DOR DE CABEÇA

Que história. A revista italiana Aspirina, uma revista feminista, de quadrinhos e humor, existe há mais de trinta anos. Uma briga na justiça com a Bayer, proprietária do nome, vem rolando há muito tempo. Agora, por uma decisão da Justiça, as meninas da Aspirina foram obrigadas a trocar o nome. A revista virou, então, online e com o nome de Ervas Daninhas.

[foto Reprodução]

O PREMIADO

No septuagésimo oitavo dia do ano, finalmente, uma boa notícia. O prêmio Templeton vai para… Marcelo Gleiser! Conheci Gleiser em 2008, quando o físico veio ao Brasil lançar o livro Mundos Invisíveis, da coleção Fantástico que eu dirigia. O físico estava bem feliz com o resultado de transformar em livro a série que ele apresentou no programa. A série, coordenada e dirigida pelo editor Frederico Neves, foi um sucesso. Sentia-me feliz em ver a Física no ar, explicada para milhões de brasileiros. Aproveitando a vinda dele ao Brasil, fiz uma longa entrevista com Gleiser para a extinta e saudosa revista V. Lembro-me que quando perguntei qual era, para ele, a melhor revista de ciência publicada no mundo e ele respondeu na lata: “Para mim, a National Geographic”. Fiquei surpreso e passei a prestar mais atenção na NG. Há muitos anos,  todo mês quando a NG chega à minha casa, eu me lembro dele. E concordo. Viva Marcelo Gleiser!

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O ASSASSINATO DA CRIATIVIDADE

Quem sempre andou pelas ruas de São Paulo, deve se lembrar bem dos cartazes publicitários da revista Veja nas bancas de jornais. Bem antes, eram os outdoors que surgiam aos sábados de manhã por todos os lados da cidade, amarelos, e sempre com frases criativas. Veio a lei da cidade limpa do então prefeito Gilberto Kassab e os outdoors foram proibidos, viraram cartazes em bancas. Sempre amarelos, sempre muito criativos. Sacanas na era Lula, mas criativos. A frase semanal dos outdoors era criação da agência AlmapBBDO. Os redatores precisavam ser rápidos e criativos. A revista passava o assunto de capa para a agência e todos podiam opinar. Cinco frases eram enviadas pra revista, que escolhia a melhor. Na segunda-feira, o escolhido chegava na AlmapBBDO comemorando, cheio de moral. O tempo passou, a Veja emagreceu, perdeu um pouco o rumo com a eleição do candidato da extrema-esquerda, e perdeu também a graça. Quem passa hoje por uma banca, vai encontrar no cartaz amarelo com a capa da revista e os dizeres Leia em Veja. Assassinaram a criatividade, de uma hora pra outra. Uma pena.

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VEJA ISSO

JORNALISMO VIVO

Os italianos ganharam uma nova revista semanal cujo nome diz tudo: Reportage.

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MASSA!

Revirando o baú, descobrimos um anúncio das massas Barilla com mais de cem anos.

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CONFISSÃO

Boa ideia gráfica da revista Época de colocar em sua capa, o ex-padre Wagner Portugal por detrás de uma tela de confessionário.

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DIRETAS JÁ!

Enquanto isso, na cidade de Bogor, na Indonésia, funcionários preparam a papelada para as eleições parlamentares de 17 de abril.

[foto Adi Weda]

ABRA O OLHO, FAGNER!

Lendo o jornal O Globo hoje cedo, você depara com algumas declarações do cantor e compositor Raimundo Fagner, na capa do Segundo Caderno. A reportagem é sobre o lançamento da biografia do artista cearense, escrita (ainda não lida por mim) por Regina Echeverria, jornalista minuciosa e dona de um belo texto. O que que me leva aqui agora, é a declaração dele acima, grifada em vermelho. Se Fagner, depois de ler a matéria sobre o livro, der uma espiadinha na mesma edição de O Globo, no título que abre a página 12, ele vai perceber o seu engano. Veja abaixo.

VEJA SÓ!

BANCA LISBOA

Dois jornais e uma revista.

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SUCESSO

O diário esportivo francês L’Équipe comemora um número redondo: 200 mil assinantes do jornal online.

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NEW JOURNALISM

A chama viva do jornalismo uma reportagem de capa como esta da revista espanhola Papel.

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NOVA FÓRMULA

A tradicional revista semanal de informação italiana L’ESPRESSO mudou seu foco, agora cem por cento voltado pra reportagem e pra análise profunda. No novo número, um dossiê: Marx não está morto.

ATENÇÃO ESCOLA!

O Jornal de Notícias, de Portugal, publica uma manchete curiosa para nós, brasileiros. São as escolas públicas quem melhor prepara os alunos para o futuro. Lemos com espanto porque moramos num país onde a educação básica está caminhando pro buraco com um governo de extrema-direita.

CINZAS

Posso estar redondamente enganado, mas creio que esse ano não vai ser igual aquele que passou. Repito, posso estar redondamente enganado. Será que sou apenas eu que não estou vendo frevo, menina de trança, nem cheiro de lança no ar? A televisão mostra raramente a Globeleza, mas insiste que a folia vem ai com força total. Mostra os barracões, os sambas-enredo, as costureiras, os adereços, o comércio que espera ganhar dinheiro vendendo máscaras de Jair Bolsonaro, Sergio Moro, Onyx e Guedes. Sinceramente, acho difícil esses palhaços animarem a festa. Aguardemos.

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FIM DE FIESTA

E olha que a festa nem começou. Para aqueles que achavam que a economia do Brasil sem o PT cresceria, a notícia é uma bomba. A Ford anunciou ontem que vai fechar, até o final de 2019, sua fábrica em São Bernardo do Campo. Com isso, deixará de fabricar o Ford Fiesta, talquei?

VEJA SÓ!

Na capa da revista de fim de semana do jornal espanhol El País, uma reportagem sobre os pichadores do metrô na madrugada. Pauta boa.

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O muro de Trump na capa do Robinson, suplemento de fim de semana do jornal italiano La Repubblica. Boa pauta.

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Duas grandes publicações francesas: Revue de L’Art, comemorando 50 anos, e a Cahiers d’Art, com um número especial sobre Mirò.

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Tinder, o assunto de capa do suplemento L’Époque, do jornal francês Le Monde. Boa pauta.

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A revista francesa We Demain publica em seu número de fevereiro, um grande dossiê sobre as grandes mudanças climáticas. Boa pauta.

VEJA SÓ!

O sucesso dos feios na capa da espanhola Papel.

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Ricos e pobres na capa da italiana Le Scienze.

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Os quarenta anos da revolução iraniana na capa da inglesa New Statesman.

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Andy Warhol na capa da americana The New York Review of Books.

PRIMEIRA PÁGINA

Quem poderia imaginar que, um dia, um lindo e singelo louva-deus iria parar – e com destaque – na primeira página do jornal francês Le Monde? Foi o que aconteceu na edição datada de hoje. O louva-deus está lá, todo elegante mas, infelizmente, correndo risco. O motivo da presença dele em lugar tão nobre do jornalismo, é o fato de uma pesquisa revelar que 40% dos insetos como ele, estão correndo risco de desaparecer. A extinção dos insetos está acontecendo oito vezes mais rápida do que a dos mamíferos e aves. A pesquisa aponta que os pesticidas, as mudanças climáticas e o avanço das cidades, são os motivos principais dessa tragédia para a natureza. Você já percebeu que, na estrada, aqueles insetos que estouravam no parabrisa do carro, muitas vezes obrigando o motorista a parar num posto e jogar uma água, já não existem mais?

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