VIDA ANIMAL

Uma notícia boa chega da Holanda e outra da Índia. Na Holanda, o governo anunciou que no país já não existe mais sequer um cão abandonado nas ruas. Um programa que vem sendo aplicado nos últimos anos, acabou conseguindo dar um dono a cada cão que ainda perambulava pelas cidades. Na Índia, uma lei proibiu definitivamente que pássaros de qualquer espécie sejam engaiolados. A pena é dura para quem não cumprir. Voa passarinho, voa!

[AV]

DEVOTOS

Enquanto isso, na periferia de Pyongyang, na Coréia do Norte, uma mulher usando roupas típicas se dirige a   uma zona eleitoral para votar e eleger a nova Assembléia Popular Suprema.

[foto AFP]

VEJA SÓ!

LAGO DOS CISNES

Depois de muitos flertes, um casal de cisnes brancos resolveu oficializar o romance numa tarde de sol no Lago Ohrid, entre a Macedônia e a Albania.

[foto Georgi Likovski]

 

VEJA SÓ!

CACHORRO QUENTE

Vira-latas se aquecem numa fogueira no meio de uma rua em Amritar, na Índia. O frio e o vento na região estão bem superior ao que se costuma registrar nessa época do ano.

[foto Raminder Pal Singh]

 

OUTRO PAPO

Michelle Obama, aos seis anos de idade, em Chicago

[foto Historyinpix]

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O presidente do Brasil, de extrema-direita, visto pelo caricaturista espanhol Joaquín Aldequer

[Joaquín Aldequer/El Jueves]

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A crise argentina fecha o comércio e vai para a primeira página do jornal Página 12

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Trump visto por Plantu, na primeira página do Le Monde

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No varal de revistas, a edição chinesa da Boomberg Businessweek e a italiana Hestetika

[fotos Reprodução]

PUFF!!!

E tem gente que não acha que o mundo está ficando chato. Eu me lembro muito bem que os meus quatro filhos, quando pequenos, eram fãs do ursinho Puff. Eu comprava livrinhos com as historinhas pra eles, comprava o ursinho de pelúcia e eles se divertiam. Agora, chega a notícia de que o ursinho foi banido da China pelo simples fato de uma certa aparência com o presidente Xi Jinping. A brincadeira começou nas redes sociais e foi se espalhando pelo país. Para evitar chacotas, o governo decidiu simplesmente proibir o uso da imagem do ursinho. Ainda não se sabe se ele pediu asilo ou está vivendo clandestinamente no país. E hoje chega mais uma bomba. O governo chinês resolveu colocar abaixo o ateliê de um dos mais importantes artistas da atualidade, Ai Weiwei, na periferia de Pequim. Sim, o mundo está ficando chato.

[foto Reprodução]

A GRÉCIA EM CHAMAS

Todo verão é mesma triste história. Grandes áreas da Europa são devastadas pelas chamas provocadas, geralmente, por pessoas que jogam um cigarro no mato sem perceber a tragédia que podem provocar. Setenta e quatro pessoas mortas, mais de duzentas feridas, fauna e flora arruinadas. Quando estivemos lá no mês passado, já haviam pequenas áreas atingidas pelo fogo. Registrei em fotos e aqui estão algumas delas.

[fotos Alberto Villas]

MINHA VIDA DE CACHORRO

Todo dia depois de trabalhar desde a madrugada, descíamos a montanha onde estávamos morando, em Vryses, na Grécia, e ganhávamos a praia de Kyparessia. Era uma praia com um mar muito azul e pedras moldadas e coloridas por Deus, acredito eu. Aos poucos, fomos ficando conhecidos no pedaço. Nos instalávamos debaixo de uma barraca coberta com palha, alguns minutos depois o garçom com um chapéu caribenho vinha, simpático, sabendo que o que queríamos era um capuccino fredo, um café americano double e uma cerveja Mythos estupidamente gelada. Era isso. Levávamos os smartphones pra aproveitar o wi-fi, alguns livros e a edição do dia do La Repubblica. Ali, naquela praia, era o nosso momento de laser, o nosso momento de risos, de saber o que se passava no Brasil e no mundo, altos papos e banho de mar pra descarregar. Não passava muito tempo, antes mesmo do garçom voltar com a bandeja, ele aparecia. Um cachorro marrom, bem vira-lata, morador dali. Não tinha nome e parecia não ter dono. Escolheu – e bem – aquela praia pra viver. Mostrava-se sempre saciado, muitas vezes, recusando alguma coisa que oferecíamos a ele. O curioso é que ele chegava e sempre se instalava perto da gente, como se fôssemos seus protetores. Parecia gostar daqueles brasileiros forasteiros que resolveram passar uma temporada por ali, tão longe do nosso país. Era um cachorro metódico. Olhava para um lado, para o outro, escolhia a sombra de uma das barracas, arranjava sua caminha com as patas e se instalava preguiçoso. Devagarinho, ia fechando os olhos até começar o seu cochilo. Passava um tempo, abria um dos olhos, sentia calor e mudava de lugar, escolhendo uma sombra onde as pedras estavam mais frias, mas sempre pertinho de nós. Assim foi durante muitos dias. Tinha manhãs que o fotografava e ele não estava nem ai, sequer piscava os olhos. No último dia, ficou ainda mais pertinho da nossa barraca, como se estivesse ali se despedindo de nós. Hoje, tantos mil quilômetros de distância, fico aqui pensando que quinze dias já se passaram. Tem duas semanas que não o vejo. Estamos sabendo que o calor por lá aumentou, o verão começou a ferver, é alta estação. Espero que ele esteja por lá ainda e que venha encontrando sempre um cantinho fresco e sossegado pra passar suas manhãs. Se voltar a Kyparessia um dia, vou lá checar se ele está lá, com certeza. Se estiver, vou dar o nome a ele de Aritóteles, Sócrates, Platão ou coisa parecida.

[foto Alberto Villas]

VAI PRA CUBA!

Já fui a Cuba duas vezes, o que acho pouco tamanha minha paixão pela ilha. A primeira, em meados dos anos 1980, como repórter do Estadão, pra cobrir o Festival de Música de Varadero. Fui no mesmo avião que Chico Buarque, rei de Havana na época. Passei quinze dias por lá e foi amor à primeira vista. Depois voltei em 2013 com a família – mulher e filhas – como turista. Foram duas viagens bem diferentes, ambas apaixonantes. Agora, acabo de fazer a terceira viagem, lendo Farofa Paradisíaca & outras histórias cubanas, da jornalista e escritora Débora Rubin. Ela partiu em junho do ano passado com o companheiro André Julião, também jornalista, e soube reunir historinhas saborosas e pequenas aventuras que recomendo a todos. Publicado pela Tüz e ilustrado por Rodrigo Terra, a Farofa de Débora é uma delícia para quem já conhece a ilha, agora de Miguel Díaz-Canel, e, para quem não conhece, vai dar aquela vontade louca de pegar o primeiro avião com destino a felicidade.

[foto Reprodução]

SÃO, São Paulo

Quando deixei o Brasil, no final de março passado, com destino a um trimestre sabático na Itália e na Grécia, Como vai minha aldeia? foi um dos primeiros títulos que dei a um texto escrito, já em Florença. Os primeiros momentos na Toscana foi de abandono total de uma vida agitada em São Paulo e o esquecimento absoluto da palavra estresse. Recorri, para fazer o título, a uma velha canção do mineiro Tavinho Moura, composta nos anos setenta e qualquer coisa. Minha vida em Florença era a de quem vive numa aldeia. Andava pelas ruas e ruelas, comprava frutas e legumes num mercadinho, o jornal toda manhã na banca da esquina, cujo dono, no terceiro dia, já me reconhecia de longe e me esperava com o La Repubblica nas mãos. No fim de tarde, andava pela beira do Arno como se estivesse à beira do Rio Pomba, na minha querida Cataguases, na Zona da Mata mineira. Dois meses passei lá, assim. Logo eu, um homem urbano e tão acostumado com a efervescência de uma metrópole. Depois de Florença, descemos a Itália, atravessamos o mar e chegamos a Patras, na Grécia. De Patras, seguimos para Vryses, nosso destino final. Em Vryses, a canção de Tavinho Moura ganhou mais força. Como vai minha cidade/Oi, minha velha aldeia/Canto de velha sereia/No meu tempo/Isso era meu tesouro/Um portão/Todo feito de ouro. Vryses, uma aldeia com 78 habitantes, levou-me de volta à infância, quando vi tantos pés de frutas nos quintais. Quando ouvi a vizinha batendo na porta para nos dar de presente uma bacia de figos maduros. De madrugada, ouvia o uivo dos lobos e o ladrar dos cães, cuja finalidade era afastar os lobos. Ao amanhecer, ouvíamos mil sons de passarinhos e o sino da igreja tocando chamando os seus fiéis. O por do sol em Vryses era tão magnífico que muitas vezes lamentávamos ter chegado tarde em casa e perdido o espetáculo. O tempo passou com tudo tende passar. No avião que nos levou de Atenas a Roma, a caminho do Brasil, a revista de bordo da Alitalia, a Ulisse, estava no bolsão da frente. Antes de pegar no sono, dei uma folheada e uma reportagem sobre São Paulo foi a senha para lembrar o que me esperava. O Masp, a Japan House, o Beco do Batman, o Ibirapuera, o Instituto Tomie Ohtake, a Avenida Paulista, a efervescência estava de volta, mesmo ainda tão longe, mais de dez mil quilômetros. Então deixei Tavinho Moura de lado e me recorri a Tom Zé, que em 1968, cantou a cidade que tinha oito milhões de habitantes, que era uma aglomerada solidão, onde as pessoas amavam com todo ódio e odiavam com todo amor. Fui lembrando dos versos e cheguei ao final da poesia de Tom Zé, lembrando que apesar de todo defeito, te carrego no meu peito. Então, cheguei.

[foto Alberto Villas]

 

O PAPEL DO JORNAL

A leitura diária do jornal de papel num café foi uma das cenas que mais me chamou a atenção nesses três meses de Europa. Em Roma, particularmente, onde fiz um clic deste senhor que chegou para tomar um spresso, seguramente o melhor do mundo. Ele colocou o cinzeiro no chão por não ser fumante. Todos os restaurantes daqui ainda têm cinzeiros nas mesas e as pessoas – acredito eu – fumam muito mais do que no Brasil. Voltando aos jornais. Eles são interessantes, com muito conteúdo. Com vários suplementos – saúde, comida, medicina, tecnologia, design, viagem, economia, literatura, além de revistas com serviço e grandes reportagens. Todo dia é uma montanha de novidades. E são muitos: La Repubblica, Il Manifesto, Il Messaggero, Corriere della Sera, Il Foglio, Il Fatto Quottidiano, Corriere dello Sport, Gazzetta Sportiva, para citar alguns. Sinto que o brasileiro perdeu o hábito da leitura de jornais por culpa talvez dos próprios jornais, óbvios, envelhecidos e partidários, principalmente. Talvez ainda exista no Brasil uma pequena confraria de leitores de jornal de papel. Eu sou um deles e quero continuar sendo.

[foto Alberto Villas]