OS DISCOS DO DOMINGO

Depois do magnífico Acabou Chorare, ninguém esperava conteúdo tão contundente num segundo e terceiro disco da trupe Novos Baianos. Mas veio, e agora, encaixotaram os dois discos, o de 1973 e o de 1974. Ao todo, são vinte e quatro músicas, mas vou citar apenas cinco para que todos possam sentir que vale a pena investir na caixinha:

Sorrir de cantar como Bahia

Só se não for brasileiro nessa hora

Como qualquer dois mil réis

O samba da minha terra

Fala tamborim

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UM DISCO PRO DOMINGO

Do pai, sou fã de carteirinha desde pequenininho. Do filho, começo a ser. Bernardo Lobo, filho de Edu, nos oferece C’alma, um disco muito bem costurado do início ao fim, letras e música. Nesses tempos de música sem rumo, sem personalidade, de qualquer coisa, C’alma rema contra a maré. Vale a pena conferir. Música Popular Brasileira como gostamos.

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A BOSSA NOVA É FODA

Já perceberam que o Brasil, um país conhecido mundialmente por suas músicas tão variadas, não tem mais sequer uma publicação de música? Nenhuma revista, nadinha, nós que já tivemos a Revista de Música, a Rolling Stone, a Pipoca, a Bizz, a Jazz+, a Canja, a Rock, a Planeta Música e tantas outras. Agora, para lermos sobre a nossa música, só em revistas estrangeiras: Rock & Folk, Rolling Stone, NME, Rock, Mojo, Uncut, são centenas. Ou na Blow Up italiana que publica, no número de fevereiro, um dossiê sobre a Bossa Nova.

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O DISCO DO DOMINGO

Tuzé de Abreu, baiano, instrumentista e médico, esteve ligado a tropicália de Caetano, Gil, Tom Zé & todos os outros. Pouco conhecido da nova geração, lançou um disco em 2002 e agora, aos 70 anos, lança o segundo. Inventor, criativo, discípulo de Walter Smetak, o mais suíço de todos os baianos, está no Spotify com Contraduzindo. Vale a pena ouvir. O novo trabalho de Tuzé de Abreu é uma espécie Araça Azul 2, a missão. Adorei.

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O DISCO DO DOMINGO

É raro um disco de João Gilberto que não seja um Sgt. Pepper’s. Amoroso, de 1977, volta às poucas lojas de discos que ainda existem em formato vinil, com o capricho da Polyson. Ouvir, como se fosse novo, Estate, Tin Tin por Tin Tin, Wave e Zingaro, por exemplo, não tem preço.

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UM DISCO PRO DOMINGO

Maravilhas Contemporâneas, o segundo disco da carreira de Luiz Melodia, morto no ano passado, seguramente não é o seu Sgt Peppers. O Sgt Peppers é, sem sombra de dúvida, o Pérola Negra. Maravilhas Contemporâneas está voltando em disco de vinil, para o deleite dos colecionadores e apreciadores da música popular brasileira. A reedição chega com o capricho da Polyson, capa original, encarte, tudo como dantes. Ouvir Congênito, Maravilhas Contemporâneas, Juventude Transviada e Paquistão, deixa a impressão que o disco bem que poderia sim ser o seu Sgt. Peppers.

CLUBE DA ESQUINA

A série O Livro do Disco, da Editora Cobogó, segue adiante com mais um belo documento: Clube da Esquina, de Paulo Thiago de Mello. A série conta a história do disco de Milton, Lô Borges e amigos, em detalhes e muitas novidades. Clube da Esquina, o álbum duplo, segundo editado no Brasil, chegou às lojas em 1972 e virou um clássico da música popular brasileira, mesmo não estando na prateleira de rock, de bossa nova, de tropicália. A reunião dos mineiros com Milton, o mais mineiro dos cariocas, rendeu um disco cheio de sonoridades que iam das montanhas a Londres dos Beatles. O curioso, me lembro muito bem, foi uma crítica publicada no semanário Opinião na época (juro que não me lembro o nome) dizendo que do disco, daria pra fazer um bom compacto duplo. Criticos também erram. Lembrando que Clube da Esquina I e II saíram esse ano numa luxuosa versão vinil, fiel à original de 1972.

[foto Reprodução]

ARAÇÁ DE OURO

O disco disco Araçá Azul, o mais experimentalista de Caetano Veloso, lançado em 1972, é muito conhecido porque foi um dos discos que mais devolução teve na história da música popular brasileira. Apesar do encarte alertar que tratava-se de “um disco para entendidos”, muita gente não entendeu e decidiu devolver, acreditando ter comprado gato por lebre. Araçá Azul tem preciosidades musicais e virou um clássico “entre os entendidos”. Foi relançado algumas vezes em formato CD mas nunca ganhou um reedição em vinil. Qualquer entendido – ou não – que queira comprar o disco no formato original, é possível encontrar em algum sebo por aqui, meio estropiado, ou novinho em folha em lojas virtuais na Europa pela bagatela de 342 euros, ou traduzindo, o equivalente a exatos 1.630,48 reais.