ERRATA

Diferentemente do que foi publicado neste blog na semana passada, no texto “Direto de Chinatown!”, sobre o coronavírus, a repórter Carolina Cimenti, da GloboNews, disse que estava em Chinatown, bairro de Nova York, e fazendo o quê ali. 

[foto Reprodução TV Globo]

MUDANÇA DE HÁBITO

Jornais brasileiros geralmente resistem em mudar seu lar-out. Quando mudam, surpreendem. Recentemente tivemos dois casos: o do jornal carioca O Dia, que fez uma capa caindo aos pedaços, assim que o Rio começou a despencar, e mais recentemente, o jornal mineiro O Tempo, que seguiu a linha do Dia e fez a sua capa afundando o logotipo num mar de lama. Pena que foram em duas tragédias que os jornais decidiram ousar. Eles precisavam ousar mais, no dia a dia, para surpreender seus leitores. 

[fotos Reprodução]

MULHER DE MALANDRO

Um relatório da Federação Nacional dos Jornalistas(FENAJ) divulgado recentemente, mostrou que o presidente Jair Bolsonaro, em um ano e um mês de mandato, já desmoralizou, xingou, humilhou e chacoteou os jornalistas mais de cem vezes. Tudo isso, praticamente num só lugar: no gradil que cerca o Palácio da Alvorada, onde eles se apertam toda manhã, ao lado de fiéis seguidores do presidente de ultra-direita. Os jornalistas estão fazendo o papel daquela velha história, hoje quase proibida, da mulher de malandro. Que apanha, apanha, apanha do marido mas não o larga. Quando Bolsonaro disse que jornalista é uma raça em extinção, que jornalista mente, quando respondeu a um dizendo “é a sua mãe”, a outro que “você tem uma cara terrivelmente de gay”, era para os jornalistas ali presentes terem dado um basta e voltado para as redações, deixado aquele gradil para sempre. Mas não. Eles insistem. Mesmo com o presidente fazendo chacota dizendo que não ia mais dar entrevistas a eles ali, os funcionários da imprensa voltaram no dia seguinte, como carneirinhos. Todos sabem que aquela participação matinal do presidente ali é uma jogada de marketing. A bobagem que ele fala logo cedo repercute durante todo o dia. Se eles não aparecessem mais ali na porta do Alvorada, em protesto, aquele pitstop do presidente não duraria mais que uma semana. Mas ai, pobres jornalistas que cobrem o presidente, ficariam sem pauta. Vale lembrar aquele protestos dos repórteres fotográficos, no início do anos 1980, quando colocaram as suas máquinas no chão e não fotografaram o presidente João Figueiredo, o último presidente da ditadura militar, em protesto contra as agressões do presidente. O combinado é que apenas um registrasse a foto para a história. Parece que os jornalistas tinham mais peito na ditadura do que agora, nessa coisa que ninguém explica o que é. 

[fotos Internet]

DIRETO DE CHINATOWN!

É comum na Rede Globo, repórter cobrir eleições na Venezuela, de Buenos Aires, uma guerra no Oriente Médio, de Nova York ou uma visita do papa a Beirute, de Roma. Mas na tarde desta quinta-feira (23), vimos algo de inusitado na GloboNews, a emissora a cabo dos Marinho: a cobertura da tragédia do coronavírus, que começou na China, diretamente de Chinatown, o bairro chinês de Nova York! Não, a repórter da GloboNews não estava ai para contar histórias de chineses do bairro, talvez assustados com o vírus do outro lado do planeta, que já matou 17 pessoas e deixou centenas infectadas. Chinatown, na tarde de quinta-feira na GloboNews era apenas um cenário, com luminosos escritos em chinês ao fundo, com certeza para que o telespectador acreditasse que a repórter já estava em Wuhan, a cidade chinesa mais atingida pelo coronavírus. 

[foto Reprodução GloboNews]

A QUEDA

Alguma coisa acontece nas manhãs da TV Globo. A grade que existente já há alguns anos simplesmente não está funcionando. Todo dia, os dois programas encravados entre telejornais – Mais Você, com Ana Maria Braga e Encontro com Fátima Bernardes – caem no Ibope, que só vai se recuperar os índices quando saem do ar. São dois programas caros, com uma equipe grande, mas que parecem ter esgotado a fórmula. Ana Maria, o mais longevo, faz o que pode. Cria quadros de competições, leva famosos da Globo, faz doces e salgadinhos, mas o Ibope patina. Fátima e toda sua simpatia também não está conseguindo recuperar o Ibope pedido no programa anterior, que só vai respirar um pouco mais aliviada quando entra o telejornal local. Encravado entre uma e outra havia o Bem Estar, às vezes exagerado mas pontual, tinha foco, era bem feito. O programa foi transformado em um quadro do Encontro e nada mudou no quesito Ibope.  Se alguém achava que a encrenca nas manhãs da Globo era o Bem Estar, se enganou. Essa curva matinal na audiência é um quebra-cabeça que, com certeza, a Globo deve estar preocupada e pensando em dar um jeito. Teriam as fórmulas se esgotado? Neste horário, ainda não há muito sangue e fofoca do outro lado. Não dá pra culpar a concorrência popularesca. Talvez os tempos tenham mudado mesmo. Com a vida apertada, quem ainda tem tempo de passar as manhãs na frente da televisão?

Toda vez que vemos essa curva no Ibope da emissora mais sintonizada do país, eles costumam reagir. Mas não está fácil. Talvez uma boa dose de criatividade esteja faltando no Projac. Tiraram o Video Show do início da tarde acreditando que o problema estava ali. Colocaram um tal de Se Segura, que está tendo grandes dificuldades de segurar o Ibope. Alguma coisa vai acontecer nas manhãs da Globo. Fique ligado. Ou não. 

[foto Reprodução TV Globo]

 

SEXTANDO

O jornal O Estado de S.Paulo, o Estadão, está anunciando para esta sexta-feira, dia 24, o lançamento de um novo caderno, coisa rara na imprensa escrita brasileira hoje em dia. Vem ai o Sextou! O nome é bom, um caderno para celebrar o fim de semana que se aproxima. Mas, na verdade, está eliminando três: Paladar, Divirta-se e Casa. O jornal resolveu unir os três em um só produto. Resta saber se o volume de conteúdo será mantido ou se vamos encontrar apenas um resumo dos cadernos que deixam de circular. Algum tempo atrás, a Folha eliminou a Folhinha, justificando que ela seria incorporada à revista São Paulo. O que vimos foi uma micro coluna que intitularam Folhinha. Pouco tempo depois, a revista morreu, ou melhor, foi descontinuada. Essa é a palavra do momento. 

[foto Reprodução]

TOPA TUDO POR DINHEIRO

O merchandising existe não é de hoje. Talvez Nero, quando tacou fogo em Roma, estivesse com uma caixinha de fósforos Pinheiro nas mãos. A gente não pode confirmar porque não tinha câmera na época. Aquela maça que a Eva ofereceu ao Adão, talvez fosse uma Maçã da Mônica, quem sabe? Quando você vai ao cinema, quantas vezes você já não viu uma garrafa de Coca-Cola em cima da mesa, posicionada estrategicamente? Já vimos ator lendo a revista Elle, como já vimos a lua oval da Esso quando um galã para num posto de gasolina para abastecer o seu carro. Isso chama-se merchandising. Nas novelas da Globo sempre foi assim. Tanto é que no final, ao subir os créditos, podemos ver escrito o nome da Renault, do Boticário, do Itaú. Mas, de uns tempos para cá, o anúncio deixou de ser sutil e escancarou, mostrou sua cara dentro da novela. É como você estar assistindo a um filme no cinema e, de repente, o ator aparece tomando uma Skol e, além de elogiar a cerveja, entra um anúncio dentro do filme. No episódio de ontem de Amor de Mãe, o ator saiu da novela e como em Rosa Púrpura do Cairo, entrou dentro da propaganda da Tim que, na cara de pau, deram um jeito de encaixar no script. Um afronta ao telespectador. Televisão vive de propaganda, mas as propagandas deveriam estar apenas nos breaks comerciais e não dentro de uma obra de arte. Nesses tempos bicudos, sabemos que a televisão está topando tudo por dinheiro, até mesmo uma propaganda dentro de uma novela ou de um humorístico chamado Zorra. Não se espante se você sintonizar no Jornal Nacional dia desses e encontrar o Bonner com uma latinha laranja de Fanta em cima da bancada.

[foto de uma cena da novela Amor de Mãe/TV Globo]

QUE VAZAMENTOS?

Os brasileiros que acompanham o noticiário apenas pelo Jornal Nacional (sim, eles existem), devem estar perplexos se perguntando: “Mas que diabo de vazamentos são esses?”. O mais importante e mais sintonizado dos telejornais brasileiros, só fala em Intercept Brasil, quando o assunto é polícia. Já foram divulgados mais de oitenta vazamentos – conversas atravessadas entre procuradores e juízes da Lava Jato – e o Jornal Nacional costuma passar batido. Aqueles brasileiros sintonizados nas redes sociais, na Folha, na Veja, no El País, no Buzzfeld, no programa do jornalista Reinaldo Azevedo, no Pública, nos blogs independentes, esses sim, estão sabendo tudo sobre o conteúdo dos vazamentos. Ontem, quando o Ministério Público decidiu começar uma perseguição a Glenn Greenwald, o jornalista foi parar na escalada do telejornal. Mas quando ele divulgou a fala do então juiz Sergio Moro afirmando “In Fux we trust”, por exemplo, o JN passou em branco. Ao falar de Intercept, citando apenas que “divulgou conversas”, é o mesmo que falar, falar, falar de um jogo de futebol e não dar o resultado final. É uma espécie de Piu Piu sem Frajola, Claudinho sem Bochecha, Romeu sem Julieta. Mais confuso ainda deve ter ficado o telespectador quando, no final da reportagem, vieram enxurradas de protestos de entidades contra a decisão de denunciar Greenwald. “Como assim?” devem ter perguntado a seus botões, o telespectador-JN. “Como assim protestar contra o denunciamento desse ‘bandido’ chamado Glenn Greenwald? Vocês não acabaram de dizer que ele cometeu um ato criminoso?”  

[foto Reprodução TV Globo]

SÓ 10% É ENGRAÇADO

A TV Globo estreou na noite desta terça-feira (21), o seu novo programa humorístico chamado Fora de Hora. A fórmula não é nova. Na Europa, é muito comum esse tipo de humor que transforma a notícia em piada. Aqui no Brasil, essa fórmula já foi explorada pelo Casal Telejornal, no programa TV Pirata, nos anos 1980, um quadro razoavelmente engraçado. Mais recentemente surgiu o GregNews no HBO Brasil, um “telejornal” apresentado por Gregório Duvivier, mais de 90% engraçado e sobretudo, inteligente. Fora de Hora são notícias e mais notícias, umas atrás das outras, tudo muito rapidinho e com pouquíssima graça. Estavam bem atuais, falando até de Roberto Alvim e seu discurso nazista. Mas faltou graça. Difícil dar uma risadinha, mesmo que amarela, com aquele desfile de piadas bobas. Noventa por cento do tempo, ficamos meio constrangidos, procurando a graça, achando que ela viria. E o programa acabou, ainda bem que rapidinho. A sátira aos repórteres foi o que valeu, os atores representaram bem os jornalistas e seus cacoetes. Teve graça quando o apresentador chamou a repórter no helicóptero e perguntou: “Como está o trânsito por ai?” E ela respondeu simplesmente: “Uma bosta!” Isso mesmo, uma bosta! O Fora de Hora é tão engraçado quanto o Jornal Nacional.

[foto Reprodução TV Globo]