decadência da grande reportagem nos jornais e nas revistas, Chico Felitti nos presenteia com uma história extraordinária em forma de livro. Ricardo e Vânia, publicado pela Todavia, não é a biografia de uma figura lendária de São Paulo, o Fofão da Augusta. É sua história reconstruída, esmiuçada, completa. Ele desvenda o mistério, depois de procurar todos os detalhes com a lupa de um grande repórter. Duvido que alguém comece a ler o livro e pare. Nem pra respirar a gente para. Publicada inicialmente no Buzzfeed em forma de reportagem, Ricardo e Vânia foi revista, ampliada e completada. Recomendo.

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