MEU NOME É GAL

Dê um rolê e você vai ouvir, eu não tenho nada, antes de você ser eu sou. Você é a mãe de todas as vozes, mamãe coragem, vaca profana! Fará uma viagem passageira até London London, pelas curvas da estrada de Santos. Amor morto motor da saudade, lágrimas negras, doem. Que pena, ela já não gosta mais de mim e sua estupidez não lhe deixa ver que eu te amo. Palavras no corpo, volta! O que é que há, minha mãe, minha mãe menininha do Gantois! Que venha a chuva de prata, sublime, cuidando de longe, azul, que venha o bloco do prazer, o que é que há? [AV]

[Este pequeno texto contém o nome das 22 músicas que estão no álbum duplo A Pele do Futuro, de Gal Costa, que acaba de sair]

O VAMPIRO

Gesticulando as mãos sempre que abre a boca, ele apareceu na televisão, assim de repente. O golpista de sempre, o vampiro de outrora. Os dentes afiados, a língua morta. Ele sentou bem no centro da roda viva, rodeado dos de sempre. Falou, falou, falou. O que espantou o um por cento do Ibope que deu, foi o saber falar, mesmo que bobagem. O vampiro consegue construir frases inteiras, conexas, em um bom português. Podem ser frases reacionárias ou mentirosas, mas são frases com sujeito, predicado, verbo e entonação. Nem me lembrava mais de um político falando assim, sem talquei. [AV]

MÚSICA, MAESTRO!

Onde anda o Brasil Paulinho da Viola, de Pixinguinha, de Dorival Caymmi, de Jorge Benjor, de Sinhô, de Egberto Gismonti, de Hermeto Paschoal, de Tom Jobim, de Baden Powel, de Capiba, de Nelson Ferreira, de Edu Lobo, de Tom Zé, de Arrigo Bernabé, de Vinicius, de Nelson Sargento, de Cazuza, de Catulo, de Monsueto? Onde anda o Brasil de Chico, de Gil, de Caetano, de Walter Franco, de Rita Lee, de Dolores Duran, de Tito Madi, de Donga, de Elton Medeiros, Carlos Cachaça, de Cartola, de Adoniran, de Abel Silva, de Belchior, de Alceu, de Macalé, de Lupicínio, de Zé Keti, de Herivelto, de Raul, de Moraes, de Nelson Cavaquinho, de Luiz Gonzaga, de Melodia, de Gonzaguinha, de Johnny Alf, de João do Vale, de João Gilberto, de Jackson do Pandeiro, de Ismael Silva, de Sergio Ricardo, de Billy Blanco, de Noel Rosa, de Orts Barbosa, de Francis Hime, de Candeia, de Bide, de Marçal, de Geraldo Vandré, de Geraldo Pereira, de Geraldo Azevedo, de Geraldo Vandré, de Edu da Gaita, de Haroldo Barbosa, de Milton, de Ataulfo Alves, de Chiquinha Gonzaga? Onde andam os Novos Baianos, onde andam os Secos & Molhados? Você liga a televisão e pergunta. [AV]