PASSANDO EM REVISTA

A maior surpresa ao voltar pra casa, em Florença, foi, ainda na banca de jornais da Stazione Centrale de Bolonha, à espera do trem, comprar a nova revista Linus. Digo nova porque ela mudou toda. Voltou a ser uma revista grande, com mais de 120 páginas, papel de primeira, lombada quadrada e, além das páginas em preto e branco, cor. Digo mudou porque a Linus é uma revista que existe há mais de cinquenta anos e foi, durante muitos anos, a minha Bíblia dos quadrinhos, de fumetti, como se diz por aqui. Quando morava em Paris e lavava pratos em Belleville, nos anos 1970, guardava moedas de francos para, no fim do mês, comprar a Linus numa banca que a vendia, no Boulevard Saint Michel, entrada do Quartier Latin. Guardei muitos números que foram embora com o tempo, junto com o meu primeiro casamento. Ontem trouxe para casa a nova Linus dentro da mochila, tomando todo cuidado para não amassar. Fiquei até altas horas, saboreando cada página, cada história em quadrinho, cada texto, que são muitos: O polêmico abecedário do escritor Michel Houellebecq, a ficção científica de Sergio Brancato e o mundo de Feininger, por exemplo. Isso, sem contar as histórias em quadrinhos de Art Spielgelman (que fez a capa), Gabrielle Bell, Vaugh Bodé e Tommi Misturi. Isso sem contar as críticas de livros, de discos e de séries na TV. E, claro, as primeiras histórias de Charles M. Schulz, em preto e branco, deliciosas nostalgias. Numa entrevista ao jornal La Repubblica, os novos editores da Linus, perguntado se os novos tempos não são digitais, disseram que não existe nada melhor que folhear uma revista de papel.

 

AS PALAVRAS E AS COISAS


Despedindo de Paris e andando pelos corredores do metrô, a gente encontra coisas assim. Alguém passou, viu um cartaz de cinema, abriu a bolsa, pegou uma caneta e deixou lá sua mensagem: “Tiens, Foucault au cinema! E ainda desenhou uns óculos como ele usava. Volto pra casa pensando: Quem teria visto a semelhança entre o ator de cinema e o filósofo francês, autor de obras da maior importância? Quem anda pelo metrô e conhece Foucault?

[foto Alberto Villas]

 

DEU ZEBRA

Em Calcutá,  um soldado do Exército Indiano participa do Festival Vijay Diwas com um cavalo pintado de zebra. O festival lembra, todos os anos, a vitória da Índia na Guerra do Paquistão, em 1971.

[foto Piyal Adhikary]

 

CAROS AMIGOS

Nas livrarias, um livro precioso. Em parceria com a Fundação Casa Jorge Amado e a Fundação José Saramago, a Companhia das Letras reuniu cartas organizadas por Paloma Jorge Amado – filha de Jorge – e Pilar del Rio – viúva de José. É uma troca de correspondência cheia de declarações de amizade, intimidades e curiosidades entre os escritores brasileiro e português. Curiosidades como o dia em que Jorge Amado escreveu a José Saramago, em 1994: “Como vivemos até hoje sem o fax?”

[foto Divulgação]