SILÊNCIO, NÃO!

Na capa do suplemento L’Époque, do jornal Le Monde de Hoje, uma reportagem alerta para que ninguém fique em silêncio diante de um abuso. Seja ele sexual, moral, ambiental, qualquer tipo de abuso. O sucesso do # se espalhou pelo mundo e, no Brasil, é sempre bom lembrar: #Elenão!

[foto Reprodução]

A FORÇA DA MULHER NEGRA

No Brasil, está nas livrarias, o livro Quem tem medo do feminismo negro?, da mestre em filosofia e militante feminista, Djamila Ribeiro, editado pela Companhia das Letras. O livro é uma coletânea de textos publicados por ela no site da revista Carta Capital, fundamentais para os dias de hoje. Na Espanha, está nas bancas, a revista Papel com o assunto – Feminismo Negro – na capa. A revista mostra a força, que cresce, do movimento na Espanha. Leituras mais que recomendadas.

[fotos Reprodução]

MATÉRIA PAGA

Você precisa prestar muita atenção nos jornais e revistas que, de uns tempos pra cá, começaram a publicar propagandas em forma de matéria. Não leia gato por lebre. As três páginas acima são da revista Época, que começou a circular hoje.

[fotos Reprodução]

 

GUERRA DOS CANUDOS

A França, depois de proibir os sacos plásticos nos supermercados, não quer somente banir do Planeta Terra os canudos de plástico. Os deputados começam a discutir a proibição de embalagens plásticas do tipo pote de sorvete e qualquer embalagem plástica de alimentação delivery.

 

A CENA MUDA

Sempre fui rato de livrarias, de sebos, de loja de discos. Sempre fui frequentador assíduo da Livraria Cultura, aquela enorme do Conjunto Nacional. De ir toda semana e passar um bom tempo lá, pulando de livro em livro, de CD em CD, de revista em revista. E depois tomar um suco de laranja com mamão, comer um sanduíche de salmão com pão integral e, pra finalizar, um cafezinho. Ontem entrei na Livraria Cultura do Conjunto Nacional com a impressão de que era pela última vez. Livros novos não há mais. Livros antigos que sobraram e best-sellers ocuparam as estantes redondas, lugar onde sempre encontrava as novidades da semana. Subi até o primeiro andar e que desolação. Os Cds novos de Gilberto Gil, de Caetano com os filhos, de Elza Soares, nenhum estava lá. O que tinha, preenchendo as estantes eram coletâneas caça-níqueis e um total de seis vinis. Sim, apenas seis. Antes de ir embora, passei na revistaria e o susto foi maior. Nenhuma revista nacional, nem mesmo as tradicionais Veja, Época, IstoÉ, Carta Capital estavam lá. O que vi foram revistas estrangeiras, poucas, a preços nunca inferiores a 90 reais. As respostas dos vendedores são sempre as mesmas: “Ainda não chegou, ainda não recebemos”. E a revista Cultura? “Não existe mais”. A Livraria Cultura está agonizando, enquanto no café, havia fila de espera. Talvez os clientes queriam beber o último suco de laranja com mamão e comer o último sanduíche de salmão com pão integral. Que tristeza!

[foto Alberto Villas]

MINHA CARA

Se você passar por uma banca de jornal, procure pela revista National Geographic de setembro. Não se assuste com a capa, com a espantosa fotografia de Katie Stubbefield, uma moça linda que um dia, deprimida, foi ao banheiro e deu um tiro no rosto, ficando sem ele. Uma reportagem de quarenta páginas, conta a saga do primeiro transplante de rosto realizado no mundo. Cada linha é uma emoção, é um espanto, é uma aula. O texto de Joanna Connors e as fotografia de Maggie Steber e Lynn Johson é para ser lido, visto e relido. É a mais perfeita tradução que demonstra um jornalismo vivo, Katie viva e o progresso da medicina, com todas as suas armas. Imperdível.

[foto Reprodução]

O TAL MERCADO

Faltava ainda meia hora, quando cheguei ao Mercado da Lapa, não muito longe de onde moro. Não tem aquele charme do Mercado Central de Belo Horizonte, onde nasci, mas é um mercado com todos os seus sabores. Temperos, verduras, frutas, carne, peixe, queijos e muito mais. O movimento era ligeiramente mais intenso que o de costume. Via-se ali pessoas que não estavam acostumadas com aquele mercado, sentados em bancos de madeira, observando o relógio, conversando discretamente com amigos. Eram trabalhadores, bancários, professores, comerciantes, bem brasileiros. Uma hora em ponto o trompetista chegou e disparou o primeiro acorde: “Olê Olê Olá…” Em menos de um minuto a multidão estava formada em torno dele, cantando palavras de ordem: “Lula Livre!”, “Lula Guerreiro do Povo Brasileiro!”, “Lula Presidente!” A emoção toma conta do mercado, numa onda luminosa de smartphones. Os vendedores param de vender e muitos deles, com sorriso no rosto, participam discretamente da manifestação. Um pequeno grupo da banca de bacalhau ensaia um coro de “Bolsonaro!””Bolsonaro!”, mas é abafado pela maioria “Lula Livre!” Pra mim, esse é o tal mercado que a imprensa fala. Aliás, uma imprensa que se mantem silenciosa com esses Lulaços que se espalharam pelo Brasil afora, nos mais diversos mercados. Talvez o editor-chefe tenha recebido ordens superiores de que isso não é notícia.

[foto Alberto Villas]

AGRO É VENENO

Aconselho a quem gosta de ver as propagandas exibidas pela Rede Globo afirmando que “agro é pop, agro é tudo”, a ler o número de setembro da revista Superinteressante que está chegando às bancas. Um grito de alerta: “O Brasil é o campeão mundial no uso de pesticidas. E o Congresso está se mobilizando para que a agricultura possa usar ainda mais”. As propagandas realmente são muito bem feitas e aparentemente convincentes. Mas são venenosas.

[foto Alberto Villas]

NOVOS TEMPOS

Sou do tempo de Mamãe Dolores, do Direito de Nascer. Sou do tempo em que as pessoas diziam “lista negra” e “a coisa tá preta”. Mas sou do tempo em que Elis Regina começou a cantar Black is Beautiful, que Angela Davis foi capa da Life e da Newsweek e que John Lennon e Yoko Ono cantaram Women is the nigger of the world. E hoje, sinto-me feliz por ter vivido para contar. Contar que, apesar de todas as pedras que os racistas colocam na nossa frente quase que diariamente, estamos vivendo um novo tempo. Um tempo em que negras e negros aparecem em papéis importantes nas novelas, estão nos anúncios da televisão, ocupam as capas de revistas que sempre chegaram às bancas estampando loiras de olhos azuis. Vogue, Elle, Marie Claire, Porter e tantas outras. Sou do tempo em que negros só apareciam na capa da americana Ebony. Sou do tempo em que Paul McCartney virou o jogo e cantou ao lado de Stevie Wonder, uma de suas mais belas canções, Ebony and Ivory, onde as teclas do pianos, umas pretas, outras brancas, convivem em perfeita harmonia.

[foto Reprodução]

BANCAS DE CONVENIÊNCIA

Enquanto nossas bancas minguam por falta de jornais e revistas, cada dia mais anoréxicos, senão terminais, e passam a vender bonecos de pelúcia, guarda-chuvas, bolas, refrigerantes, biscoitos e chocolates, além de jornal velho pra cachorro, as bancas da Europa ganham fôlego. Em uma semana, o jornal francês lançou nas bancas a coleção completa de vinis dos Beatles, vendidos um por semana, e ontem, uma coleção suntuosa sobre o cérebro humano. Pensando bem, uma coleção que poderia ser traduzida e lançada por aqui. Estamos precisando.

[foto Reprodução]

LUZ NO FIM DO TÚNEL

A televisão anda muito chata, chata demais, talvez para o meu gosto. Nos meus momentos de folga, às vezes zapeio, zapeio e não encontro nada que preste. Desligo. Gosto de algumas coisas. O papo de mãe (Cultura), O papo de segunda, o Decora, a Rita Lobo (GNT), coisas assim. Mas, confesso, deveria prestar mais atenção no Canal Brasil. Ontem estreou uma série de 10 programas pilotados por Gilberto Gil (Amigos, sons e palavras) que, na verdade, não trata-se de um talk show, mas de um papo entre amigos. A estréia, com Caetano Veloso, amigo do peito e de longa data, foi uma conversa ótima. Pena que curto demais (meia hora). Os dois conversaram sobre canções, família, envelhecimento, a vida enfim. Gil lembrou bem uma frase de Dona Canô, mãe de Caetano, a sábia, que abrilhantou o papo: “Quem não morre, envelhece”. O programa de Gil merece ser visto e revisto. Toda terça, 21h30 tem uma novidade. Terça que vem a convidada é Fernanda Torres. Se eu fosse você, não perdia por nada.

[foto Reprodução TV]