AS APARÊNCIAS ENGANAM

Quem viu a bela capa da revista americana Sports Illustrated e bateu os olhos na edição de abril da revista Placar, vai logo lembrar de Antoine Lavoisier que, um dia, disse que nesse mundo nada se perde, tudo se aproveita. Ledo engano. A Placar, que vem se destacando por um texto enxuto e luxuoso, fez sua capa inspirada mesmo na SI e avisa a seus leitores a homenagem. A revista, que já passou por várias fases desde sua criação em 1970, ano do Tri, atualmente tem uma tiragem modesta, mas se você tiver a sorte de conseguir comprar um número vai se surpreender com o conteúdo. Leitura recomendada nesses tempos de confinamento.

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PERDEU, PLAYBOY!

A revista Playboy americana, mãe de todas as Playboys, pioneira em exibir fotos de mulheres peladas e um bom conteúdo para contrabalançar, acaba de anunciar sua morte. Criada em 1966 pelo magnata Hugh Hefner, morto em 2017, veio perdendo terreno para a Internet desde então. Aquela que estreou nas bancas mostrando Marlyn Monroe (ainda vestida) na capa, acaba sinalizando o fim da idade do papel. 

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REUNIÃO DE PAUTA

Fico aqui imaginando a reunião de pauta dos jornalistas da Time, revista semanal de informação americana, quando decidiram reunir cem mulheres célebres e que foram capa nessas tantas décadas de existência da revista. Uma escolha feita à dedo e o resultado está nas bancas de vários países do mundo. Como se não bastasse a escolha, o perfil de cada uma dessas mulheres, alguém teve a ideia de pedir a designers para refazerem cada capa, mantendo apenas o logotipo da revista na época em que foi publicada. Imagine quanto custou tudo isso, mas a revista bancou e foi em frente. O resultado enche de orgulho aqueles que ainda acreditam em uma boa pauta, em uma revista de papel.

A CAPA DE HOJE

As revistas encartadas nos jornais de fim de semana deixaram de vez de ser apenas um suplemento, um bônus, para ganhar uma importância jornalística. É o caso da prestigiosa The New York Times Magazine, da M (do jornal Le Monde), a Il Venerdì (do jornal italiano La Repubblica) e a espanhola El País Semanal. A edição da revista do El País chegou às bancas no domingo, primeiro de março, com uma capa surpreendente: “Últimas notícias sobre o clítoris”, com ilustração de Maria Hesse. 

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CENA DE CINEMA

Um mês após ser comprada por um grupo de acionistas, os quinze jornalistas da lendária revista francesa Cahiers du Cinema, inclusive a editora-chefe Stéphane Delorme, se reuniram no centro da redação para anunciar aos novos proprietários que estavam se demitindo em massa. Não sobrou um. A redação da Cahiers remou contra a maré, mostrando sua força e independência. Normalmente, revistas e jornais passam de mãos em mãos e seus funcionários estão sempre dispostos a fazer o que o seu mestre mandar. 

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AGORA, FALANDO SÉRIO!

O título da reportagem sobre a live de Jair Bolsonaro, publicado na edição desta sexta-feira (28) na Folha de S.Paulo, pisa em ovos. Na verdade, o mais forte das bobagens que falou na noite de quinta-feira foi atacar os jornalistas, destruir a Folha de S.Paulo, a revista Época e a TV Globo principalmente, além de dizer que vai aconselhar os seus ministros a dar entrevistas à CNN Brasil (que ele não lembrou o nome na hora) e não à Globo que, segundo ele, é sensacionalista, canalha e mentirosa. Agora, falando sério: os jornais estão com medo do presidente de ultra-direita. 

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JÉSSICA ELLEN

Um belo dia, o jornal O Globo decidiu acabar com a sua Revista para dar lugar a Ela, também uma revista, mas com possibilidades maiores de captar anúncios. Ela é uma mistura de revista feminina, de moda, de serviço, de mil pequenas dicas que dão a ela uma cara quase de catálogo. Comercialmente, parece que funcionou. De tempos em tempos Ela, a revista, publica um bom perfil na capa. Pena que sempre ligado à moda, o que nos leva à conclusão de que só vale perfil de gente, digamos, com um perfil mais ou menos de modelo. Na última edição, a atriz e cantora Jéssica Ellen ganhou a sua primeira capa, não apenas na Ela, mas a primeira capa numa revista. Jéssica, a professora de História Camila na novela Amor de Mãe, é filha adotada (na novela) de Lurdes, interpretada por Regina Casé. Ambas, duas atrizes extraordinárias. A história de Jéssica está bem contada, na linha do tempo, com informações novas. A atriz já tem um disco gravado, fato que pouquíssimas pessoas sabiam. O CD Sankofa está no Spotify para quem quiser ouvir. Um bom disco, uma surpresa de voz e, inclusive, com canções próprias.

Apesar do perfil não dar muitos detalhes sobre o disco, conta também – en passant – que o seu livro de cabeceira é “Um Defeito de Cor”, cuja capas (CD e Livro)  publicamos aqui.

Jéssica é elogiada pela autora da novela, Manuela Dias, e também por sua parceira em Amor de Mãe, a competentíssima Regina Casé:

A mistura do perfil com fotos de um editorial de moda é que atrapalha. Jéssica é uma mulher linda, uma atriz competente, com uma personalidade forte. Não precisava ganhar sua primeira capa com legendas do tipo “Jéssica usa top Argaliji, calça Le Lis Blanc, brincos Sara Joias e anel Sauer”. É o tal departamento comercial que agora trabalha na mesma sala da redação. O resultado é meio esquisito para quem procura apenas jornalismo.   

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