MUITO ESTRANHO

Quinze dias depois da tragédia na favela de Paraisópolis, em São Paulo, onde morreram nove jovens que participavam de um baile funk, eis que surge uma gravação, na minha opinião, no mínimo, suspeita. A gravação mostra a polícia agindo cautelosamente, como se fosse um grupo de frades. Não estou aqui acusando ninguém, apenas questionando porque essa fita só apareceu agora, duas semanas depois do massacre? Ora, peça fundamental da investigação, ela deveria ter sido requisitada imediatamente após a tragédia. E, seguramente surgiria porque não incrimina os policiais, aqueles que apareceram em algumas imagens batendo de cassetete na juventude, jogando bombas de efeito moral e encurralando-os num beco sem saída. O diálogo que aparece na gravação mais parece que estava ocorrendo um jogo de xadrez ali, um jogo de damas ou uma aula de yoga. Nunca vi nada igual. Tudo nos conformes, como se costuma dizer. E, nos telejornais, logo após a exibição do áudio-modelo, tipo curso de boas maneiras, surge na tela o governador de São Paulo dizendo que eles são verdadeiros e que provam que a “polícia agiu de maneira correta”, conforme ele tinha tido desde o início de tudo, quando os corpos dos nove jovens ainda estavam quentes. E o assunto deu-se por encerrado. Repito: Não estou aqui acusando irresponsavelmente a polícia de ter fabricado tal áudio, dizendo que ele é fake. Mas pergunto, nesse blog focado no Jornalismo, por que não apareceu um repórter investigativo sequer para checar a veracidade do diálogo fofo entre os policiais, inclusive quando um deles pergunta quantos desacordados estão ali e o outro responde imediatamente: “Nove!”. No meio daquela confusão, daquele massacre, em plena operação, fica a impressão de que os nove corpos já estavam ali enfileirados, um ao lado do outro, contadinhos. Alguma perícia foi feita nessa fita? Porque ela só apareceu quinze dias depois? Porque ficou guardada esses dias todos? Deixo as perguntas no ar, que nenhum repórter fez. A fita foi divulgada e pronto, não se tocou mais no assunto. (Alberto Villas)

METEOROLOGIA

Quando a gente acha que uma ideia ruim vai acabar desaparecendo, ela multiplica. De uns tempos pra cá, os telejornais locais da Rede Globo inventaram de ficar piscando na tela, a temperatura nos bairros das capitais onde são exibidos. Você acaba não prestando atenção no apresentador, no repórter, na imagem, enfim, na notícia. Isso porque passa a prestar atenção naquela bobagem no canto esquerdo da tela. Lapa 19 graus, Centro 19 graus, Pinheiros 18 graus, Liberdade 19 graus… Como se não bastasse, a praga se espalhou e atingiu o Encontro com Fátima Bernardes. O telespectador fica sendo bombardeado pelas temperaturas por esse Brasil afora. Será que a turma da Globo não sabe que, hoje em dia, a coisa mais fácil que tem é ficar sabendo qual é a temperatura da cidade onde cada um está? Resumo: Você não presta atenção no debate, no especialista falando, na banda tocando, mas fica sabendo que em Porto Velho está fazendo 30 graus.

[foto Reprodução TV Globo]

O VERDE TÃO LINDO DOS GRAMADOS DE LÁ

Uma notícia boa nos chega através do jornal inglês The Guardian. Até o ano de 2025, o National Trust, uma organização que cuida dos lugares de interesse Histórico do Reino Unido, vai criar na Inglaterra e no País de Gales, 65 pomares com pereiras, ameixeiras e macieiras espalhados pelos dois países. O objetivo é incentivar e não deixar morrer os pequenos pomares, uma tradição no Reino Unido. Nos últimos sessenta e oito anos, mais da metade desses pomares simplesmente desapareceram, engolidos pela modernidade e a vida atribulada e consumista da nova geração. David Bullock, diretor do National Trust, explica que, com isso, aves, morcegos e insetos polarizadores reencontrarão o seu habitat, criando uma harmonia perfeita para o Planeta Terra. O National Trust está em busca do tempo perdido. Nunca é tarde.

AV

DOR DE CABEÇA

Que história. A revista italiana Aspirina, uma revista feminista, de quadrinhos e humor, existe há mais de trinta anos. Uma briga na justiça com a Bayer, proprietária do nome, vem rolando há muito tempo. Agora, por uma decisão da Justiça, as meninas da Aspirina foram obrigadas a trocar o nome. A revista virou, então, online e com o nome de Ervas Daninhas.

[foto Reprodução]