PATRIA ARMADA

O segurança de um supermercado sufoca um negro e mata

Solddos do Exército dão 80 tiros num músico negro e matam

O segurança de uma lanchonete persegue um menino e mata

O segurança de um banco atira num idoso e mata

Assim caminha o Brasil de Bolsonaro.

Para refrescar a memória, a revista Veja de abril de 2011, marchetou em sua capa: “A proibição vai desarmar a população e fortalecer o arsenal dos bandidos”. Só não sabíamos que os bandidos estão trabalhando para supermercados, lanchonetes, bancos e para o Exército.

AV

[foto Reprodução]

QUEM TEM MEDO DE LULA?

Nunca antes na História deste país, aconteceu coisa igual. Já são quase dez anos que Luiz Inácio Lula da Silva deixou o poder e ele ainda tem a força de assustar. Quem? A Rede Globo de Televisão, a Record TV, a classe política conservadora e de direita e o público coxinha em geral. Preso há 402 dias em Curitiba, sem provas, apenas com o “tudo leva a crer”, Lula tem o poder que muitos presidentes não tem ou nunca tiveram. Os poderosos morrem de medo de suas ideias e, para eles, o melhor é deixar que ele acabe de envelhecer preso. Mas, mesmo atrás das grades, o medo é grande. As duas maiores redes de televisão que, um dia, transformaram um barquinho de alumínio de 4 mil reais em uma grande novela das oito, mesmo não sendo furo delas e sim da Folha de S.Paulo, resolveram calar-se diante de uma entrevista que o ex-presidente deu em Curitiba para os jornalistas Monica Bergamo, da Folha, e Florestan Fernandes Junior, do El País. O mesmo aconteceu com a entrevista divulgada agora pela BBC News. A ordem da direção é o silêncio. E os responsáveis pelos telejornais engolem em seco. Ninguém quer perder o emprego ou bater de frente com o chefão, aquele que tem a caneta da demissão na mão. Enquanto isso, Lula continua fazendo História, mesmo dentro de poucos metros quadrados. Enquanto os políticos que estão livres, correm de um lado pro outro acreditando que, desta maneia, o Titanic não vai a pique.

[AV]

foto Reprodução/BBC World News

O BLEFE

Essa manchete acima não é de hoje, é de maio de 2017, quando João Doria ainda estava fresco na prefeitura de São Paulo. Novo na política, ele acreditava em canetadas. Bastava assinar um ato, os seus problemas acabaram. Foi assim que, em poucos dias como prefeito, ele achou que era fácil acabar com um dos maiores problemas sociais de São Paulo, a Cracolândia. Com uma canetada, fez o desmanche total da política de seu antecessor Fernando Haddad. Achou que aquela política, inspirada no modelo holandês era coisa de comunista e mandou a polícia, juntamente com a Limpeza Pública, expulsar os craqueiros do centro da cidade na marra, na força e na violência, além de jatos d’água fria. Como zumbis, eles se espalharam pela cidade e o problema ficou ainda maior. Quem anda pelas ruas de Higienópolis, por exemplo, dificilmente não vai trombar com um desses craqueiros, que precisam de tratamento, de ajuda, e não de cassetadas e água fria. O prefeito prometeu, como diz a manchete acima, e não cumpriu. Abandonou a prefeitura quando viu a chance de ser governador. Foi eleito, todos sabem, porque convenceu os eleitores que o perigo era Marcio França, vice de Geraldo Alckmim. Na TV, ele martelava que França era vermelho, comunista, quase comedor de criancinhas. O povo acreditou e transformou Doria em governador. Os problemas de São Paulo continuam vazando pelo ladrão e a preocupação maior de Doria hoje, é 2022, quando ele vai tentar convencer o eleitorado que ele é a solução para por ordem nesse circo chamado Brasil. Mas ele me faz lembrar aquele palhaço, cujo sonho é ver o circo pegar fogo. Um palhaço chamado blefe.

AV