ELEIÇÕES: POR 7 A 0, CRIVELLA JÁ ERA

Por sete votos a zero, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) decidiu, na tarde desta quinta-feira (24), tornar o prefeito do Rio, Marcelo Crivella, do Republicanos, inelegível por oito anos, por abuso de poder político e conduta vedada a agente público. Crivella foi condenado também a pagar uma multa no valor de 106 mil reais. Apesar da goleada, a defesa do prefeito diz que ele vai recorrer e garantiu que ele estará no páreo nas eleições de novembro. 

BOULOS CRESCE E APARECE EM SEGUNDO LUGAR NA PESQUISA DO EL PAÍS

Pesquisa realizada pelo instituto Atlas e publicada na manhã desta sexta-fera (11) no site do jornal El País, mostra o candidato do PSOL, Guilherme Boulos (Erundina vice), em segundo lugar nas eleições para prefeito de São Paulo. De acordo com a pesquisa, o atual prefeito Bruno Covas ainda está em primeiro, com menos de 4 pontos de diferença. O segundo lugar está embolado entre o eterno candidato Celso Russomano e Marcio França. Veja os números:

MP PUNE DELTAN COM CENSURA POR PREJUDICAR RENAN CALHEIROS

Não, ainda não foi desta vez que o procurador Deltan Dallagnol, ex-coordenador da Lava Jato, foi punido por interferir nas eleições presidenciais de 2018. Na tarde desta terça-feira, Deltan foi punido pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) por 9 a 1, por intervir nas eleições à presidência do Senado, num processo movido no ano passado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL). Renan alega que Deltan tentou interferir nas eleições prejudicando sua candidatura, o que seria uma forma de exercer atividade política, atuação proibida a membros do Ministério Público. A pena de censura é a segunda na escala de gravidade prevista na legislação do Ministério Público: advertência, censura, suspensão e demissão ou cassação da aposentadoria.

MUDANÇA DE OPINIÃO

Cara Ana Flor: Você acaba de dizer na GloboNews que se alguém está contra o presidente Bolsonaro estar dando uma ajuda aos mais necessitados, está contra o povo. Ora, em 2004, dizia-se exatamente o contrário quando o presidente Lula estava dando o Bolsa Família para os mais necessitados. Dizia-se que aquilo era uma bolsa-esmola e que, recebendo esse dinheiro, ninguém mais iria trabalhar. Você nunca disse que as pessoas não poderiam estar contra Lula. Você mudou de opinião?

[foto Reprodução GloboNews]

LARANJA

A coisa mais comum no Brasil é mandar prender e mandar soltar pessoas. Na noite de quinta-feira (13), o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Félix Fischer, revogou a prisão domiciliar do motorista e ex-assessor de Flávio Bolsonaro, o famoso Fabricio Queiroz, que vinha cumprindo prisão domiciliar juntamente com a mulher, Márcia Aguiar, que também vai voltar pra cadeia. Márcia é um caso a se estudar nas escolas de Direito. Foragida e procurada pela polícia, de repente, ganhou prisão domiciliar. Ela simplesmente voltou pra casa. Queiroz e Márcia devem voltar pra prisão amanhã, sexta-feira, mas até lá muita coisa pode acontecer.

 

 

 

FILME TRISTE

Quem se lembra daquela live do presidente Bolsonaro, ao lado da atriz Regina Duarte demitida, em frente ao Palácio da Alvorada. Quem se lembra da promessa do presidente da República em dar para ela o comando da Cinemateca de São Paulo? Pura balela. Depois que retomar o controle da Cinemateca, o governo federal anunciou nesta quinta-feira (13), a demissão de todos os 41 funcionários. A entidade informou simplesmente que não tem como pagar os funcionários. De nada adiantou as manifestações nos últimos dias em frente à entidade.

LITERATURA

“Ao longo de 18 anos, a curadoria da Flip jamais foi ocupada por uma pessoa negra. Passou da hora disso mudar. Por essa razão, decidi pedir demissão e declarar meu desejo de ceder esse espaço de privilégio de forma pública.” Foram com essas palavras que a editora Fernanda Diamant pediu demissão da curadoria da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip. Fernanda, que planejava ter a metade dos convidados da Flip deste ano de autoras e autores negros mostrou-se insatisfeita com a decisão da Flip, sem consultá-la, de marcar a festa literária para novembro. Com a chegada da pandemia, Fernanda disse, na época, que era ainda cedo para marcar uma nova data para feira, inicialmente marcada para começar no dia 29 de julho. 

 

VÍRUS

O governador de São Paulo, João Doria, informou, via Twitter, no início da tarde desta quarta-feira (12), que testou positivo para o coronavírus. Doria disse em sua mensagem: “Seguindo o princípio da total transparência com que temos lidado com a pandemia, informo que fui diagnosticado com Covid-19. Estou bem, sem sintomas. Seguirei trabalhando de casa, cumprindo as recomendações médicas de isolamento. Tenho fé em Deus que vou superar a doença”. Ele deve continuar trabalhando em casa e ficará em quarentena por duas semanas. Na madrugada de hoje, morreu no Hospital Regional de Santa Maria, no Distrito Federal, vítima do coronavírus, a vó de Michelle Bolsonaro, Maria Aparecida Firmo Ferreira. Ele tinha 80 anos e estava internado desde o dia primeiro de julho. 

KAMALA HARRIS

O candidato democrata às eleições americanas, Joe Biden, anunciou através das redes sociais na tarde desta terça-feira (11), que a senadora da Califórnia, Kamala Harris, será a candidata à vice em sua chapa. Política é assim. Quando todos esperavam o pronunciamento do presidente da República, Donald Trump, depois do anúncio da vacina russa Sputinik V, Biden resolveu roubar a cena anunciando uma senadora negra, atuante, popular, de pai jamaicano e mãe indiana, para ser sua vice. Só se fala nisso na América. 

A QUEDA DE HASSAN DIAB

Seis dias depois de uma explosão na zona portuária de Beirute que matou 160 pessoas e deixou 5.000 feridos e 300 mil desabrigados, o primeiro-ministro do Líbano, Hassan Diab, renunciou  no início da tarde desta segunda-feira (10), depois de dissolver todo o seu gabinete. Dois dias após a explosão, os libaneses saíram às ruas em protesto contra um governo ineficaz e corrupto. A polícia reagiu com violência mas o povo não desistiu, pressionou e Diab acabou sendo forçado a deixar o governo. “Eles tentaram jogar toda a responsabilidade neste gabinete. Este gabinete fez todo o esforço para traçar uma estratégia contra a corrupção, demos tudo de si para salvar esse país, porque queríamos um futuro melhor para os nossos filhos. Não temos interesses pessoais. Tudo o que queríamos era reconstruir esse país”, disse ele no discurso de despedida. O Líbano atravessa uma de suas maiores crises econômicas, agravada ainda mais com a pandemia. 

ELEIÇÕES 2020

Celso Amorim, ex-chanceler do governo Lula e filiado ao PT, acaba de fazer sua opção de voto para as eleições municipais marcadas para novembro. Aderiu à campanha de Guilherme Boulos para prefeito e Luiz Erundina, vice, ambos do PSOL. Ele justificou: “As próximas eleições terão significado nacional. Em São Paulo, a chapa Boulos-Erundina é a que melhor encarna as duas lutas essenciais do momento: a defesa da democracia e os resgate da soberania”. Amorim disse que foi uma decisão pessoal, sem consultas a outras lideranças do Partido dos Trabalhadores. [informação da coluna de Monica Bergamo, na Folha]

O VELHINHO DE TAQUARITINGA

Não há nada mais patético no “jornalismo” do que ouvir os comentários de Augusto Nunes na Rádio Jovem Pan. Depois de passar dez anos sendo pago para criticar o Partido dos Trabalhadores, sua missão agora é defender o governo Jair Bolsonaro, duela a quem duela. Na quinta-feira, Augusto Nunes se ajeitou na cadeira e teve coragem de dizer que era absurda a decisão do juiz Alexandre de Moraes em suspender a posse de Alexandre Ramagem, amigo íntimo do filho de Bolsonaro (acusado de inúmeras falcatruas), como diretor-geral da Polícia Federal. “Que crimes Ramagem cometeu?”, perguntou Nunes ajeitando-se novamente na cadeira. E argumentou: “Lula não nomeou o Palocci? o Zé Dirceu?”. Vocês já ouviram o presidente Bolsonaro elogiando Nunes em suas lives? Pois é, deu nisso. 

[foto Reprodução/Jovem Pan]

HORA DO PÂNICO

Quem acompanhou o noticiário na televisão durante toda a segunda-feira (9), chegou ao fim do dia acreditando piamente que o mundo estava acabando. Mas, na verdade, quem estava na UTI e respirando por aparelhos, era o capitalismo. Repórteres, apresentadores, comentaristas, analistas, especialistas tentavam entender o que estava acontecendo com a Bolsa, com o dólar, com a economia do mundo inteiro. Da janela da redação onde trabalho via, lá embaixo, alguns craqueiros sentados na calçada, outros dormindo, completamente alheios ao que se passava. A televisão estava voltada para um público especializado e em pânico. Qualquer analista diria que sou maluco em não me preocupar com o que estava acontecendo no mundo inteiro porque isso “mexe com o bolso de todos”. Me pergunto se mexe mesmo com a vida dos 26 mil moradores de rua de São Paulo que geralmente perambulam pela cidade vestindo shorts, sem bolso. Posso estar parecendo um radical meio idiota. Como não se preocupar com o que está acontecendo? Concordo em parte. O que precisa ser discutido é a falência do capitalismo, a ode ao consumo, a ganância pelo dinheiro. Sei que quando a Bolsa se acomodar, a vida continua. Os ricos vão continuar mais ricos e os pobres mais pobres. Mas estará tudo bem, alívio geral para os analistas. Enquanto falavam da crise no mercado mundial, no Municipal pessoas circulavam pelas bancas procurando um tomate mais barato, umas batatas em conta, uma dúzia de ovos pra fazer uma omelete já que a carne é fraca e anda muito cara. [AV]

[foto Reprodução Internet]

YES, NÓS TEMOS BANANAS!

Os jornalistas que cobrem o pitstop que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido e sem vergonha) faz todos os dias na porta do palácio onde mora, estão fazendo papel de palhaço. Todo dia ele chega sorridente, como se estivesse tudo bem com o país e com ele e, depois de fazer um agrado a seus fiéis, costuma xingar os repórteres, humilhá-los, desmoralizá-los e, às vezes, mandar uma banana. Os jornalistas estão fazendo o papel daquela velha expressão “mulher de malandro”, que apanha mas não larga o osso. Horas depois, a humilhação pública vira notícia nas telas dos sites de informação e, no dia seguinte, estão impressas nos jornais que ainda sobrevivem ao formato papel. Em janeiro de 1984, depois de sofrerem humilhações do então presidente João Baptista Figueiredo – grosso como Bolsonaro – os repórteres fotográficos que cobriam política em Brasília, resolveram fazer um protesto. Quando o último presidente militar daqueles tempos tristes começou a descer a rampa do Planalto, todos colocaram suas câmeras no chão e a apenas um, o J.França, foi escalado para registrar o protesto. A fotografia entrou para a história com registro na primeira página da Folha de S.Paulo. Até quando, em pleno 2020, repórteres vão continuar fazendo papel de palhaço?

[fotos Reprodução]

NOVE HORAS DA MANHÃ

Da janela do ônibus Ipiranga, vi apenas os dois pés. O corpo, incluso cabeça, estava coberto por um tecido grosso que, assim do alto e de longe, mais parecia um papelão, mas era tecido. Aparecia apenas os pés, sujos, maltratados, calejados. Estava ali exposto no chão, debaixo do Viaduto Presidente João Goulart, aquele que foi deposto para evitar o comunismo, para criar um país novo, que iria um dia pra frente, Brasil. As pessoas que passam desviam do morador de rua ali deitado, como desviam de uma pedra. Nem olham. O ônibus está parado esperando o sinal abrir e ninguém olha para o homem dos pés. Qual é o seu nome? O número do seu CPF? O que foi na vida? O que é hoje? Aflito, espero o sinal abrir e chegar em casa a tempo de ver o telejornal que vai falar de bilhões que o governo vai economizar em dez anos. Vai dar a cotação do dólar, do temporal que desabou no Rio hoje, ontem em Brasília. Mas não vai falar dele, um homem que se resume em dois pés sujos ali expostos a visitação pública. E ninguém vê.

[foto Alberto Villas]

Oplakivanje Krista, Andrea Mantegna (detalhe)

[cerca de 1475]