O SOL DE SEXTA-FEIRA

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A Prefeitura de São Paulo é sempre uma surpresa. Já foram eleitos Jãnio, Marta, Maluf, Erundina, Pitta, Haddad… O Psol chega a 12 pontos, o que nunca havia acontecido.

Vocês se lembram que num governo passado, o Brasil havia saído do mapa da fome, não é mesmo? Chamamos isso de retrocesso.

É uma novela que todos sabem o enredo: Bolsonaro quis sim intervir na Polícia Federal

Na foto em destaque na primeira página, São Paulo sempre foi assim: entre o CEU e o inferno

O brasileiro descobriu a compra pela Internet

Este é o retrato da velha política brasileira

Na foto em destaque na primeira página, em Campinas, um técnico faz testes em urnas eletrônicas para as eleições municipais

Seiscentos reais durante três meses fez a classe D passar para a C

Nunca se falou tanto em Igreja durante um governo no Brasil

Agora amigos, mas usando máscara…

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A poetisa Louise Glück, Nobel de Literatura 2020, está na capa da Ilustrada (Folha), Na Quarentena (Estadão) e Segundo Caderno (O Globo)

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EM OBRAS

Enquanto para a Carta Capital, o governo de Bolsonaro está demolindo o Estado, para a veja ele está construindo pontes.

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Sejamos bem sinceros: o que mais impressiona nas lives de quinta (literalmente) do presidente Bolsonaro é a cara e os gestos de puxa-saco do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães. Ele passa todo o tempo meio sorrindo e confirmando com a cabeça tudo o que seu chefe fala.

Lembramos e reafirmamos que é imperdível o podcast Praia dos Ossos, da Rádio Novelo, contando a história de Ângela Diniz, assassinada nos anos 1970. São 8 episódios. Quatro já estão no ar.

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O SOL DE SEXTA-FEIRA

O governo procura uma saída para a saia justa em que se meteu: sem dinheiro pro povo, não tem reeleição

Resumindo: o Brasil está queimando no fogo do inferno

Não adianta apenas apurar. Tem de julgar, condenar, prender.

Na foto em destaque na primeira página, o grande esforço dos grafiteiros em deixar São Paulo menos cinza

LEITURA NÃO RECOMENDADA:

Enquanto a dupla sertaneja Guedes e Jair dizem o contrário: “a confiança no Brasil está voltando!”

A notícia é importante, mas a chamada na primeira página é pequenininha. Simplificando: o Brasil foi colocado à venda

“Amigo é pra essas coisas…”

Na foto em destaque na primeira página, onze candidatos a prefeito de uma cidade com mil e um problemas

Ultimamente Bolsonaro só não tem ignorado o tal do Centrão

O mais incrível de tudo é pensar que Marcelo Crivella é candidato à reeleição depois de tudo

Na foto em destaque na primeira página, menino volta às aulas no Rio, com o pé direito

Na capa do Segundo Caderno, a biografia de Janis Joplin, assinada por George-Wannen, que está sendo publicada pela Editora Seoman

É uma notícia para deixar Boris Johnson de cabelo em pé

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Carta Capital acerta na mosca colocando Felipe Neton na capa. Quem é o cara que apareceu na  lista das cem pessoas mais influentes do mundo da revista Time?

Na capa da Veja, o desejo de Bolsonaro de transformar o Supremo Tribunal Federal numa coisa terrivelmente conservadora.

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Para a revista britânica The Economist, Joe Biden é o bom, o mau e o desconhecido. Na capa da New Economist, uma reportagem especial sobre a vida fora da Terra.

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SURPRESA NO AR

Assim que começou o outubro rosa, a apresentadora do Globo Esporte no Rio Grande do Sul, Alice Barros Neves, surgiu na tela sem peruca para apresentar o programa. No mês marcado pela campanha de conscientização e prevenção ao câncer de mama, Alice, diagnosticada com a doença desde janeiro e na fase final de tratamento, chamou uma nova série do GE dedicada ao assunto chamada Vitórias.

O SOL também deu Nota 10 para os quatro episódios da série

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BONITA COMO UM CAVALO

Nunca me esqueço daquela noite em 67. Chico Buarque apresentou Roda Viva, Caetano sua Alegria Alegria, Edu Lobo com Ponteio e Gilberto Gil, Domingo no Parque. No meio disso tudo havia o estudante de arquitetura chamado Maranhão, vindo de lá, com sua Gabriela. Afinados, quatro bambas da MPB cantaram: 

Atravessei o mar
a remo e a vela
fiz guerra e em terra
montei a cavalo
e em pelo de sela
cruzei as florestas, montanhas e serras
a lua sorria, eu sorri com ela
quando corria, eu corria dela
pulei cancelas, pulei quintais
deixei donzelas e tudo mais
quantas janelas ficaram atrás
só pra te ver Gabriela

Adolescente, me apaixonei por essa coisa de atravessar o mar a remo e a vela só pra ver Gabriela. Minha Gabriela era um amor oculto, só meu, escondido. Eu morava na parte de cima e a minha Gabriela, que não era Gabriela, na parte de baixo. Ficou nisso. No início dos anos 1970, eu já estava longe dessa Gabriela quando chegou pelo correio, presente de Paulo Augusto Gomes, o primeiro disco do Maranhão. Na capa, o seu perfil em branco e preto, destaque para o nariz e a boca. Sim, eu estava longe dela uns dez mil e poucos quilômetros. Foi quando ouvi naquele inverno rigoroso de Paris, a canção Bonita como um cavalo. Juntei Gabriela, que também estava no disco, com a beleza de um cavalo. Ao abrir as janelas dentro do meu coração ele enxergava ela, bonita como um cavalo caminhando ao luar. Passei a vida pensando naquela mulher, bonita como um cavalo. Passei a vida prestando atenção nos cavalos de Camargue, que vi um dia caminhando ao luar. Sim, ela sempre foi bonita como um cavalo. 

[ilustração/Guernica (detalhe), de Pablo Picasso]

 

UM CHECK-UP DA IMPRENSA

O racismo brasileiro exposto e comprovado

Devo não nego, pago quando o BC fizer o repasse

Saia Justa: o governo procura desesperadamente dinheiro para continuar distribuindo até as eleições de 2022. Mas cadê dinheiro?

Na foto em destaque na primeira página, o desespero de uma moradora do Complexo de São Carlos, no Rio, onde ontem assistimos mais um capítulo de uma guerra sem fim

DESCOBRIU A DIFERENÇA? NÓS TAMBÉM NÃO!

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Os demais são os brancos

Promessa de campanha

LEITURA RECOMENDADA:

A briga entre Bolsonaro e Guedes está esquentando

A manipulação no país das fake news vai além da imaginação

No Complexo de São Carlos, um policial se prepara para cobrir um corpo caído no chão com uma toalha de mesa

Gil e Chico no estúdio para gravar a trilha da série Sob Pressão, da Globo

A morte do produtor musical Arnaldo Saccomani, aos 71 anos 

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Na capa da Carta Capital, o retrato de um país à deriva e na capa da Veja, um país que acredita no capitalismo, na Bolsa, no consumo etc etc

As revistas semanais de informação do Reino Unido destacam a guerra na democracia americana (The Guardian Weekly) e os temores de Putin (Economist)

Na Il Venerdì, a revista de fim de semana do jornal italiano La Repubblica, uma boa entrevista com a jornalista e escritora Eliane Brum, que está lançando o livro Le Vite Che Nessuno Verde

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MUSEU DE MIM MESMO

Fui juntando coisas, juntando, juntando e acabei criando um museu de mim mesmo. Hoje vivo rodeado de memórias boas e olha que só guardei as coisas boas, nada de ruim. Tenho um gato de porcelana bordado com motivos turcos pechinchado no Grande Bazar de Istambul, como tenho um coelhinho de plástico do América Mineiro, presente do Chico Regueira. Tenho três garrafas de cerveja – Marx, Trotsky e Rosa – que acredito eu já saíram de circulação. Tenho brinquedos antigos, um disco voador de 1960, uma placa metálica na parede onde se lê: Hippies Use Side Door. Tenho um pôster do Yuri Gagarin, um rádio de 1940, um Buda comprado na Feira da Ladra em Lisboa, um azulejo pintado pelo Peticov, um altar do Universo em Desencanto com a imagem do Tim Maia, tenho coisas que nem eu mesmo acredito que tenho. Quem mais teria um elefante enferrujado que veio lá da Fundação José Saramago? Quem teria uma caixa com sete cds da Yoko Ono? Quem teria um cachorrinho verde de porcelana comprado num antiquário em Havana? Não faz muito tempo, passei uma temporada num vilarejo no interior da Grécia, onde no meu inventário constava apenas um laptop. Acordava, olhava pela janela e via o mar azul, lá embaixo. Um pé de limão siciliano no quintal e um outro de abricôs carregado, na casa do vizinho. Eu não tinha bibelôs, nenhuma recordação. Além do laptop, agora estou lembrando, tinha também o livro 1968, da Ariana Fallaci, e um livrinho chamado 101 motivos para ser de esquerda, ambos em italiano. Estava vazio em Vryses e me sentia provisório ali. Hoje morro de saudade e queria viver provisório assim para o resto da vida. Vazio mas tão bonito quanto uma obra de Carlo Benvenutto, onde se vê apenas uma cadeira, uma mesa com uma toalha de algodão e três ovos. Nada mais. 

QUE ZORRA É ESTA?

Mesmo com a pandemia matando mil pessoas por dia, os programas de televisão inéditos, fora do ar desde março vão, aos poucos foram voltando à telinha. Muitos já voltaram, mambembes, mais pobres, mas com aquela vontade de não deixar a peteca cair: Porchat, no GNT, Bial, Faustão e Fátima na Globo, para citar alguns. E no sábado passado voltou o Zorra, antigo Zorra Total, hoje uma mistura de TV Pirata com Casseta e Planeta Urgente, sempre muito espirituoso e engraçado. Desde que voltou a ser apenas Zorra, o programa mudou de cara e de humor. Deixou para trás aquele estilo Praça é Nossa, para fazer uma coisa mais política e atual. Mas a volta do Zorra no sábado 22, foi triste. O programa foi passando, passando, passando e era impossível esboçar um mínimo sorriso no cantinho dos lábios. O Zorra perdeu a graça e nunca poderia ter colocado aquele programa no ar. Pra quê?

[foto Reprodução/TV Globo] 

PRESO O MONSTRO QUE ESTUPROU MENINA DE 10 ANOS

A polícia prendeu na madrugada desta terça-feira (18), o homem suspeito de estuprar e engravidar sua sobrinha, uma criança de 10 anos. A prisão foi realizada na região metropolitana de Belo Horizonte. O nome dele ainda não foi divulgado. A polícia prometeu uma entrevista coletiva para mais tarde. Segundo o secretário de Segurança do Espírito Santo, Alexandre Ramalho, confessou o crime a caminho da prisão. Depois de uma pendenga judicial, a menina finalmente interrompeu a gravidez num hospital na cidade do Recife. Segundo o último boletim médico, ela passa bem. A menina vinha sendo assediada pelo tio há quatro anos.

A VIDA COMO ELA ERA

Com a chegada da pandemia, as grades de programação das televisões tiveram que dançar miudinho. Vamos falar da Globo. Alguns programas simplesmente desapareceram do ar, como o Se Joga (ainda bem) e obrigando-os a esticar o Jornal Hoje. As gravações de novelas foram interrompidas e reprises foram repaginadas para ir ao ar num tempo recorde. Programas como Altas Horas, do Serginho Groissman começaram a ser reprisados, causando uma certa estranheza ver tanta gente junta e animada, Faustão repaginou o the best e colocou no ar. O noticiário sobre a Covid-19 ocupou boa parte da programação. Como a pandemia não foi embora, Fátima Bernardes voltou sem público e com uma receita de Ana Maria Braga repaginada dentro do programa. Aos poucos, Bial também voltou sem o presencial e sem banda e sem platéia, mais frio. Mas com o passar do tempo, a Globo vai se aproximando do Canal Viva, aliás o canal pago mais visto, segundo os números do Cantar/Ibope divulgados ontem. As novelas Novo Mundo, Totalmente Demais e Fina Estampa estão sendo reprisadas e esse é o novo normal da Globo, que anda vendendo gato por lebre. A chamada para a “estréia” de Tapas e Beijos deixa parecer que vem aí uma nova grande atração no canal. Tudo déjà vu, sem tirar nem pôr.

PROJETOS

Eu era muito menino quando minha família se mudou pra Brasília, Brasilia não era nada, era apenas poeira vermelha e tratores amarelos fazendo terraplanagem e levantando mais poeira ainda. Assim que os monumentos começaram a ganhar as formas de Oscar Niemeyer é que surgiu uma vontade danada de ser arquiteto. Comecei a sonhar com uma cidade planejada, organizada, diferente daquela zona que estava virando minha Belo Horizonte no início dos anos 1960. A Avenida do Contorno que rodeava a BH planejada perdeu completamente o rumo e crescia como a raiz de uma árvore frondosa, pra todos os lados. Bairros surgiam da noite para o dia, junto com as vilas e favelas, numa mistura urbana e suburbana que minha cabeça não conseguia dar conta, colocar ordem. Então, do nada, surgiu Brasília, toda certinha.Terrenos enormes e planos para construir superquadras, muita grama, muita vegetação, os prédios virados um pra cá um pra lá, desconstruindo a invasão da intimidade. Eu tinha um caderno grande com folhas grossas e brancas, separadas por papel de seda. Ali desenhava largas avenidas, superquadras, coloria a grama de verde, plantava árvores, imaginava uma escola parque para cada quatro superquadras, um supermercado, uma igrejinha, o comércio. Abria túneis, passagens de pedestres, viadutos, tudo muito bem pensado. Essa ideia de ser arquiteto só saiu da minha cabeça quando voltamos pra Belo Horizonte e fomos morar na Rua da Bahia, no olho do furacão, centro do caos. Achei que ali tinha mais vida do que Brasília. Cada cidade tem sua vida. Cataguases, Ponte Nova, Formiga, Alfenas. Eu gosto de metrópoles, Tóquio, Mumbai, Nova York, Istambul e a São Paulo que adotei e que está lá fora.

[foto Tadao Ando]