OS CLICKS

Era uma era que não havia celular para fotografar. A novidade era a Polaroid, aquela máquina que você clica e, em segundos, a foto começa a sair de dentro da máquina. Foi com uma Polaroid que Linda McCartney, nos anos 1970, casada com Paul McCartney, fotografou o cotidiano da família. O resultado é um livrinho luxuoso da Taschen, reunindo essas preciosidades. A edição italiana da revista Rolling Stone publicou algumas dessas fotografias. Veja abaixo. Em tempo: Linda morreu de câncer, aos 56 anos, em 1998. 

[fotos Linda McCartney/Reprodução]

MULHER DE MALANDRO

Um relatório da Federação Nacional dos Jornalistas(FENAJ) divulgado recentemente, mostrou que o presidente Jair Bolsonaro, em um ano e um mês de mandato, já desmoralizou, xingou, humilhou e chacoteou os jornalistas mais de cem vezes. Tudo isso, praticamente num só lugar: no gradil que cerca o Palácio da Alvorada, onde eles se apertam toda manhã, ao lado de fiéis seguidores do presidente de ultra-direita. Os jornalistas estão fazendo o papel daquela velha história, hoje quase proibida, da mulher de malandro. Que apanha, apanha, apanha do marido mas não o larga. Quando Bolsonaro disse que jornalista é uma raça em extinção, que jornalista mente, quando respondeu a um dizendo “é a sua mãe”, a outro que “você tem uma cara terrivelmente de gay”, era para os jornalistas ali presentes terem dado um basta e voltado para as redações, deixado aquele gradil para sempre. Mas não. Eles insistem. Mesmo com o presidente fazendo chacota dizendo que não ia mais dar entrevistas a eles ali, os funcionários da imprensa voltaram no dia seguinte, como carneirinhos. Todos sabem que aquela participação matinal do presidente ali é uma jogada de marketing. A bobagem que ele fala logo cedo repercute durante todo o dia. Se eles não aparecessem mais ali na porta do Alvorada, em protesto, aquele pitstop do presidente não duraria mais que uma semana. Mas ai, pobres jornalistas que cobrem o presidente, ficariam sem pauta. Vale lembrar aquele protestos dos repórteres fotográficos, no início do anos 1980, quando colocaram as suas máquinas no chão e não fotografaram o presidente João Figueiredo, o último presidente da ditadura militar, em protesto contra as agressões do presidente. O combinado é que apenas um registrasse a foto para a história. Parece que os jornalistas tinham mais peito na ditadura do que agora, nessa coisa que ninguém explica o que é. 

[fotos Internet]

GOL DE PLACAR

Lançada poucos meses antes da inesquecível Copa do Mundo no México, em 1970, a revista Placar, editada pela Abril, fez muito sucesso rapidamente. Semanal, ágil e com uma equipe de primeira, Placar chegava às bancas na terça-feira cedo, sempre cheia de novidades. Cobria basicamente o futebol, mas não apenas o jogo e o resultado final. Fez denúncias sérias como a máfia da loteria, que acabou provocando um auê no país do futebol. Placar era simples e objetiva e veio cobrir uma lacuna nas bancas de revistas, que tinha apenas a Gazeta Esportiva em São Paulo e o Jornal dos Sports no Rio. E muito outrora, a Revista do Esporte, companheira da Revista do Rádio. O leitor-torcedor agora tinha nas mãos uma revista de primeira qualidade feita com empolgação de uma galera. Estou falando de uma área do campo de futebol, onde os ingressos custavam mais barato. A Copa passou, o tempo passou e a Placar lutando para sobreviver. Entrou em depressão, passou por várias tentativas de sobrevida, mudou formato, papel e linha editorial, mas nunca conseguiu voltar a ser o que era. Está chegando às bancas, um número especial comemorando os seus 50 anos, para colecionador. Vale a pena ver de novo o que foi a Placar no mundo do jornalismo esportivo e recordar seus bons momentos. Lendo o artigo do jornalista Carlos Maranhão mostrando como funcionava a redação você vai entender. 

[foto Reprodução]

DE CARA NOVA

Revistas francesas mudam constantemente de lay-out, o que não acontece por aqui. Esta semana foi a semanal de informação L’Express. O assunto de capa é bom: uma nova droga, um novo vício chamado Netflix.

[foto Reprodução]

UMA NOVA ÉPOCA

A revista semanal Época, publicada pela Editora Globo, começa o ano fiel à sua nova linha. Na semana em que o mundo inteiro tremeu de medo de uma nova guerra, quando esquentou o clima entre americanos e iranianos, a primeira Época do ano colocou na capa o assunto “a vida sem álcool”. Esqueça aquela velha newsmagazine. A Época é outra, uma revista de reportagem. 

[foto Reprodução]

REPORTAGEM

A revista Il Venerdì que chegou às bancas da Itália nesta sexta-feira encartada no jornal La Repubblica, mostra claramente que a reportagem não morreu. Para lembrar os cinco anos do atentado que tirou a vida da redação praticamente inteira do tabloide satirico francês Charlie  Hebdo, a revista fez uma grande reportagem. Entrevistou um dos poucos jornalistas que sobreviveu – Philippe Lançon, autor do livro Le Lambeau, que conta passo a passo como foi a tragédia – e mostra como está a vida da redação hoje, cinco anos depois. Reportagem completa, de dar gosto de ler. Abaixo, a reprodução das seis páginas que a revista dedicou ao assunto.

[fotos Reprodução]

 

M INTERNACIONAL

M, a revista semanal de fim de semana do jornal francês Le Monde, é um sucesso desde o seu lançamento, há alguns anos. Robusta, diferente, cheia de bossa, a M duplicou a venda do diário às sextas-feiras, quando circula juntamente com o jornal. Agora, o Monde está anunciando a edição internacional da M. Quando a gente acha que as revistas estão morrendo no Brasil, a 10 mil quilômetros daqui tem uma nascendo, pesada, forte, saudável. 

[foto Reprodução]

MUDANÇA DE HÁBITO

Todo fim de ano, as revistas semanais geralmente fazem tudo igual. A última edição de dezembro, pra fechar os 365 dias que passaram, é sempre a já tradicional retrospectiva, apontando o que aconteceu de importante no Brasil e no mundo, as frases do ano, quem brilhou, quem morreu. Há três anos, a revista Carta Capital rompeu com a tradição e tem publicado números excepcionais para se despedir do ano velho.

Publicou um número especial de fim de ano neste fim de 2019, na verdade, deu de presente aos seus leitores um número excepcional sem citar uma única só vez o nome do presidente da República. Textos de Dilma Rousseff, Celso Amorim, Juca Kfouri, Jotabê Medeiros, Anita Prestes, deste que vos escreve e muitos outros. No mesmo dia, chegou às bancas a revista Época com um número totalmente fora do padrão. Já faz um tempo que a revista semanal da Editora Globo rompeu o padrão tradicional de uma semanal de informação. Tornou-se uma revista de reportagem, que passou a ser encartada junto ao jornal O Globo e agora voltou à carreira solo. A Época reuniu textos de 23 escritores, a maioria dessa turma nova da escrita e chegou às bancas com uma edição literária, remando contra a maré dos jornais que, nessa época do ano, encolhe suas edições, apostando que ninguém lê entre 23 de dezembro e 2 de janeiro. Vale a penas correr até uma banca para se deleitar com os textos de Gaia Passarelli, Simone Campos, Rodrigo Lacerda, Letícia Novaes e tantos outros bambas. Literatura pura, da primeira à última página. Você vai perceber que, como disse o editor-chefe na apresentação, valeu a pena tirar férias de notícias. 

[fotos Reprodução]

 

ABISMO

Duas revistas começaram a circular no mesmo dia, nesses primeiros momentos do ano novo. Aqui, a Veja surgiu nas bancas com uma reportagem mostrando quem são os brasileiros de 20 anos que têm chances de brilhar na década de 20. Longe daqui, a revista francesa L’Humanité Dimanche chegou às bancas com uma reportagem mostrando o que é ter 20 anos em 2020. A pauta da HD é bem mais pé no chão e mostra a realidade de quem tem 20 anos hoje, em que mundo vivem e o que viverão no futuro. Suas angústias, suas esperanças, seus medos, sua luta por um mundo melhor. Não apenas no quesito sucesso, pé no chão mesmo. Resumindo: A reportagem da l”Humanité Dimanche ficou mais interessante.

[fotos Reprodução]

ANO NOVO

Nesse final de ano repleto de retrospectivas e mais retrospectivas, destacamos três boas pautas. A revista Robinson, do jornal italiano La Repubblica, tenta entender como será o mundo entre 2020 e 2050. O jornal francês Libération mostra ideias, das mais simples às mais loucas, para salvar o Planeta Terra e, por fim, a semanal inglesa The Guardian Weekly mostra o ano novo, que já chegou rugindo. 

[fotos Reprodução]

CARREIRA SOLO

Quando a Editora Abril lançou a Veja São Paulo (logo apelidada de Vejinha) revista Veja estava em muito boa forma. Na verdade, no Brasil, a ideia original de ter uma revista da cidade vendida junto com a nave mãe, é da Isto É, que lançou antes da Veja São Paulo, a Isto É Sampa, de curta duração. A Vejinha foi crescendo, crescendo e, de repente, ficou maior do que a revista principal. O sucesso foi tanto que foram surgindo outros filhotes: Veja Rio, Veja Brasilia, Veja BH, Veja Nordeste, Veja Litoral. Muitas vezes a direção pensou em uma carreira solo pra Vejinha, mas preocupada em desfalcar a principal, espantando assinantes e leitores de banca, a ideia foi esquecida. Com a crise da imprensa escrita, de papel, sobrou apenas a Veja São Paulo, hoje magrinha, bem menor que a Veja. As outras foram desaparecendo uma a uma. A partir dessa semana, os novos donos da Vejona resolveram fazer uma experiência. A Vejinha, que continua no pacote da Vejona, agora pode ser vendida separadamente, ao preço de 9.90 reais. Não é fácil entender o que passa na cabeça da direção. O objetivo é vender a revista da cidade para aqueles que não suportam mais a Vejona? Uma experiência que, na verdade, eles não têm nada a perder. Se vender bem, se não vender amém. Aguardemos as próximas semanas.

[foto Reprodução]

BURRICE

Em 2013, a revista Veja chegou às bancas com uma pergunta na capa: “O PT deixou o Brasil mais burro?” A revista dizia que “o obscurantismo oficial condena o inglês, quer tirar a liberdade das universidades e mandar na cultura”. Vivíamos em plena era da inclusão social, da liberdade nas universidades, do acesso dos menos favorecidos às faculdades. Com isso, apenas confirmamos aquele velho ditado; “Veja mente”. Ai veio o golpe em 2016, veio Michel Temer presidente, ai chegamos ao fundo do poço com um governo de extrema-direita. E a revista IstoÉ, conhecida também por IstoEra ou QuantoÉ, afirmar em sua capa desta semana que estamos vivendo “a vez da ignorância”. Tanto Veja quanto Isto é foram duas inimigas ferozes do governo do Partido dos Trabalhadores. Hoje, vivem sem o PT no poder, mas vivem uma agonia.  

A MORTE ANUNCIADA

Mais uma. A revista mensal de cultura Galileu, publicada pela Editora Globo, anunciou o seu fim. Nascida em 1981 com Globo Ciência, mostrando na capa os insetos robôs, que só agora começam a entrar em ação em grandes tragédias como desabamentos, a revista durante todos esses anos contou capítulos importantes da ciência, da tecnologia, do comportamento. Em 1998, a Globo Ciência mudou de nome, passando a se chamar Galileu. Ampliou o seu horizonte e o número de leitores, dando mais ênfase ao comportamento e aos tempos modernos. Tornou-se a concorrente número 1 da revista Superinteressante, publicada pela Editora Abril, líder do segmento e um grande sucesso editorial. Durante todos esses anos, a Galileu passou por vários projetos gráficos e editoriais, sempre cumprindo muito bem o seu papel. Esta semana, foi anunciada a sua morte, como a de tantas outras revistas nos últimos tempos. A partir de dezembro, as bancas ficam ainda mais tristes, mais vazias e mais pobres de cultura. O lugar onde ficava exposta a Galileu, certamente será preenchido por um caixa de chicletes, um bichinho de pelúcia, um enfeite qualquer ou cartões pré-pagos da Tim, da Claro, da Oi ou da Vivo. Uma pena. 

[foto Reprodução]

É ENGANAÇÃO SÓ

Outrora, o jornal Folha de S.Paulo já teve uma bela revista de fim de semana. Não que dê para comparar com a The New York Times Magazine, a El País Semanal, a Il Venerdì (do jornal italiano La Repubblica) ou a M (do jornal francês Le Monde). Isso para citar apenas algumas. Mas a São Paulo se esforçava para ser uma revista de serviço, com a cara da maior cidade da América do Sul. 

Desde que o Departamento Comercial, que funcionava nos grandes jornais, em outro andar, passou a funcionar aparentemente com mesas ao lado dos jornalistas, a coisa mudou. A São Paulo, da Folha, por exemplo, começou a publicar números temáticos, descaradamente vinculados ao Departamento Comercial. Especial Páscoa, Especial Natal, Especial Dia da Mães, Especial Dia dos Pais, Especial Dia das Crianças, Especial Reformas, Especial Bares e Restaurantes, Especial Casa foram alguns números publicados em sua fase terminal. 

Esses números, quando saiam, fugiam completamente do projeto original de revista de fim de semana da cidade. Eram praticamente preenchidos por publicidades afins, colhidas pelo Departamento Comercial. Até que a revista foi minguando e saindo à francesa, sem dar satisfação ao leitor. Tipo “não vamos dar explicações a eles, quem sabe os leitores nem sintam o seu desaparecimento?”

E assim foi. Não somente a São Paulo, mas também a Serafina, mensal, foi sumindo, sumindo e sumiu.

Mas eis que de repente, o leitor neste domingo (24), foi brindado com uma São Paulo, teoricamente “a revista da Folha”. Sim, está escrito na capa. “É luxo só” é a manchete   de uma revista/catálogo totalmente desfigurada, nada a ver com uma revista de serviço da cidade. E chegou assim, como disse acima, de repente, e vai sumir da mesma maneira. É o tal “Especial Fim de Ano”, que nem número tem.

Uma pena. Com esses números periódicos e irregulares, a Folha de S.Paulo não está cativando ou ganhando leitores. Apenas dinheiro, porque, jornalisticamente, a revista não vale praticamente nada. Só nos resta agora esperar o número “Especial Férias”. Com certeza, ele vem ai.