VEJO E GOSTO

Nunca tinha visto o jornal Em Ponto, da GloboNews, que começa tão cedo. Nesses tempos de coronavírus tenho visto todos os dias. Gosto. São as primeiras notícias do dia. Com o Burnier em casa, em sua quarentena, Julia Duailibi, é quem está segurando o rojão. No final dos anos 1990, todos os telejornais de fim de noite, anunciavam as manchetes dos dias seguintes, em arte simples apenas mostrando a manchete principal. Desde o ano passado, uma das primeiras coisas que faço no dia é o Diário de Noticias pro Nocaute, blog do Fernando Morais. Faço um pequeno raio-X dos principais jornais do país e dou dicas que pesco na imprensa internacional. Agora, vendo o Em Ponto, acompanho todos os dias a Julia mostrando as primeiras páginas dos jornais. Com a tecnologia que é outra, ela vai mostrando no telão as primeiras páginas dos jornais, apenas as primeiras páginas, e fazendo pequenos comentários. Acho simpático. 

[foto Reprodução/GloboNews]

VI E ESTRANHEI

A GloboNews levantou a vida parlamentar do atual ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, mas esqueceu de dizer que ele foi um dos parlamentares que contribuiu com o golpe, votando pelo impeachment de Dilma Rousseff, eleita democraticamente.

[fotos Reprodução GloboNews/Internet]

CAIU DO CAVALO

Se alguém esperava uma Roda Viva bombástica com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado,  na noite de segunda-feira (6) na tela da TV Cultura, caiu do cavalo. Fiel escudeiro do presidente sem partido, Caiado teoricamente rompeu com Jair Bolsonaro na noite em que ele apareceu na televisão em rede nacional convocando o povo a ir às ruas contra o coronavírus. Foi a chance que a TV Cultura achou para sentar alguém virtualmente no centro da roda viva e descascar o abacaxi contra o presidente da República, favorecendo a situação do governador de São Paulo, João Doria, cada vez mais candidatíssimo para 2022. Mas não foi nada disso que vimos. Os entrevistadores até que tentaram colocar fogo na fogueira, mas o que se viu foi uma fumacinha subindo. Caiado mudou o tom e não estava ali pra briga, foi um Caiado paz e amor, do princípio ao fim. O lema era “agora é tempo de unirmos forças”, “nada de brigas, de intrigas”. Aproveitou a oportunidade para falar bem do seu governo e mal do Partido dos Trabalhadores. Chegou a dizer que o “PTvírus foi tão ruim para o Brasil quanto o corona”. Até mesmo a apresentadora Vera Magalhães, anti-petista de carteirinha, roxa, mudou de assunto. Mas não teve jeito. Caiado, com aquela cara entre ironia e bobalhão, respondia não dando deixa para briga. Quando mudaram de assunto e perguntaram pelo amianto que ele liberou em Goiás, argumentou que quando sobrevoamos São Paulo, podemos ver centenas de casa cobertas com amianto. Se matasse, a cidade toda já tinha morrido de câncer”. E o programa acabou. 

[foto Reprodução TV Cultura]

VEJO E GOSTO

Nessas noites dentro de casa, vejo e gosto do programa Que história é essa, Porchat? no GNT. As histórias de anônimos são sempre as melhores. Como eram aqueles anônimos do Me Leva Brasil e do Retrato Falado, apresentados pelo repórter Mauricio Kubrusly e pela atriz Denise Fraga, no Fantástico. Outro dia, foi a carioca contando que estava fazendo uma receita e quando leu “sal à gosto” foi pro supermercado comprar o tal sal agosto. De rolar de rir. Fabio Porchat é um craque na hora de contar e ouvir histórias. É um momento em que a gente até esquece o coronavírus por alguns minutos. 

[foto Reprodução GNT]

SESSÃO DA TARDE

A entrevista coletiva do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, agora acompanhado de alguns ministros para que sua estrela solitária não brilhe tanto assim, virou quase um programa de televisão ao cair da tarde. Mandetta, vaidoso, fica olhando para o monitor instalado em frente para saber se está bem na fita. Mas isso não é nada. Mandetta está tornando-se um grande especialista em não responder o que os jornalistas perguntam. Se são diretos, ele sempre vem com uma conversa mole, daquelas pra boi dormir. Fala, fala, fala e a gente até esquece o que foi perguntado. Gostaria de sugerir aos jornalistas que, assim que chamassem a próxima pergunta, eles dissessem: “Eu gostaria de fazer a mesma pergunta que o jornalista fez antes de mim e o senhor não respondeu”.

LAR, DOCE LAR

Hoje temos a segunda leva de repórteres em home office e seus livros nas estantes. Captamos “Gênesis” na prateleira do comentarista Ricardo Amorim, o livro “História da Feiura” na casa da Cecília Malan, em Londres, “Asad – The Struggle for the Middle East” na casa de Guga Chacra, em Nova York e “Radical Chic” chez Leilane Neubarth. 

[fotos Reprodução GloboNews]

GABRIELA, CRAVO E CANELA

A primeira sacudida na redação da CNN Brasil, em 15 dias de vida, foi a revolta da comentarista e advogada Gabriela Prioli, atração do quatro #grandedebate, todas as manhãs. Ela pediu demissão, situação confusa porque horas depois, a CNN tentou reverter a situação e informou que ela “pediu para sair do programa”. Ainda não se sabe se ela fica ou vai embora da emissora. Se ficar, não vai ser mais no debate. Gabriela brilhou e chamou atenção desde o primeiro momento, quando estreou jantando (esse foi o termo usado por todos nas redes sociais) o bolsonarista Caio Coppola, que se afastou do programa alegando problemas de saúde. O direitista Tomé Abduch substituiu Coppola e também foi jantado por ela. No meio do debate, o apresentador Reinaldo Gottino, meio atônito com o “bate-boca”, tentava colocar panos quentes e, assim que Gabriela pediu demissão, veio a público se desculpar com ela, pedindo perdão pela falta de educação para com ela, em alguns momentos. “Eu digo a vocês, de forma reiterada, para se posicionarem, serem firmes e não cederem diante de comportamentos que vocês considerem inadequados. Se agora, quando a vida demanda isso de mim, eu agisse de outra forma, estaria sendo hipócrita”, postou Gabriela nas redes sociais. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.  

 

 

LUTA LIVRE

Realmente não é fácil entender o Brasil. Quem imaginaria que cinco anos depois do massacre que a Rede Globo e a revista Veja promoveram contra os governos petistas, um presidente da República de extrema direita estaria, praticamente em rede nacional, fazendo acusações contra a emissora de televisão e a maior revista semanal de informação? O slogan “Veja mente”, criado pela esquerda, agora é palavra de ordem da ultra-direita. E aquele velho slogan “o povo não é bobo, fora Rede Globo” que petistas bradavam nas manifestações, agora é dito pelo presidente que tem um pé na fascismo. Na tarde de quarta-feira (18), o presidente Jair Bolsonaro, que tentou mostrar seriedade ao lado de alguns mascarados do seu governo durante  a coletiva, não conseguiu manter a linha combinada previamente com seus fiéis ministros e, quando viu uma chance, caiu de pau em cima da emissora de televisão e da revista semanal. Fez acusações absurdas dizendo que “a Globo mostrou o panelaço contra o presidente da República, mas não anunciou que iria ter um panelaço a favor de Bolsonaro às nove horas da noite”. A Rede Gobo, que fez ampla cobertura dos panelaços contra a presidenta Dilma, nunca os anunciou antes. De noite, veio o troco. Durante cinco minutos, o Jornal Nacional mostrou imagens do grande panelaço da noite de quarta-feira, apontando bairro por bairro, sem pressa. E ainda mostrou um outro panelaço à tarde, enquanto o presidente falava na TV tentando se ajeitar com a máscara. Para não dizer que não falou do panelaço pró-Bolsonaro, fez questão de mostrar direitistas batendo panela, “em menor número”, segundo William Bonner. Para finalizar, duas coisas que não podíamos deixar de registrar. Primeiro, o som de “olê olê olá Lula lá Lula lá” que vazou durante uma das reportagens feitas de Brasília no JN e, segundo, o momento em que, durante a coletiva da tarde, a repórter do mesmo JN, Delis Ortiz, pediu desculpas ao presidente pela pergunta que iria fazer. Pergunta que certamente não foi ela quem pensou. [AV]

[foto Reprodução TV Globo]

GABRIELA CRAVO E CANELA

A primeira grande novidade na recém-inaugurada CNN Brasil chama-se Gabriela Prioli. A comentarista política do novo canal é mestre em direito penal, professora da pós-graduação em direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo e especialista em política de drogas. Quer dizer, entende do governo Bolsonaro. A sua estréia foi ao lado de Caio Coppola, que saiu cabisbaixo do #grandedebate. Enquanto Coppola, direitista de carteirinha, tentava defender o presidente Jair Bolsonaro (sem partido e sem vergonha), Gabriela dava um show de conhecimento, argumentos e provas, enquanto o outro comentarista, a seu lado, ficava a ver navios. A CNN deu uma bola dentro se diferenciando durante alguns minutos da sua mais forte concorrente, a GloboNews, onde todos os comentaristas pensam da mesma maneira, onde não há confronto de opiniões, estão todos do mesmo lado. À direita. [AV]

 

A PERGUNTA QUE NINGUÉM FAZ

O governador de São Paulo, aquele que poucos dias depois de assumir a prefeitura da maior cidade da América do Sul, colocou a polícia em ação e bradou em rede nacional que “a Cracolândia acabou!”, tem aparecido diariamente em todos os canais de televisão. Candidatíssimo às eleições presidenciais de 2022, ele surge sempre engomadinho, nem um fio de cabelo fora do lugar, gravata caríssima, sapato de couro alemão, camisa engomada e botox devidamente checado em todos os cantos da cara de pau. Ele tem dois objetivos: primeiro mostrar que São Paulo é uma Suíça onde tudo funciona e tudo é muito bem pensado e administrado. Segundo, que ele é o contrário do atual “presidente” da República. O sapato Tody’s não tem nada a ver com o chinelo Rider de Bolsonaro. Sua camisa fabriqué en France, não tem nada a ver com a camisa do Palmeiras fabricada no Brás, do “presidente” Bolsonaro, mais conhecido como Bozo. Doria dá lição de bons costumes, sempre enfatizando que o certo é ele. Nesta segunda-feira (16) foi a vez do governador aparecer pela primeira vez na recém-inaugurada CNN Brasil, para uma entrevista exclusiva à Monalisa Perrone e Daniela Lima. As duas fizeram perguntas bem pertinentes, inclusive pegando o governador meio de surpresa ao comunicar a ele as rebeliões em quatro presídios da Baixada Santista que estavam acontecendo naquele momento. Doria, conhecido também como Doriana, fingiu que estava a par de tudo, mas se atrapalhou um pouco, teimando que era apenas em uma prisão, já controlada. Doria tem solução para tudo e seu rosto não mexe uma ruga botocada quando diz uma mentira. Fica aqui uma sugestão: o primeiro jornalista a entrevistar Doria, deveria perguntar a ele, qual é o plano do seu governo para enfrentar o problema do coronavírus que pode atingir os 26 mil moradores de rua que ele espalhou pela cidade depois de decretar o fim da Cracolândia. A maioria desses moradores tem mais de 60 anos e estão correndo risco. Ontem, no programa Estúdio i, na GloboNews, Cesar Tralli tocou no assunto com o seu entrevistado, o infectologista Jamal Suleiman. Quando ele ia começar a falar do assunto, a âncora do programa, Maria Beltrão, o interrompeu dizendo que “a janela para São Paulo tem pouco tempo” e que ela queria fazer uma pergunta mais pontual. Mudou de assunto legal e não tocou mais na ferida do governador almofadinha. [AV]

[foto Reprodução/CNN Brasil]

O AMOR DE MÃE NOS TEMPOS DO CORONAVÍRUS

Imagino a revolução que não deve ter acontecido nos bastidores da Rede Globo de Televisão, neste final de semana, para decidir virar de cabeça pra baixo a sua grade de programação. Uma verdadeira revolução. Decidiram interromper a novela Amor de Mãe e Salve-se quem Puder, acelerar e adaptar Éramos Seis, retirar do ar o Mais Você, de Ana Maria Braga, o Se Joga, o Globo Esporte, esticar telejornais e criar um novo noticioso só para tratar do coronavírus. A Globo revirou sua grade por culpa da pandemia que tomou conta do mundo. Para evitar aglomerações nos estúdios, colocando em risco o público em geral e seus funcionários (muitos deles com mais de 60 anos), a Globo bancou a mudança. Vem aí um festival de Vale a Pena Ver de Novo e quem esperava a revelação de que Danilo é o filho Domêmico procurado por Lurdes desde o primeiro capítulo de Amor de Mãe, vai ter de esperar e ninguém sabe até quando. Essa mudança radical da Gobo não tem hora pra terminar. O coronavírus, que surgiu assim de repente no final do ano passado, está mudando os hábitos dos habitantes do Planeta Terra e agora chegou aos fiéis telespectadores da Globo. Com a chegada da CNN Brasil em pleno furacão, em pleno tsunami, o Jornalismo se vê fortalecido, queira o presidente desmiolado que temos, ou não. Nunca antes na história deste país aconteceu algo igual ao que a Globo está fazendo. Ficam aqui duas sugestões: tirar definitivamente o Se Joga do ar (ninguém iria perceber se ele nunca mais voltasse) e acabar de vez com o Domingão do Faustão. Já deu o que tinha que dar. Nesses tempos de trevas e de massacre da cultura, é chegada a hora de pensar coisas melhores para oferecer aos brasileiros. [AV]

[foto Reprodução/TV Globo]

A GUERRA COMEÇOU

Na noite do domingo 15, para enfrentar a estréia da CNN Brasil, a GloboNews preparou um programa de seis horas de duração sobre o mesmo assunto da concorrente, o assunto do momento: coronavírus. A emissora dos Marinho costuma ficar horas no ar tratando de um assunto, mas nunca tinha preparado um programa especial de seis horas direto talvez por não ter concorrente. Agora tem. Quem ficava zapeando entre um canal e outro deve ter ficado surpreso. Agora temos escolha, embora uma não se difere tanto assim da outra. A diferença eram os já conhecidos comentaristas e âncoras que ali estão na GloboNews desde muito tempo. O telespectador ligado em notícia agora em opção: GloboNews ou CNN Brasil. O tempo dirá se os brasileiros vão querer mudar de canal na hora da notícia. O tempo dirá. 

NO AR!

Vinte horas em ponto, com direito a contagem regressiva, a CNN Brasil entrou no ar neste domingo, 15 de março de 2020. Deu tudo certo no quesito tecnologia. Claro que algum nervosismo, mas nenhum tropeço. Apenas algumas observações deste blog. Abrir falando inglês deixou claro que, como eles afirmam no slogan, trata-se da “maior televisão do mundo, agora no Brasil”. Teve doses de cafonismo ao mostrar o microfone da emissora chegando dentro de uma caixa vermelha, como se fosse um presente para os apresentadores. Havia estampado no rosto de cada contratado que ia aparecendo, aquela euforia meio GloboNews, “gente, eu estou trabalhando na CNN Brasil e estou muito feliz”. A nova rede de televisão por cabo que acaba de ser inaugurada, preparou um grande programa de estréia, mostrando a que veio: concorrer diretamente com a GloboNews que praticamente corria sozinha, já que BandNews e RecordNews são emissoras apagadas. Ninguém corre para uma das duas quando acontece um fato importante e precisa-se de informação. A CNN Brasil tem uma turma jovem e animada, disposta a enfrentar os leões Marinhos. De cara, uma reportagem direto da Itália, mostrando a cidade onde a grande tragédia italiana começou, depois de se espalhar pela China. A repórter, corajosa, percorreu as ruas fantasmas e deu o seu recado. Desculpe-me os leitores, mas ainda não guardei o seu nome, erro meu, deveria ter anotado. Logo cedo, exibiram um verdadeiro Vídeo Show, mostrando como tudo começou ali na Avenida Paulista. Talvez cedo demais para uma emissora que se propõe em cima do fato. Depoimentos dos novos contratados, muita obra e uma das contratadas  afirmando que nunca vai se esquecer “do cheiro de tinta” que sentiu quando entrou ali pela primeira vez. O jornal do Gottino e da Monalisa Perrone se mostrou ágil e sem vacilos. Aos poucos, a CNN Brasil foi ficando com a cara meio da GloboNews, entrevistando Rodrigo Maia, David Alcolumbre e Dias Tofolli. Talvez uma pergunta aqui, outra ali, um pouquinho mais picante que a GlobNews exatamente para mostrar a diferença. A primeira escorregada foi com a entrevista do presidente Jair Bolsonaro, em frente ao Palácio da Alvorada. O âncora garantiu que o presidente estava ali meio por acaso e depois de ver, de longe, a reportagem da CNN Brasil, foi até lá conversar com o repórter. Ora, é claro que estava tudo devidamente combinado. O único detalhe estranho da entrevista foi a camisa em tom de vermelho do presidente de ultra-direita. Bolsonaro elogiou a manifestação a seu favor e pelo fechamento do Congresso, inclusive com sua participação usando uma camisa da seleção brasileira. Minimizou quanto pôde a tragédia do coronavírus e nem o repórter, nem os âncoras, chamaram a atenção para a irresponsabilidade dele. O melhor da primeira noite, sem dúvida, deixaram para o fim, a entrevista com o ex-poderoso chefão da CBF, Ricardo Teixeira, acusado de inúmeros casos de corrupção e visivelmente abatido depois de passar por várias pendengas judiciais e de saúde também. A repórter Monalisa Perrone o enfrentou mesmo nos momentos mais tensos em que ele se portou como o outrora vibrante Ricardo Teixeira todo poderoso. Enfim, a CNN Brasil está no ar disposta a brigar pela audiência. A GloboNews certamente está ciente do poder da maior televisão do mundo, agora no Brasil. [AV]

 

 

CIRCUIT BREAKER NA TV

A quinta-feira, 12 de março, não foi uma sexta-feira 13. Quem passou o dia com os olhos grudados na GloboNews, o principal canal de Jornalismo em nosso país, viu uma cobertura sensata. Sim, foi um dia inesquecível que facilmente poderia ter descambado para o sensacionalismo. Tínhamos três notícias bombas acontecendo na mesma hora. As Bolsas ultrapassando uma queda de 15% e acionando o circuit breaker, o dólar ultrapassando os 5 reais e o coronavírus chegando ao Planalto, parecendo que o mundo estava mesmo acabando. As notícias iam chegando a cada minuto e, em momento nenhum, os seus telejornais criaram um clima de pânico. Claro que houve um excesso de comentaristas e especialistas atirando pra todo lado. Mas, em momento algum, espalhando o terror. Nem mesmo Maria Beltrão, a apresentadora do Estúdio i, aquela que anunciou a morte de Mubarak fantasiada, deu gargalhadas na quinta-feira. O dia acabou e todos sobreviveram. Chamuscados, feridos, um pouco desorientados e sem saber como vai ser o dia de amanhã. Que venha a sexta-feira 13!

[foto Reprodução]

LEGIÃO

É sempre assim. Toda vez que alguma novidade ligada ao jornalismo surge no ar, a primeira coisa que a direção pensa é fazer uma entrevista com o presidente da República. Isso já aconteceu inúmeras vezes na televisão brasileira. Dá status. Domingo (15) teremos uma grande novidade no ar, a inauguração de um novo canal de televisão, o 577, a CNN Brasil. Para a festa, claro, pensaram em entrevistar o presidente. Só que desta vez, temos no poder uma pessoa,  completamente despreparada para o cargo. É grosso, é tosco, é incopetente, não sabe e não tem nada a dizer de  interessante. Costuma metralhar a imprensa e, com certeza, estaria ali para dizer que a Globo é mentirosa, escandalosa e canalha, como já disse inúmeras vez. Talvez não desse nome ao boi, mas certamente iria dizer que agora sim, teremos um canal para dizer a verdade e peitar a emissora dos Marinho. Eu disse “estaria lá” porque na noite de quinta (12), Bolsonaro cancelou sua participação na festa da CNN Brasil, medo do coronavírus. Quem a nova emissora vai colocar no lugar não sabemos ainda. O Mourão? O general Heleno? A Damares? O Weintraub? O Olavo? A Regina Duarte? Meu Deus! É melhor ninguém porque de festa esquisita com gente estranha, chega aquela da Legião Urbana. 

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[foto Divulgação]

É GUERRA!

Por mais que a direção da GloboNews negue que esteja preocupada com a concorrência que vem aí com a chegada da CNN Brasil no próximo domingo, dia 15, a verdade é que ela já está mexendo os seus pauzinhos. Desde o início de março, a emissora dos Marinho fez mudanças na sua grade de programação, aumentando o tempo do seu jornal das 19 horas e incrementando entrevistas no final de noite. Além disso, pela primeira vez, a TV Globo está veiculando anúncios da GloboNews, o seu canal a cabo. Nunca antes na história tínhamos visto o slogan da GloboNews – “nunca deliga” – na TV Globo. Vai ser, sem dúvida, uma disputa, se não uma guerra, jornalística. Pela grade divulgada esta semana pela CNN Brasil, o seu carro chefe é mesmo a notícia, praticamente um telejornal atrás do outro. Ainda não deu pra sentir onde vão encaixar programas. Como a emissora ficará no ar 17 horas, o slogan “nunca desliga” da GloboNews ganhou força. Resumo da ópera: quem ganha é o telespectador, que agora vai poder contar com dois canais de peso no ar. Resta saber onde estará a diferença do tratamento da notícia que fará o telespectador apertar o botão do controle-remoto em busca de imparcialidade. [AV]

[foto Reprodução]

O SHOW DA VIDA

Ninguém podia imaginar que uma reportagem conduzida por um prestigiado médico, o doutor Drauzio Varella, e levada ao ar no primeiro dia de março, fosse provocar tamanha polêmica. Na verdade, um minidocumentário sobre a vida das pessoas trans dentro das cadeias brasileiras. O abraço de compaixão e amizade dado em Suzy, que não recebia visitas há sete, oito anos, segundo ela, foi o estopim. Depois que a reportagem foi ao ar, os inimigos do doutor Drauzio descobriram que Suzy estava ali porque estuprou e matou uma criança. Todos conhecem o trabalho do doutor Drauzio, há décadas. O seu trabalho como oncologista, como voluntário no tratamento de presos, os livros que escreveu, principalmente “Estação Carandiru”, publicado pela Companhia das Letras e que já vendeu mais de 500 mil exemplares. O seu trabalho na televisão sempre foi impecável. Series inesquecíveis sobre gravidez, o vício do fumo, os primeiros socorros e tantas outras. Mas o pecado do médico e que os direitistas querem crucificá-lo, merece algumas observações. Trabalhei na Globo por mais de uma década e sei o quanto a emissora evita dar voz a presos. Quando deu voz a Suzane von Richthofen, assassina dos pais, a reportagem mostrou que ela era uma farsante e a jovem acabou voltando pra cadeia depois da exibição naquele domingo. Não consigo imaginar como a produção do outrora Show da Vida não procurou saber o crime de cada um de seus personagens. A pauta do doutor Drauzio não eram os crimes cometidos por cada um, mas apenas a vida de trans dentro da cadeia. A reportagem merece nota 10, mas a prova acabou sendo anulada. Como aquele gol de placa em que o jogador estava em impedimento. O médico deixou claro que é médico e não juiz em um comunicado no seu site, logo após a bomba estourar. Na noite de terça-feira (10), ele apareceu no Jornal Nacional, num longo depoimento, passando a limpo toda a polêmica e pedindo desculpas à família do garoto estuprado e morto por Suzy. Resumo da ópera: Foi sim um erro da produção do programa não levantar a ficha de seus personagens, já que estavam todos atrás das grades. O ódio despejado nas redes sociais contra Drauzio Varella tinha sim a finalidade política de mostrar que o médico não é uma unanimidade. Quem conhece de perto Drauzio Varella sabe da sua seriedade, da sua competência como médico, do seu talento como escritor e da sua atuação impecável como repórter e voluntário nas profundezas desse Brasil. Na noite de terça, ele tranquilizou seus inimigos – numa sutil referência aos bolsonaristas – afirmando que não é candidato a nada. O medo da direita era esse e ele acertou na mosca. Além de todos os predicados acima, vale salientar que Drauzio é também colunista da Folha de S.Paulo e da revista Carta Capital. Por ai da para entender tanto ódio dos fiéis que acompanham o capitão Messias. 

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