ACABOU CHORARE

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Em 1972 era assim. Um grupo de novos baianos desceu para o Sul Maravilha para mostrar pra essa gente bronzeada o seu valor. Na foto acima, falta Baby Consuelo, a do nariz arrebitado. Eles se refugiaram num sítio em Jacarepaguá para viver em paz, fazer música, amor e jogar futebol. Eram os tempos hippies, tempos do flower power, outros tempos.

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Em 2016 é assim. A comunidade vira capa da revista O Globo. É a onda mundial do coliving, as novas comunidades que querem “compartilhar experiências e viver de modo sustentável sob o mesmo teto”. Eles bebem suco DoBem em caixinha.

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Foi aqui no sítio em Jacarepaguá que os novos baianos criaram uma das maiores obras primas da música popular brasileira, o disco Acabou Chorare, sempre presente na lista dos melhores discos dos últimos cem anos. E assim corria a barca…

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O mundo mudou, tudo mudou. As novas comunidades tem casa com papel de parede importado e laptop Mac customizado.

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As refeições dos novos baianos eram feitas numa mesa comunitária com pratos de alumínio ou ágata e copos de plástico coloridos.

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Hoje, as fruteiras e a bilha de água são da Tok Stok.

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Em 1972, os novos baianos vestiam calças vermelhas de boca sino e faziam pic-nic na varanda de casa.

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Nos tempos modernos, as novas comunidades sentam-se à mesa num ambiente que parece ter tomado um banho de loja do programa Decora, do GNT.

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A vista em Jacarepaguá era pro mato, onde havia porco, galinha e pato.

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A vista das novas comunidades é pro mar.

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Aqui em Jacarepaguá, a abelha fazia apenas zum zum e mel e as roupas eram roupas comuns bordadas.

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Hoje, ah… hoje eles vestem Richards.

[fotos Reprodução Internet/Revista O Globo]

 

 

 

 

E AGORA, JOSÉ?

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A pequena Ibabira, no interior de Minas, ganhou a sétima estátua do seu filho mais ilustre, o poeta Carlos Drummond de Andrade. Ela foi instalada no pátio do Grupo Escolar Coronel José Batista. O pobre Drummond de bronze ficou dentro de um chiqueirinho para evitar vandalismos, como os que acontecem com o poeta em Copacabana, no Rio. A homenagem é bonita mas ver Drummond dentro do chiqueirinho, como dói!

[foto O Trem Itabirano] 

O BEIJO PROIBIDO

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“Contrastes”, um dos discos mais bacanas de Jards Macalé, lançado originalmente em vinil em 1977, provocou uma grande polêmica e rendeu a Macalé um processo, mais tarde,  movido por sua namorada na época, Ana Miranda, que aparece na capa beijando o compositor. Relançado em 2003 em CD, o disco apareceu com uma capa medonha, deixando bem claro que havia sido censurada. Eis que agora, “Contrastes” volta às lojas novamente, com uma terceira capa. Só restaram as samambaias. O conteúdo é o mesmo, extraordinário.

[fotos Reprodução]

PIPOCA AQUI, PIPOCA ALI

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Vivemos a era da incoerência. Enquanto, por um lado, somos bombardeados a optar por uma alimentação mais saudável, orgânica, com fibras e proteínas (o que está certo), por outro lado, uma revista semanal publica uma propaganda de página inteira, anunciando a novidade: Pipoca com queijo e pipoca com bacon. Depois de multiplicar por dez o tamanho do pacote, o Cinemark agora resolveu turbinar a pipoca. Haja estômago!

[Reprodução revista São Paulo/Folha de S.Paulo]

 

AS LEITURAS DO DOMINGO

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Por um lado, são histórias originais e muito bem contadas pelo craque da medicina e da literatura, o médico Drauzio Varella. “A Teoria das Janelas Quebradas” reúne dez anos de crônicas publicadas no jornal Folha de S.Paulo. Sempre atuais, crônicas que nos faz pensar, viajar, questionar.

Por outro lado, um livro delicioso de receitas de Dona Canô, a mãe de Caetano, Maria Bethânia, que nos deixou em 2012. Foi Mabel, também filha de dona Canô, quem organizou o livro “O Sal é um Dom” que, além das receitas, tem mil e uma histórias, também deliciosas, dessa família baiana cem por cento. Sem contar as fotos, um verdadeiro álbum de família.

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[A Teoria das Janelas Quebradas – Drauzio Varella – Companhia das Letras – 226 páginas – 39 reais]

[O Sal é um Dom – Receitas de Dona Canô – Mabel Velloso – Casa da Palavra – 39.90 reais]

PRA INGLÊS VER

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Patético. É sempre a mesma história. Basta um gringo importante pousar no Brasil, que tem sempre um pra folclorizar a cena. Faz parte do show levá-los ao morro, mostrar o samba no pé, tomar uma caipirinha ou, quem sabe, tocar um berimbau. Ontem foi a vez da diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, pegar o instrumento no Morro do Alemão. A foto sempre vira primeira página dos jornais. Lembro dessas cenas desde jovem, quando lá em 1979, o príncipe Charles, ainda solteirão, caiu no samba com a mulata Piná, que acabou, quem diria, na capa da revista Veja.

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