OPS…

Fazer um bom título, uma boa manchete principal, uma foto-legenda, é uma arte. Talvez muitos redatores optam pela simplicidade, evitando inventar moda, para seguir em frente, sem grandes percalços. Existem títulos inspirados, como aquele sobre a falsificação de obras de arte dos grandes mestres da pintura: “Cuidado, tinta fresca”. Mas existem também aqueles títulos que pecam pela busca de inspiração e a opção por ela, mesmo que não faça muito sentido. É o caso do título acima, do portal Terra. O redator foi buscar numa velha canção de Roberto e Erasmo, sua inspiração para fazer um título sobre a estréia de patinetes Uber nas ruas de Santos, em São Paulo. Ficou sem sentido e sem graça. “Uber passa a oferecer patinetes elétricos nas curvas de Santos”. Como assim? Só é possível usar as patinetes nas curvas? E nas retas? 

QUEM OUVE TANTA NOTÍCIA?

A onda do podcast surgiu assim de repente e tomou conta do Brasil. Se você der uma espiada nos sites de notícias dos grandes jornais e revistas no mundo inteiro, vai perceber que essa onda é internacional. Não tem mais publicação que não tenha seu podcast. Um, dois, vários. Podcast sobre tudo: Economia, política, comportamento, humor, religião, esporte, literatura, música, espetáculos, não tem assunto que escape ao podcast. O bom desse mundo da comunicação é mesmo essa variedade de ofertas. O podcast surgiu indo contra a maré e reforçando o cartaz do bom e velho rádio. Há alguns anos, quem perdia o Repórter Esso no rádio, bau bau. Não tinha como ouvir novamente nem mesmo num vale a pena ouvir de novo. O podcast veio pra agendar sua vida, você ouve notícias quando quiser, quando bem entender. No princípio é sempre assim, vem aquela enxurrada na onda da moda, mas, muito em breve o filtro será feito, os melhores ficarão e entrarão para a historia. Hoje, ainda estamos meio perdidos nesse balaio de ofertas. O filtro será feito e a notícia estará sempre no ar. Quem apostou no fim da era do rádio, errou feio. 

FAMOSOS

Todos sabem que a revista Quem, da Editora Globo, atualmente apenas on line, é uma revista de famosos, mesmo que sejam “famosos quem?”. Mas é curioso ela noticias que “Famosos lamentam morte de Fábio Barreto”. Seria como o site da revista Exame noticiar que “Economistas lamentam a morte de Fábio Barreto” ou o site da Globo Rural noticiar que “Agricultores lamentam a morte de Fábio Barreto”. Na verdade, quem lamentou a morte de Fábio Barreto, diretor de “O Quatrilho” e “Lula, o Filho do Brasil”, foram todos nós.

[foto Reprodução/Quem]

JORNALISMO NAS COXAS

O acidente doméstico sofrido pelo apresentador Gugu Liberato, ontem em Orlando, nos Estados Unidos, mostrou claramente como é feito o jornalismo às pressas e nas coxas. A noticia circulava nos programas de fofoca à tarde na televisão e nas redes sociais numa velocidade estonteante. Pegamos apenas dois exemplos, um do site da revista Caras, e outro do jornal O Dia, do Rio, para mostrar como é feito tal jornalismo. Com um título de duas linhas e um texto introdutório de seis, veja o primeiro festival de barbaridades.

Na Caras, o titulo diz que ele está em “estado grave”, mas, na verdade, quem diz não é o o site e sim um colunista. É o tal do “tirar da reta”. Se ele está bem, em estado grave ou morto, quem está falando (acertando ou errando) é o colunista, e não nosso site. 

Na legenda, já não é mais “está”, mas “estariam estado grave”. E logo na primeira linha do texto, o redator, ou redatora, escreveu que ele “passou por um susto”. Como assim, foi só um susto e ele está em “estado grave”?

Mais abaixo, o texto diz que o apresentador “estava no local”. Que local? Orlando? O local do acidente? Que local?

Mas, pior mesmo foi a jornalista Fábia Oliveira, do jornal carioca O Dia, que deve ter pensado: “Caiu do telhado, de uma altura de 4 metros, bateu a cabeça numa quina… ah, só pode ter morrido”. E anunciou sua morte no título, mas ressaltando, na primeira linha, que ele “teria tido morte cerebral”.

[fotos Reprodução site Caras/jornal O Dia]

CARACAS!

Na página do Jornal Hoje, da Rede Globo, um título deveras interessante. Curto e grosso, o redator escreveu: “Manifestação em Caracas na Venezuela”. Aguarde novos títulos no site: “Manifestação em Buenos Aires na Argentina”, “Manifestação em Paris na França”, “Manifestação em Tóquio no Japão”. Assim mesmo, sem vírgula, sem nada.