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A legenda desta foto de Fabio Wajngarten, chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, publicada pelo UOL, está meio esquisita. Além de fora do lugar, mais parece um recado do editor para o diagramador visual do site. 

[foto Reprodução UOL]

RODAS VIVAS

Na noite de segunda-feira (20), o programa Roda Viva, da TV Cultura, estreou sua nova âncora, a jornalista Vera Magalhães, entrevistando o ministro sabonete da Justiça Sergio Moro. Sabonete porque passou todo o tempo do programa escorregando daqui e dali. O Roda Viva tinha tudo para ser um programa chapa branca, composto por uma bancada da grande imprensa e um representando da ultra-direita, o jornalista que tem nome de colírio: Felipe Moura Brasil. A esperança estava em Malu Gaspar, repórter da revista Piauí. Mas, uma semana anos da estreia, surgiu um fato novo que bombou nas redes sociais. Inconformada com o fato de não ter sido convidada para a festa, a turma do site The Intercept Brasil (que vazou as conversas de Moro, deixando clara sua parcialidade na Lava Jato) resolveu colocar, via Youtube, sua participação no programa, comentando as falas do ministro e as perguntas dos jornalistas. Isso foi o sinal de alerta para toda a bancada que se preparava para entrevistar o ministro sabonete. Ficou claro ao ver o programa ontem, que nenhum deles estava ali disposto a passar por jornalista chapa branca. Moura Brasil não conta, faz um jornalismo que não merece ser comentado. Com isso, perguntaram sobre quase tudo: o perdão a Onyx que usou caixa 2, o silêncio em torno dos ministros acusados de corrupção, os ataques do presidente aos jornalistas, o discurso nazista do ex-secretário de Cultura, Roberto Alvin, o convite à namoradinha do Brasil para assumir a pasta, os vazamentos da Intercept, Marielle, laranjas, essas trapalhadas todas do governo de direita de Jair Bolsonaro, no poder desde janeiro do ano passado. Moro fingiu responder tudo, argumentando que nenhum desses assuntos era escândalo. Pelo contrário, tudo resolvido ou resolvendo. Quando os entrevistadores colocavam o dedo na ferida, ele saia com frases do tipo “não estou aqui para falar em nome do presidente” ou “eu não sou comentarista político”. Do outro lado, quem estava sintonizado ao mesmo tempo no Youtube, no programa do Intercept, via uma espécie de Roda Viva em Debate, mesmo que um pouco confuso, podia quase participar os comentários, os mesmos que fizemos em casa. Eles iam pontuando o que os jornalistas deixavam de perguntar, ou replicar, e o que Moro deixou de responder. Enquanto na tela da TV Cultura, víamos passar tarjas sempre elogiosas a Moro, coisas do tipo “Moro é nosso herói”, “Moro 2022”, “Nosso futuro presidente”, do outro lado, no Youtube, uma saraivada de comentários do tipo “Fora marreco de Maringá”, “Moro ladrão”, “Moro bandido”, lutando contra os robôs que insistiam em chamar os jornalistas do Intercept de esquerdistas, comunistas e observações como “vocês se fuderam”. Enfim, o Roda Viva de ontem não foi o que imaginávamos, mas também não foi o que esperávamos. Assim que Vera Magalhães deu o seu boa noite, o pessoal do Intercept fez algumas perguntas que os jornalistas não fizeram, não quiseram fazer ou se esqueceram. Coisas do tipo: “por que o senhor não quis melindrar o ex-presidente FHC?” ou “o que o senhor quis dizer com a frase in Fui we trust?” Pena que Moro, nessa hora, já fora do ar, Moro devia estar nos bastidores da TV Cultura recebendo os cumprimentos dos jornalistas. 

Rodas Vivas: um apresentado pela TV Cultura, outro pelo Youtube.

[fotos Reprodução TV Cultura/Reprodução Youtube]

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Fazer um bom título, uma boa manchete principal, uma foto-legenda, é uma arte. Talvez muitos redatores optam pela simplicidade, evitando inventar moda, para seguir em frente, sem grandes percalços. Existem títulos inspirados, como aquele sobre a falsificação de obras de arte dos grandes mestres da pintura: “Cuidado, tinta fresca”. Mas existem também aqueles títulos que pecam pela busca de inspiração e a opção por ela, mesmo que não faça muito sentido. É o caso do título acima, do portal Terra. O redator foi buscar numa velha canção de Roberto e Erasmo, sua inspiração para fazer um título sobre a estréia de patinetes Uber nas ruas de Santos, em São Paulo. Ficou sem sentido e sem graça. “Uber passa a oferecer patinetes elétricos nas curvas de Santos”. Como assim? Só é possível usar as patinetes nas curvas? E nas retas? 

QUEM OUVE TANTA NOTÍCIA?

A onda do podcast surgiu assim de repente e tomou conta do Brasil. Se você der uma espiada nos sites de notícias dos grandes jornais e revistas no mundo inteiro, vai perceber que essa onda é internacional. Não tem mais publicação que não tenha seu podcast. Um, dois, vários. Podcast sobre tudo: Economia, política, comportamento, humor, religião, esporte, literatura, música, espetáculos, não tem assunto que escape ao podcast. O bom desse mundo da comunicação é mesmo essa variedade de ofertas. O podcast surgiu indo contra a maré e reforçando o cartaz do bom e velho rádio. Há alguns anos, quem perdia o Repórter Esso no rádio, bau bau. Não tinha como ouvir novamente nem mesmo num vale a pena ouvir de novo. O podcast veio pra agendar sua vida, você ouve notícias quando quiser, quando bem entender. No princípio é sempre assim, vem aquela enxurrada na onda da moda, mas, muito em breve o filtro será feito, os melhores ficarão e entrarão para a historia. Hoje, ainda estamos meio perdidos nesse balaio de ofertas. O filtro será feito e a notícia estará sempre no ar. Quem apostou no fim da era do rádio, errou feio. 

FAMOSOS

Todos sabem que a revista Quem, da Editora Globo, atualmente apenas on line, é uma revista de famosos, mesmo que sejam “famosos quem?”. Mas é curioso ela noticias que “Famosos lamentam morte de Fábio Barreto”. Seria como o site da revista Exame noticiar que “Economistas lamentam a morte de Fábio Barreto” ou o site da Globo Rural noticiar que “Agricultores lamentam a morte de Fábio Barreto”. Na verdade, quem lamentou a morte de Fábio Barreto, diretor de “O Quatrilho” e “Lula, o Filho do Brasil”, foram todos nós.

[foto Reprodução/Quem]

JORNALISMO NAS COXAS

O acidente doméstico sofrido pelo apresentador Gugu Liberato, ontem em Orlando, nos Estados Unidos, mostrou claramente como é feito o jornalismo às pressas e nas coxas. A noticia circulava nos programas de fofoca à tarde na televisão e nas redes sociais numa velocidade estonteante. Pegamos apenas dois exemplos, um do site da revista Caras, e outro do jornal O Dia, do Rio, para mostrar como é feito tal jornalismo. Com um título de duas linhas e um texto introdutório de seis, veja o primeiro festival de barbaridades.

Na Caras, o titulo diz que ele está em “estado grave”, mas, na verdade, quem diz não é o o site e sim um colunista. É o tal do “tirar da reta”. Se ele está bem, em estado grave ou morto, quem está falando (acertando ou errando) é o colunista, e não nosso site. 

Na legenda, já não é mais “está”, mas “estariam estado grave”. E logo na primeira linha do texto, o redator, ou redatora, escreveu que ele “passou por um susto”. Como assim, foi só um susto e ele está em “estado grave”?

Mais abaixo, o texto diz que o apresentador “estava no local”. Que local? Orlando? O local do acidente? Que local?

Mas, pior mesmo foi a jornalista Fábia Oliveira, do jornal carioca O Dia, que deve ter pensado: “Caiu do telhado, de uma altura de 4 metros, bateu a cabeça numa quina… ah, só pode ter morrido”. E anunciou sua morte no título, mas ressaltando, na primeira linha, que ele “teria tido morte cerebral”.

[fotos Reprodução site Caras/jornal O Dia]

CARACAS!

Na página do Jornal Hoje, da Rede Globo, um título deveras interessante. Curto e grosso, o redator escreveu: “Manifestação em Caracas na Venezuela”. Aguarde novos títulos no site: “Manifestação em Buenos Aires na Argentina”, “Manifestação em Paris na França”, “Manifestação em Tóquio no Japão”. Assim mesmo, sem vírgula, sem nada.