A VOZ DO MORRO

Em 1977, longe daqui, aproximadamente a uns dez mil quilômetros de distância, eu me surpreendi com a linguagem de Dentes ao Sol, de Ignácio de Loyola Brandão. Quarenta anos depois, pertinho do Rio de Janeiro, outrora cidade maravilhosa, me surpreendo com a linguagem de O sol na cabeça, de Geovani Martins. Uma linguagem que mistura ficção com realidade. Os 13 contos do livro poderiam ser 13 reportagens, 13 retratos-falados de uma vida periférica, que acaba de ganhar uma voz. Vamos ouvir falar muito de Geovani Martins, o menino que nasceu em 1991 em Bangu e descobriu uma maneira de mostrar a vida – lá no morro – como ela é. Leitura indispensável.

[fotos Reprodução]

PAÍS TROPICAL

Quem não leu há vinte anos, é chegada a hora. E quem leu, vale a pena ler de novo. Com um novo – e mais bonito – projeto gráfico, Verdade Tropical, de Caetano Veloso volta mais gordo. Com um capítulo extra e atualíssimo, além de notas e observações sobre a edição original é, ao mesmo tempo, um passeio pela história do Brasil e da nossa música, uma das mais ricas do mundo.

[foto Reprodução]

REFAZENDO

Nas lojas de discos, uma edição comemorativa – em vinil – do disco Refavela, de Gilberto Gil. O LP, gravado há quarenta anos, guarda o vigor que sempre teve.

E nas livrarias, o livro do disco, de Maurício Barros de Castro, que conta tintin por Tintin, a história de um dos discos mais brilhantes do compositor baiano.

LEITURA RECOMENDADA PARA AS CRIANÇAS

O livro infantil do cronista Antonio Prata é uma graça. Com uma linguagem simples e sempre divertida, Jacaré não! é desses livros para quem tem filho pequeno, colocá-lo no colo e ir contando a história, que passa rápido. Mas, com certeza, o filho vai querer parar em cada página para ver, admirar e descobrir os detalhes da talentosa ilustradora Talita Hoffmann. Texto e ilustração casaram-se perfeitamente nesse livro e serão, com certeza, felizes para sempre.

 

AS LISTAS

Desde que ele apareceu no cenário nacional, achava o poeta e compositor Renato Russo meio estranho. Sorumbático, triste, mas um ótimo poeta. A Companhia das Letras está colocando nas livrarias, uma faceta curiosa de Russo, seu lado homem-listas. Renato Russo escrevia em cadernos listas e mais listas, quase que diariamente. Fazia listas de livros que precisava ler, discos que precisava comprar, filmes que queria assistir. Sem contar, os afazeres. O livro das listas, de Renato Russo, é um apanhado desses escritor, em faz-simile e devidamente “traduzidos”, explicados para quem não viveu aqueles anos 80. Um documento e tanto para fãs, memorialistas e curiosos.

CAROS AMIGOS

Nas livrarias, um livro precioso. Em parceria com a Fundação Casa Jorge Amado e a Fundação José Saramago, a Companhia das Letras reuniu cartas organizadas por Paloma Jorge Amado – filha de Jorge – e Pilar del Rio – viúva de José. É uma troca de correspondência cheia de declarações de amizade, intimidades e curiosidades entre os escritores brasileiro e português. Curiosidades como o dia em que Jorge Amado escreveu a José Saramago, em 1994: “Como vivemos até hoje sem o fax?”

[foto Divulgação]

LEITURA

A revista Serrote, editada pelo Instituo Moreira Sales, chega ao seu número 26, sem perder um pingo da qualidade. Artes, ideias e literatura em 224 páginas do mais alto calibre. Neste número que já está nas livrarias, destaque para o ensaio “Por que você veio?”, escrito por Valeria Luiselli. Retrata um dos pedaços do planeta onde a tensão é permanente, a fronteira do México com os Estados Unidos. Serrote é para ler, refletir, discutir e guardar.

FIM DE SEMANA

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São Paulo tem dessas coisas. De repente, aparece uma grande cantora, grava um disco, fica quietinha no seu canto, estrela solitária. Não vira popstar mas é cultivada por poucos, talvez entendidos. É o caso de Regina Machado e o seu CD Multiplica-se Única, onde interpreta de maneira singular, nove canções de Tom Zé, de quem já foi vocalista. Ouça .

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O desgosto com o gestor de São Paulo é grande. Ele abandonou completamente as ciclovias do governo anterior, talvez por birra. Enquanto elas vão sumindo na poeira e na sujeira da cidade, leia o livro Eu sou a mudança. Altamente recomendável ao gestor.

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De tempos em tempos, as revistas francesas mudam de cara. Mudam o formato, o logotipo, o conteúdo, sempre acrescentando, nunca diminuindo. É o caso da revista semanal de cultura Les Inrockuptibles, que mudou essa semana. Pra melhor.

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Janelas de Havana

[foto Alberto Villas]

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Sigmund Freud e Carl Jung ao sair da sauna, 1907

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Anos 1960

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