QUANDO OS REPÓRTERES VÃO PRA RUA

Existe um abismo entre a cobertura de manifestações no Brasil e nos Estados Unidos. De repente, a GloboNews colocou os seus repórteres nas ruas, no meio dos manifestantes, trombando em cartazes, de punhos cerrados gritando palavras de ordem. Os repórteres não estão ali no meio dos manifestantes apenas fazendo uma passagem, mostrando o movimento ao fundo. Eles estão andando com os manifestantes, dando todos os detalhes do que se passa, lado a lado. O abismo que existe entre a cobertura lá e aqui, é gritante. Lá, eles fazem o que deve ser feito mesmo. Aqui, eles têm medo. Se existe vandalismo lá, fazem questão de dizer que são pontuais, gente infiltrada “que não leva cartaz”, que “não está ali para protestar, e sim para fazer baderna”. Aqui, a baderna parece ser generalizada. Lá, repórteres chegam a dizer que “é bonito ver quando ajoelham, o símbolo das manifestações dos últimos oito dias” na América. A cobertura das manifestações na terra de Trump feita pela GloboNews tem sido empolgante, como deve ser feita. Quero ver quando chegar aqui. Será que vamos continuar a ver a cobertura através de drones?

[foto Reprodução/GloboNews]

TRÊS EM UM

Na noite de segunda-feira (1), tinha três programas que queria ver, ao mesmo tempo. Começou pela livre do cantor e compositor baiano Tom Zé. Foi fácil achar, sintonizei e viajei com ele em velhas canções e suas histórias, um sobrevoo aos anos 70, 80. Tom Zé em casa, sem público, sem aplausos, mas os comentários passando feito um bólido, quase não dava pra ler. Minutos depois começou o Roda-Viva com Lobão. Cansei dele, mas queria apenas ver sua cara depois de apoiar Jair Bolsonaro nas eleições do ano passado. Lobão tem a capacidade de falar sem parar, girar em torno de si, e dizer sempre as mesmas coisas. Aquela velha história de Chico e Caetano, de ser polêmico, de ser chato. Ouvi coisas do tipo “a gente acha o Bolsonaro ruim, mas quando a gente lembra que Lula abraçou Kadafi, abraçou Sadam Houssein…” Ouvi coisas do tipo: “achei que eleito, o Bolsonaro ia passar um pito nos filhos”. Ouvi ele dizendo “eu sou uma pessoa sexy” e fui embora pra sala ver Papo de Segunda, já que Tom Zé, que via ao mesmo tempo de Lobão, se despediu. O que mais me impressionou no Lobão foi sua barba branca e seus cabelos negros. Parecia aquela espécie de melro que tem a cabeça preta e o papo branco. Valeu a pena a troca. O Papo de Segunda era um papo de primeira. Fabio Porchat, Emicida, João Vicente, Francisco Bosco e Pedro Bial, como convidado. Ótimas pautas sobre os tempos que estamos vivendo. Me esqueci do Lobão que continuou ligado no escritório. Quando vi, já tinha acabado, não sei como foi o final. 

[fotos Reprodução]

JÁ VI ESSE FILME

A pandemia pegou a televisão de surpresa. De repente, ela se viu sem futebol, sem novela, sem programa de auditório. Era preciso de adaptar. Agiu rápido e a solução foi a reprise. De repente, ficamos sem novela inédita das seis, das sete e das nove. Ficamos sem o futebol às quartas e aos domingos. A solução encontrada foi Repaginas as novelas Novo Mundo, Totalmente Demais e Fina Estampa. O futebol deixou um vazio até que alguém teve a ideia de reprisar jogos históricos da seleção e conquistas de campeonatos regionais. Alguns programas de auditório voltaram aos poucos, mais xoxos sem o corpo a corpo, todos com cara de live. Alguns são reprisados, como Altas Horas e Faustão, sempre com o aviso que foram ao ar antes da pandemia, pra não assustar o telespectador ao ver tanta gente junta. O jornalismo ganhou força e espaço. O Jornal Hoje ganhou mais tempo, avançando sobre o bizarro Se Joga, condenado a não voltar nunca mais. Não deve ter sido fácil encontrar essas soluções provisórias que estão no ar. O curioso é que com todas essas mudanças, o Ibope não variou tanto assim. Estamos vivendo uma era inesperada, triste, assustadora. Uma era do # somos todos vale a pena ver de novo. 

A HORA E A VEZ DA ESQUERDA

Este pequeno texto é apenas para chamar atenção para um fato. Vocês já perceberam que a esquerda agora aparece toda noite no Jornal Nacional? De repente é um deputado do PSOL, um ex-ministro do PT, um advogado progressista, todos ali na tela da Globo expondo os absurdos do presidente sem partido. Eles andavam sumidos, lembram? Nem mesmo o Álvaro Dias, presença quase que diária no principal telejornal do país, anda meio sumido. 

FLAGRA!

São Paulo, quinta-feira, 28 de maio de 2020, 6 horas da manhã. A apresentadora da GloboNews anuncia, ao vivo, que a partir de segunda-feira começa na maior cidade da América do Sul, o fim da flexibilização da quarentena. Quer dizer, as pessoas vão poder voltar a circular pela metrópole.

[foto Reprodução/GloboNews] 

O BRASIL NOS TEMPOS DO ÓDIO

Não vi, mas soube logo cedo lendo o texto do Mauricio Stycer, que o apresentador do Jornal Nacional esteve conversando com Pedro Bial nas primeiras horas da madrugada desta quarta-feira, 27. Soube da sua amargura ao ser ofendido nas ruas, da impossibilidade de ir e vir. Como leitor de leitor, registro aqui os primeiros comentários que surgiram logo abaixo do texto do crítico do UOL:

É só falar a verdade que o amor do público volta.

O cara dedica a vida a mentir e enganar, e espera o que?

Salvo engano, o seu entrevistador faz parte do eleitorado a que pertencem seus algozes.

Você está colhendo o que plantou.

Igualzinho o Lula: só fala a versão que lhe interessa.

A solução já está pronta. Pegue suas malas e vá embora, seu menino de recado de seus patrões loucos por dinheiro público.

Dê as notícias com imparcialidade.

Quem com ferro fere com ferro será ferido.

Bom, não assisti (nem pretendo), mas o Bial com todos os seus versos, poemas e pensamentos, não chegou a recitar: “Quem planta vento, colhe tempestade”

Lamento os ataques pessoais. Mas cabe dizer que o jornalismo da Globo sempre mostrou apenas um lado (vide reforma da Previdência) e semeou tudo isso que está aí.

Tadinho não poder pegar avisão. Fiquei com dó do menino!

Quem se prontificou a falar inverdades sobre pessoas honestas desde 2014 não pode reclamar de nada.

Acho que ele não conhece os problemas do trabalhador comum. Esses “probleminhas” dele eu tiraria de letra, o cara vive literalmente numa aldeia global.

Foi o ódio que a sua emissora plantou! Agora aguenta!

Tá experimentando do próprio veneno, né meu filho?

Quem ganha 750 mil tem que estar preparado para aguentar pressão! Sem mimimi.

Você e seus patrões pavimentaram tudo isso, apoiando o golpe e o lava batismo, criando esse ódio da esquerda. Vocês chocaram o ovo da serpente. Agora é tarde.

… e por aí vai! 

[foto Reprodução/TV Globo]

 

VI E GOSTEI

Mais uma vez, vi e gostei do programa Papo de Segunda, exibido pelo GNT. Comandado por Fabio Porchat, com participações luxuosas de Emicida, Francisco Bosco e João Vicente, nesta segunda (25) teve a participação também luxuosa do repórter Manoel Soares. Os assuntos são sempre atuais e os comentários de cada participante, enriquecem a noite do primeiro dia útil da semana. Vale a pena ver. Anote aí na agenda.  

[foto Reprodução/GNT]

A CASA DA MÃE JOANA

Não é de se espantar que o empresário Silvio Santos tenha ligado para a redação de Jornalismo de sua emissora e mandado arrancar fora da grade o principal telejornal da casa, minutos antes de ir pro ar. É a cara dele, a falta de responsabilidade dele, faz parte da irresponsabilidade dele. Trabalhei durante muitos anos na emissora de SS e sei como funciona. Um mestre e um bando de assessores prontos para dizer amém, fazer o que o seu mestre mandar. Já fiquei com um telejornal no ar durante mais de uma hora porque ele queria que só terminasse assim que saísse do ar a novela da concorrente, quando Zé Trovão empinasse o seu cavalo. Silvio Santos, como o atual inquilino do Palácio da Alvorada, guarda dentro de si um rancor do Jornalismo. Não gosta, prefere pão e circo. Não tem a menor ideia do que seja Jornalismo, da sua importância, este é o seu lado besta quadrada. Tira do ar da mesma maneira que joga uma torta de chantilly na cara  de alguém que está por ali na praça que não é nossa, é dele. Silvio deve ter sabido por alto da tal reunião do dia 22 de abril e não gostou de ver aqueles palavrões e aquela baixaria vindas do seu amigo Jair porque poderia prejudicá-lo. Mandou tirar do ar o telejornal que já estava pronto e mandou colocar no lugar a reprise de um programa de fofoca, bem a cara dele. Se você quiser saber algumas loucuras de SS, não deixe de ler o livro Topa Tudo por Dinheiro, do jornalista Mauricio Stycer, publicado pela editora Todavia. Em um depoimento, conto um décimo das loucuras desse empresário que vai fazer um bem danado pro país quando sair do ar. 

[foto Reprodução/SBT]

DIVERSÃO GARANTIDA

Nesses dias de pandemia, de confinamento, de quarentena, de fazer pão, sintonizar no canal GNT por volta de oito e meia, nove horas da noite, é divertimento garantido até altas horas. Principalmente se você tiver sorte de ligar justamente na hora e no dia do programa Além da Conta: Confinamento, pilotado pela atriz Ingrid Guimarães. O programa, talvez pioneiro em ser declaradamente um programa confinado, não apenas com os participantes cada um em sua casa, Ingrid leva humor e sutilezas que, sinceramente desopilam o fígado. Ela brilha entrevistando figuras confinadas e brilha mais ainda na cozinha, em preto e branco, lavando ovo por ovo. O programa desta quarta-feira (20) merece aquela nota 10 que colunistas de TV costumam dar. 

[foto Reprodução/GNT]

PREGUIÇA

Quem está confinado e assiste pela GloboNews a cobertura da tragédia que caiu sobre nós, o coronavírus, deve estar se sentindo bem informado. Não há dúvida que o canal à cabo de informação, líder de audiência, vem mantendo uma cobertura intensa, dia e noite. Mas confesso, sinceramente, que no meio da tarde de ontem, deu uma certa preguiça quando seus comentaristas começaram a discutir como vai ser o país com a participação do centrão no governo. Ninguém merece um país com a participação de alguns bandidos e muitos aproveitadores. Alguém precisava ter dito isso claramente. Senti falta. 

NA RODA VIVA

Sempre ouvi falar, mas nunca tinha ouvido a voz do empresário e influenciador digital Felipe Neto. Lembro-me de já ter visto nas vitrines das livrarias alguns de seus livros, todos eles com capas com cores berrantes. Imaginava ser ele apenas um desses adolescentes que criam fama e ganham muito dinheiro no Youtube. Era. Dez anos depois, vim a conhecer Felipe Neto no centro da Roda Viva, o programa de entrevistas mais longevos da televisão brasileira. A bancada pra entrevista-lo era diferente daquelas caras conhecidas do Estadão, da Folha, do Valor, do Globo. Felipe Neto trouxe um ar novo para o programa e deu um show. Começou dizendo que a queda de Dilma foi um golpe, pediu desculpas por seus erros, por ter trabalhado pelo impeachment da presidente. Criticou a meritocracia, disse que não existe salvador da Pátria, e que o Brasil vive o pior momento da sua história, com um pé no fascismo, na censura, em tudo que há de ruim. Felipe foi aquele que comprou toda a edição da história em quadrinhos proibida pelo prefeito do Rio, Marcelo Crivela, e distribuiu de graça na Bienal do Livro no ano passado., Até mesmo a âncora do programa – Vera Magalhães – se curvou a ele, logo ela, antipetista roxa e que contribuiu – e muito – para o impeachment de Dilma. 

[foto Reprodução/TV Cultura]

O BRASIL QUE EU QUERIA

Vocês ainda se lembram daquela centena de brasileiros, de norte a sul, de leste a oeste que, durante meses, apareciam todas as noites nos telejornais da Globo, dizendo o que esperavam dos candidatos, enfim, do Brasil que eles queriam. Onde andará o Werberson Fernandes, de Paço do Lumir, no Maranhão, onde andará o Newton da Silva Filho, de Cansanção, na Bahia? Eram todos quase unânimes em sonhar com um país sem corrupção, em que todos tivessem as mesmas oportunidades, empregos, escolas, saneamento básico, hospitais, todas essas coisas. O que será que estão achando do governo Bolsonaro? Será que concordam com o fechamento do STF, do Congresso, será que concordam que a imprensa mente? Será que estão tomando cloroquina?

[foto Reprodução/TV Globo]

VI E GOSTEI MAIS OU MENOS

Quando a GloboNews reúne políticos de direita e de esquerda é sempre bom ouvir opiniões diferentes no canal a cabo da família Marinho. No sábado à noite foi assim. Ouvir a sensatez de um Flávio Dino, governador do Maranhão, por exemplo, lavou nossa alma. Estavam reunidos cinco governadores: Além de Dino, Denarium de Roraima, Doria de São Paulo, Zema de Minas Gerais e Rui Costa, da Bahia, que acabou saindo por problemas técnicos. Ancorado por pratas da casa, as perguntas eram boas e as respostas de alguns, muito firmes enquanto, de outros, muito mentirosas, absurdas mesmo. Ouvir o governador de Roraima, do PSL, por exemplo, dizer que o governo Bolsonaro se preocupa muito com os indígenas da região, soou como piada. Em que peca o Debate organizado pela GloboNews? Depois de qualquer resposta, não tem rexplica dos âncoras nem dos outros participantes. A resposta absurda fica no ar e passa-se para outra pergunta. Mas, mesmo assim, vale a pena ver.

[foto Reprodução/GloboNews]

O SILÊNCIO

O planalto não quis comentar. O governo não quis comentar. O ministro da Casa Civil não quis comentar. O presidente Jair Bolsonaro não quis comentar. O general Augusto Heleno não quis comentar. Os advogados de Onyx Lorenzoni não quiserem comentar. O Hospital Militar não quis comentar. A defesa de Flavio Bolsonaro não quis comentar. Vamos ouvir William Bonner e Renata Vasconcelos repetir essa frase até o final do governo de Jair Bolsonaro.Escuta só!

[foto/Reprodução] 

REGINA DUARTE SEM SCRIPT

A atriz Regina Duarte está no seu pior papel, ao vivo e em cores na televisão, sem script, no improviso. Na tarde de quinta-feira (7), assistimos o pior capítulo de sua longa carreira. Entrevistada pelo repórter Daniel Adjuto, com participação de Daniela Lima e Reinaldo Gottino, da CNN Brasil, Regina mostrou-se desinformada, fora do ninho, perdida, medrosa e assustada. O clima não era de oba-oba, as perguntas eram pontuais e ácidas. Regina foi perdendo o rebolado, mostrando-se frágil e desorientada como secretária especial da Cultura do governo ultradireitista de Jair Bolsonaro. Entre outras barbaridades, compactuou com a ditadura ao dizer “quem não gostava de cantar a música Pra Frente Brasil?”, assustou-se com um vídeo da atriz Maitê Proença criticando sua ausência na cena cultura brasileira, disse que os entrevistadores estavam “ressuscitando mortos”, que não comentou as mortes de Moraes Moreira, Flavio Migliaccio, Aldir Blanc, Rubem Fonseca porque a Secretaria de Cultura não é obituário, afirmou que “não existe mais essa coisa de direita e esquerda” e que o grande feito de dois meses de gestão foi enviar pedidos à prefeituras do interior para não cobrar aluguel dos terrenos onde estão instalados circos e lembrou do seu discurso de posse quando falou no “pum do palhaço”. A entrevista terminou com Regina dizendo: “mas não estava combinado”. Sim Regina, não estava combinado. Você foi ao ar pela primeira vez sem script. 

[foto/Reprodução CNN Brasil]

O LOBO DO MAU

O que leva uma emissora a cabo ainda cheirando a tinta, a levar uma figura como Lobão para dizer o que ele pensa sobre a atual conjuntura? Podemos pensar que democracia é assim mesmo, precisamos ouvir todos os lados, dar voz a todas as vertentes. O que espanta é ver cinco jornalistas dentro dos pequenos retângulos ouvindo Lobão uivar. Falou, falou, falou e ninguém perguntou se ele se sentia também culpado por tudo que está acontecendo em nosso país. Lobão, bem que poderíamos dizer que fez parte de uma espécie de escritório do ódio contra o Partido dos Trabalhadores. Ele contribuiu com sua raiva para que imbecis achassem que o problema era apenas o PT. Ajudou a derrubar Dilma, contribuiu com sua verborragia para o golpe e agora aparece na tela da CNN Brasil como se nada tivesse acontecido. A gente sabe o que você fez no inverno passado, meu caro!

[foto/Reprodução CNN Brasil]

POVO-FALA

Quando alguém no meio da redação dizia “vamos fazer um povo-fala!”, isso significava escalar um repórter ou produtor para sair às ruas recolhendo a opinião do povo. E o povo falava. Hoje, o tal “povo-fala” resume-se a alguém dizendo quanto tempo está na fila, no engarrafamento, o que achou do aumento da gasolina. O verdadeiro povo-fala desapareceu da televisão. Porque não saem mais às ruas perguntando:

O que você acha do governo Bolsonaro? Moro está dizendo a verdade? Cadê a Regina Duarte? Já ouviu falar em Olavo de Carvalho? Quem é Abraham Weintraub? Como se chama aquela ministra que viu Jesus na goiabeira? Você votou em quem? Você se arrependeu do seu voto? Quem é Onyx? Você acha que vai ter Enem? O que você está fazendo na rua? Onde foi parar o seu sonho? Quem você acha que matou Marielle? O que você está fazendo aqui na rua?

NOTA PÉ

Nota pé, para quem não é do ramo do Jornalismo, é aquela nota lida pelos apresentadores de telejornais depois de exibida uma matéria. Não é sempre que matéria tem nota pé, claro. Mas nesses tempos de denúncias e incertezas, as notas pé tomaram conta do noticiário. Você vê numa reportagem mostrando que está faltando remédios no hospital Tal. Depois de exibida a matéria, vem a nota pé da direção do hospital dizendo uma coisa ou outra: não está faltando ou dentro dos próximos dias será reabastecido. Você vê uma matéria acusando Fulano de Tal de desvio de dinheiro, em seguida lá vem a nota pé dizendo que a defesa de Fulano de Tal nega as acusações, que ele está pronto para colaborar com a Justiça e que sua inocência será comprovada. A nota pé funciona como um tal de direito de resposta, dar voz ao outro lado. Jornalisticamente, são duas sugestões que damos: Primeiro, dar uma nota pé da nota pé, dizendo que está faltando sim remédio no hospital Tal. “Voltamos lá e não vimos remédio nenhum nas prateleiras”. Segundo, se disseram que em uma semana o hospital será reabastecido, voltar lá sete dias depois e investigar. Se voltou, informar. Se não voltou, também informar. Chega de nota sem pé nem cabeça. 

AO VIVO E EM CORES

A GloboNews é sempre citada como uma emissora à cabo que tem dezenas de comentaristas que pensam exatamente igual, pensam exatamente a mesma coisa, com a mesma ideologia da família dona do canal. No sábado (2), no entanto, foi diferente. Num formato muito parecido com o programa Em Debate, da CNN, a emissora dos Marinho resolveu fazer um confronto com políticos de ideias diferentes e um mediador-comentarista no meio. Foram duas rodadas. A primeira foi com dois ex-candidatos à presidência em 2018: Ciro Gomes, do PDT, e João Amoedo, do Novo. Vimos cenas incomuns na televisão fora do período eleitoral. Apenas um exemplo. Depois de afagar o ex-juiz e ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Sergio Moro, foi a vez de Ciro, a metralhadora, falar. O pedetista saiu atirando mostrando sua opinião sobre Moro, a pior possível. Foi, no mínimo, curioso ver o ex-ministro sendo demolido ao vivo e em cores, na emissora que tem um xodó todo especial pelo “marreco de Maringá”, como é conhecido pelos opositores a ele. Depois foi a vez de Fernando Haddad, também candidato à presidência em 2018 e o deputado federal Vitor Hugo (nada a ver com o original), do PSL, antigo partido do presidente da República, mas fiel escudeiro do tresloucado mandante do país. Enquanto Vitor Hugo defendia o governo Bolsonaro a unhas e dentes, Haddad foi desconstruindo suas ideias que chegam a defender o presidente, “uma pessoa que sempre se preocupou com a saúde da população”. O debate terminou com Haddad agradecendo o fato de estar ali ao vivo na GloboNews e lembrou que ficou feliz de ver o ex-presidente Lula no Jornal Nacional, no dia anterior, mandando uma mensagem aos trabalhadores brasileiros. Quem venham outros debates. 

[foto Reprodução GloboNews]

ARTE MANIA

A jornalista Cristina Serra, que trabalhou durante muitos anos como repórter (para mim, especial) na TV Globo, postou  no Facebook nesta quarta-feira (29), um texto curto sobre um assunto que já estava na minha cabeça há algum tempo, essa mania que tomou conta da televisão de transformar em arte, longos documentos jurídicos. Cristina escreveu: “Gosto muito de assistir aos telejornais. Afinal, fiz isso a maior parte da minha vida profissional. Mas essa coisa de incluir nas matérias o texto original de decisões do Judiciário e notas e mais notas me leva ao controle remoto imediatamente Não dá, simplesmente, para resumir a essência do que diz a decisão ou a nota? Não é esse, afinal, o nosso trabalho? Simplificar as coisas para o público mais amplo?” Respondi a ela concordando, assinando embaixo, e acrescentando que, na minha opinião, é mais trabalhoso tentar decifrar para o grande público. Pra evitar erro, , vai na arte, documentos com todo juridiquês dos textos. Aí não tem erro, mesmo que as pessoas não entendam quase nada.