CARTA ABERTA AO CRONISTA ANTONIO PRATA

Quisera eu esquecer o B, esquecer de vez, pra nunca mais. Quisera eu acordar de manhã, pisar na Folha sobre o capacho, ignorar O Globo na caixa de cartas, sequer piscar pro Estadão. Ir direto pra rede que tem na varanda da minha casa, pegar a Visita de João Gilberto aos Novos Baianos e ler as últimas doze páginas que ainda me restam.

Quisera eu ignorar as frases imbecis do B, observar o crescimento das couves, do alecrim, da sálvia e do tomilho limão que plantei na hortinha que temos aqui. Esperar o beija-flor que chega voando toda manhã, já sugando a água com açúcar que pinga do bebedouro, me olhando desconfiado, partiu!

Quisera eu não ver mais nem a fotografia asquerosa do B, escolher um entre os muitos discos organizados em caixotes da Tok Stok no chão do meu escritório. Pegar o Domingo, passar uma flanela no vinil e ouvir Caetano cantando que menina é aquela que entrou na roda agora, ela tem um remelexo que valha-me Deus Nossa Senhora.

Quisera eu nem mais pensar no B, deixar os dias passarem devagar numa operação tartaruga, com tempo para ir até a cozinha e preparar um café de cápsula, adoçar só com um pouquinho de açúcar, contrariando os conselhos que o doutor Drauzio Varella me dava quando eu trabalhava no show da vida.

Quisera eu não ouvir mais ninguém falar do B, ter tempo de escolher o próximo livro, Os anos felizes, o diário de Emilio Renzi e confessar minha paixão por Ricardo Piglia. Ter tempo de pegar o iPhone e ligar pra Travessa do IMS pra saber se o número de agosto da Quatro Cinco Um já chegou.

Quisera eu ao menos uma vez, não ligar a televisão no Jornal Nacional às oito e meia em ponto, passar batido sem notícias do B, mudar de canal, ver o Decora, o Perto do Fogo, ver aquela receita de chuchu ao forno da Rita Lobo, no GNT.

Quisera eu nunca mais ouvir a voz do B, ter tempo e tranquilidade para dobrar bem dobradas minhas camisetas, tirar as bolinhas das blusas de lã e enrolar minhas meias coloridas arrumando-as numa cestinha de ferro que comprei faz tempo na Etna.

Quisera eu esquecer de vez o B, preparar o meu almoço, uma moqueca de cação comprado no Mercado da Lapa, jogar o leite de coco, picar a cebola, o tomate e o pimentão. Esparramar por cima o coentro, porque eu gosto mesmo é de comer com coentro, eu gosto mesmo é de estar por dentro.

Quisera eu deletar os B do Twitter pra não ter mais notícias do zero um, do zero dois, do zero três, quiçá do zero à esquerda. Pegar a bola de couro e descer até a quadra pra jogar um bolão com o João Trindade, craque do Colégio Ofélia Fonseca.

Quisera eu ignorar o B, percorrer correndo corredores em silêncio, perder as paredes aparentes do edifício, penetrar no labirinto, um labirinto de labirintos dentro do apartamento.

Quisera eu não pronunciar mais o nome do B, pegar o primeiro avião com destino a felicidade, pousar em Maceió, seguir até São Miguel dos Milagres, comer uma tapioca, provar da água salgada do mar morno e perguntar de quem é esse jegue?

Quisera eu, Antonio Prata, poder ler os originais da biografia do Drummond que, sei, está sendo escrita, chutar a pedra no caminho, já que a festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou. E para aquele que é sem nome, que zomba dos outros, aquele que faz versos, que ama, protesta, perguntar: E agora, José?

[Crônica da semana publicada no site da revista Carta Capital]

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MUSEU DE TUDO

Tenho a mania de guardar pequenas coisas desde pequeno. Minha mãe nunca implicou comigo e acho que por isso eu ia guardando. Guardava tampinhas de Crush, de Mirinda, de Guarapan, de Guaraná Gato Preto e de Mate-Couro. Guardava caixinhas de fósforo da Panair, da Bardahl, do Copacabana Palace, da Pepsi-Cola e da Copa de 58. Guardava chaveiros da Mesbla, da Bemoreira, do Mappin, da Sloper e um escrito Dead End que o Beto Rockfeller usava na novela.

Colecionava selos que chegavam da União Soviética, da Tchecoslováquia, da Guiana Holandesa e da Alemanha Oriental, países que nem estão mais no mapa. Colecionava soldadinhos que vinham dentro do vidro de Toddy, marcadores de livros, carrinhos miniatura da Matchbox e moedas que o meu avô me dava nos fins de semana.

Quando morei em Brasília, na inauguração, a onda era colecionar adesivos de plástico. Muitos eram roubados e guardados numa caixa de sapato, os mais variados adesivos de plástico. Hoje, só sobrou um, o elefantinho do Jornal do Brasil, presente da Dayse. Era lá na sucursal que o seu pai trabalhava.

Eu gostava muito também dos brinquedos de lata, aqueles que fazem todo tipo de estripulias quando pegamos a chave e damos corda. O meu sonho de consumo era um disco voador, que até hoje fica aqui no meu escritório me espiando o dia inteiro.

Cresci e nunca perdi essa mania, uma mania de guardar coisinhas. Mas o que impressiona quem vem aqui me visitar é a organização. Não sei se isso é coisa de leonino, de mineiro ou de maníaco mesmo.

Passo o dia aqui nesse meu canto olhando as coisas que guardo há muitas décadas. De uns tempos pra cá dei pra guardar pedrinhas. Em cada cidade que vou trago uma, escolhida a dedo. Já tenho pedrinhas de Kyoto, de Itabira, de Atenas, de Cataguases, de Barcelona, de Belém do Pará, de Istambul, de Cunha, de Bogotá, de Belo Horizonte e tem uma que trouxe de Tóquio, achada num canteiro da avenida principal, que parece preciosa.

Guardo lápis também. Tem de tudo quanto é lugar, de tudo quanto é museu. Lápis quadrado, grande, pequeno, transparente, tem um que é a minha moeda número um. Ele é metade azul, metade vermelho, igualzinho ao lápis da Dona Maria Augusta Toscano, minha primeira professora. A resposta certa ela fazia um C em azul e quando estava errado, virava o lápis e fazia um X em vermelho.

Guardo muitas coisas avulsas que lembram a minha infância. Uma gotinha da Esso de porcelana, um elefantinho da Shell de plástico, um cachorrinho da RCA, a voz do dono, e muitos robôs de lata que andam quando a gente dá corda.

Tenho também centenas de cartões postais, mas não são cartões postais de paisagens não. São reproduções de obras de arte que vão de Botero a Van Gogh, passando por Renoir, Matisse, Monet, Gauguin, Coubert, Pissaro, Seurat, chegando a Basquiat, a Lucien Freud, Bacon e Mark Rothko. Sem contar os de Robert Crumb e o seu Mr. Natural.

O meu mundo é esse. Uma galinha de louça, um urso panda de feltro, um pato de porcelana, um cavalinho de pau, um pássaro de papel machê, um Gandhi de barro, um Buda de vidro, um Pinóquio de madeira, um cogumelo de papel celofane, cadeirinhas de plástico, um boton de Fora Temer, uma caixinha de chicletes do Líbano, coisas assim.

São muitas coisas e não posso me esquecer de algumas peças queridas. Uma garrafa de Ricard dos anos 1960, uma caixa de fósforo com a estampa de São Jorge, um ônibus de lata do Magical Mystery Tour, uma velhinha alemã de andador, uma garrafa marrom de Fanta alemã, um oratório feito pelo meu sogro com a imagem de Tim Maia, um elefante enferrujado da Fundação Saramago, é tanta coisa que me perco aqui.

Isso sem contar os livros e discos. O primeiro livro que li – Voo noturno, de Saint Exupéry – e o primeiro disco que comprei com o meu salário – Domingo, do Caetano e da Gal – estão aqui intactos. Só consigo trabalhar cercado das minhas coisas. Tem o livrinho vermelho do Mao em chinês, um exemplar de La Divina Commedia, de Dante Alighieri em italiano, as tragédias de Shakespeare em inglês, coisas antigas, bem mais antigas que eu.

Tenho um livro do João Cabral de Melo Neto que resume bem isso aqui. Chama-se Museu de Tudo  e, na página 269, tem um poema que diz assim: Esse museu de tudo é museu/Como qualquer outro reunido/Como museu, tanto pode ser/Caixão de lixo ou arquivo/Assim não chega ao vertebrado/Que deve entranhar qualquer livro/É depósito do que ai está/Se fez sem risca ou risco.

Esse meu museu de tudo, muitas vezes, me distrai tanto que, ao invés de escrever a crônica da semana pra CartaCapital, fico aqui só sonhando, só espiando, só viajando.

[Crônica da semana publicada no site da revista Carta Capital]

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A MÃE CURIOSA

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A minha filha caçula passou 17 dias viajando pela Bolívia e pelo Peru com quatro amigas. Mas só quando ela voltou foi que me mostrou as perguntas que a mãe fez pelo WhatsApp.

Chegou?

Foi boa a viagem?

O voo foi tranquilo?

Tá calor?

O dia tá bonito?

Gostou da cidade?

Tem muitos turistas?

Lembra Havana?

O hostel é bom?

É central?

Viu brasileiro?

Vocês estão no mesmo quarto?

Como é a comida?

Tava bom?

É meio pobre?

É barato?

Vocês reservaram em Cusco?

Vocês vão cedo?

Tá curtindo?

O voo é curto?

E aí?

Aí é alto?

É frio?

É bonito?

Vocês sentiram a respiração?

E como estava a comida?

Vocês vão pra Potosi amanhã?

Vão como?

É longe?

A estrada tem muitas curvas?

O chá de coca ajuda mesmo?

Vocês já estão com o hostel lá?

O dia foi bom?

Gostaram de Sucre?

E a comida?

Muito estranha?

Tá onde?

Jantou o quê?

Tava bom?

Já estão no hostel?

Estão juntas?

Estão se dando bem?

Dormiu bem?

Tá indo?

Tá no hostel?

Tá muito frio?

Tá quentinha?

Tem coisa aberta?

Foi boa a viagem?

Está se agasalhando bem?

Tá sentindo a altitude?

Tá feliz?

Tá sentindo bem?

Tá bebendo só água mineral?

A altitude cansa mesmo?

Todas estão sentindo?

E aí?

É bonito?

Tá frio?

E a comida?

Tá no albergue?

Como chama?

A cidade é pequena?

Tá frio?

O hostel é razoável?

Você tá bem?

Vão jantar?

Fecharam com a agência?

Jantou?

Tá fácil comer?

O que você comeu de diferente?

Vocês estão pensando em ficar quanto tempo no Salar?

Jantou?

Sentiu saudades da gente?

Vocês estão levando as mochilas todas?

Já reservaram hotel em La Paz?

Vocês vão comprar água e biscoito pra levar?

Como chama a companhia de ônibus?

Você tá bem?

Foi legal?

A viagem foi tranquila?

Vai dar pra entrar no hostel já?

Vocês vão ficar no mesmo quarto?

É bonzinho?

Dormiu bem?

Descansou?

Tá sol?

Tá frio?

Tava com saudade de uma cama quentinha?

As coisas são baratas?

Tá se alimentando bem?

Tem café da manhã no hostel?

Já reservaram lugar em Cusco?

Vocês ficam em La Paz até quando?

Onde vocês vão hoje?

Dormiu bem?

Tem aquecimento?

Vocês saem de La Paz quando?

De ônibus?

A que horas?

É longe?

Reservaram hostel?

Vocês ficam lá quantos dias?

Me passa o nome do hotel?

Vocês vão comer ai?

Deu certo cozinhar no hostel?

E aí?

Você comeu o quê?

Cadê a foto?

O que é isso preto no canto do prato?

Tá gostando?

O hostel é legal?

Tá frio?

Vocês estão no mesmo quarto?

Amanhã vocês vão pra Isla del Sol?

E ai, Lili?

E ai, amoreco?

Vocês tem hostel lá?

Como chama?

Vocês vão de ônibus?

Você gostou da Isla?

Você está se sentindo bem?

O ônibus é leito?

Vocês vão comer aí no hotel?

Tá no hotel?

A cidade é bonita?

Descansaram?

Como foi a viagem?

E na fronteira?

Ficaram juntas no quarto?

A localização é boa?

Vão passear?

Você está bem?

A cidade é linda mesmo?

Tem cozinha no hostel?

E aí?

Tá gostando de Cusco?

Cadê você?

Onde vocês foram hoje?

É amanhã que vão pra Machu Pichu?

Vocês vão dormir em Águas Calientes?

Vocês vão como?

De trem?

Você já tem hotel em Águas Calientes?

Cadê as fotos?

Você está se cuidando?

Vocês estão se dando bem?

Vão sair cedo amanhã?

Já está no hostel?

A sensação de altitude aí é menor?

A comida é melhor do que na Bolívia?

É barato aí?

É longe o lugar que vocês vão?

Onde você tá?

Tá acordada?

Amanhã vocês ficam em Cusco?

E ai, amore?

Dormiu bem?

Vão de ônibus?

Vão passar o dia todo?

Por onde anda?

Como foi o seu dia?

Experimentou o milho escuro?

O pisco com sabor é bom?

Tudo bem?

Vocês vão pra La Paz amanhã cedo?

O seu dia foi bom?

Tá arrumando a mochila?

Você tá bem?

Fez boa viagem?

Tão no mesmo hostel?

Tá cansada?

O que você quer comer quando chegar?

Tudo bem?

Passeou?

Já jantou?

Tá indo pro aeroporto de táxi?

Sabe em qual terminal vocês chegam?

Conseguiu dormir no voo?

É.

É, pra qual pergunta?

[Crônica da semana publicada no site da revista Carta Capital]

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O EXILADO

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O meu amigo exilado morava num minúsculo apartamento na Rue Daubenton, no quinto quarteirão de Paris. O apartamento, na verdade, era uma quitinete que ficava no quarto andar de um prédio sem elevador onde, da janela, com muito esforço, víamos as copas das árvores do Jardin des Plantes. Verdes no verão, amarelas no outono, secas no inverno.

Eu ia lá de tempos em tempos levar números atrasados do jornal Movimento, o encalhe da Livraria Portuguesa e Brasileira. Quando ele abria a porta, dávamos de dava com um pôster cubano, vermelho e negro, dependurado na parede, sempre meio torto. Era um desenho do comandante Fidel Castro e uma data: 26 de julio.

O chão da sala do apartamento era forrado com um carpete cinza claro surrado e, jogado por cima dele, pequenos tapetinhos de fuxico, acho que para esquentar o ambiente, já que o aquecimento não era central, vinha de um aquecedor a gás, que só era ligado no auge do inverno.

Bem abaixo do pôster, uma estante feita com três tábuas grandes e empenadas, e alguns tijolos de suporte. Nela, muitos livros, alguns pesados, quase todos marxistas. Na prateleira de cima, uma pilha de revistas Planeta, dois livros do Ignácio de Loyola Brandão – Zero e Dentes ao Sol   e um porta-retratos com uma fotografia em preto e branco de um casal dançando no Cassino da Urca, seus pais.

Em cima da estante, havia também incensos numa caixinha de madeira, tickets de metro usados numa latinha prateada, um pote indiano cheio de moedas de franco e uma pasta de plástico transparente estufada de envelopes verde amarelos.

No chão, um abajur e um tatame entre dois banquinhos de madeira. Na cozinha, um festival de pratos, copos, talheres e xícaras, cada um de um modelo, uma cor, um tamanho, todos herdados de brasileiros que por ali passaram. Nenhum utensílio fazia par com o outro.

Na janela do quarto, para esconder a claridade dos dias de verão, o objeto mais caro da casa, uma cortina branca, tipo persiana, comprada na Habitat, uma espécie de Tok & Stokde lá.

Não havia cama no quarto, já que o meu amigo exilado dormia no tatame, na sala. Havia apenas uma escrivaninha de madeira maciça que, segundo ele, fazia parte da casa desde os anos 60, nunca havia saído dali. A escrivaninha estava sempre cheia de papeis, recortes de jornais, bilhetes e fichas de cartolina. Uma miniatura do Tintin, de porcelana, segurava um amontoado de apostilas da Faculdade que ele tentava fazer, a Censier.

No canto, ao lado da escrivaninha, uma caixa de papelão, com alguns discos de vinil, gastos pelo tempo. Toda vez que ia visitar o meu amigo exilado, dava uma espiada naqueles discos, mas nunca havia novidade, eram sempre os mesmos. Construção, de Chico Buarque, Lances de Agora, de Chico Maranhão, Das terras do Benvirá, de Geraldo Vandré, um disco do Edu Lobo com Maria Bethânia, o Rubber Soul, dos Beatles, dois discos do Yes, o Axis: Bold as Love, do Jimi Hendrix e um disco do Manduka, filho do poeta Thiago de Mello.

Sempre que me via vasculhando aquela caixa de vinis, o meu amigo exilado retirava da capa o tal Manduka e colocava pra rodar na vitrola, uma Phillips três em um, com um som sofrível.

Se é pra dizer adeus

Pra não te ver jamais

Eu, que dos filhos teus

Fui te querer demais

No verso que hoje chora

Pra te fazer capaz

Da dor que me devora

Quero dizer-te mais

Que além de adeus agora

Eu te prometo em paz

Levar comigo afora

O amor demais

Ele adorava essa música, uma parceria de Manduka com Vandré, que acabou virando o  hino do seu exílio.

O meu amigo exilado não costumava falar muito do seu passado. Sabia que viera de uma família pobre do sertão de Pernambuco. Uma vez, me contou que na casa dos seus tios, comia-se calango em tempos de vacas magras.

Os exemplares do Movimento que levava pra ele, iam se empilhando num cantinho do banheiro que hoje, calculando bem, imagino que deveria ter, no máximo, dois metros por dois. Mas mesmo assim eles cabiam ali, empilhados ao lado do vaso sanitário.

Fui inúmeras vezes nesse apartamento da Rue Daubenton e todas essas vezes, ele me serviu um Nescafé bem forte, numa xícara de porcelana branca com um pires marrom. Adoçava com duas pedrinhas de açúcar e passávamos horas ali tomando Nescafé, comendo biscoitinhos LU e conversando sobre política, Brasil e futebol. Ele se queixava sempre de não ter noticias do seu Santa Cruz e eu ficava ali boiando, sem sequer saber a cor da camisa do seu time do coração, o terror do nordeste.

No dia em que eu vim-me embora, fui lá me despedir dele. Entreguei o último pacote deMovimento, tomei uma xícara de Nescafé e ouvi pela última vez, a canção Pátria amada idolatrada salve salve.

Ouça a canção da crônica: 

[Crônica da semana publicada no site da revista Carta Capital]

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