UHU! AHA! FÉRIAS!

Bombardeado por denúncias de parcialidade na operação Lava-Jato, o ministro da Justiça, Sergio Moro, na calada da noite, pede uma semana de férias ao presidente da República. Ficamos sabendo pelo Diário Oficial. Estranho, seis meses depois da posse, um funcionário do governo pedir férias. Estanho não ter comunicado em voz própria a decisão. Deu no Diário Oficial e pronto. A mídia não desconfia de nada, trata o assunto com a maior naturalidade. O que quer Moro? Esfriar o assunto The Intercept? Assistir de longe as novas denúncias? Sair de cena por uns dias? Saudade dos Estados Unidos? A grande mídia vai esquecendo de tudo, com o passar dos dias. Mas nós aqui continuamos atentos a:

Quem mandou matar Marielle?

Onde está o Queiroz?

Como aqueles 39 quilos de cocaína foram parar num avião da FAB?

O que o ministro Fux achou do tal In Fux We Trust?

O que o ministro Fachin achou do Uhu Aha, o Fachin é nosso?

AV

O BRASIL DOS ÚLTIMOS TEMPOS

O Brasil dos últimos tempos é um país que caminha parado. Um país que tropeça em duzentas notícias por dia, a maioria ruins, e vai seguindo, como se estivesse numa esteira de academia. Tudo passa como tem de passar, ou melhor, como tudo tende passar. Goiabeira, cadeirinha, tomada de três pinos, trabalho infantil, ministro dançando na chuva seca ou do cargo, 48 envelopes, golden shower. Os brasileiros não estão participando, estão assistindo, agora, divididos em três. Claro que existe uma reação brava e pungente da imprensa independente. Aquela que mostrou nas redes sociais a vaia ao mito. Mas existe uma massa enorme de brasileiros que apenas luta pela sobrevivência. Estamos num beco sem saída. Ando pelas ruas da cidade, entro em ônibus e metrôs. Tenho notado que, se a sinceridade reinasse, o próximo Datafolha revelaria que pelo 50% dos entrevistados não responderam ou disseram que não sabem. A luta pela sobrevivência, pelo emprego, pelo cobertor, está falando mais alto.

AV