O ASSASSINATO DA CRIATIVIDADE

Quem sempre andou pelas ruas de São Paulo, deve se lembrar bem dos cartazes publicitários da revista Veja nas bancas de jornais. Bem antes, eram os outdoors que surgiam aos sábados de manhã por todos os lados da cidade, amarelos, e sempre com frases criativas. Veio a lei da cidade limpa do então prefeito Gilberto Kassab e os outdoors foram proibidos, viraram cartazes em bancas. Sempre amarelos, sempre muito criativos. Sacanas na era Lula, mas criativos. A frase semanal dos outdoors era criação da agência AlmapBBDO. Os redatores precisavam ser rápidos e criativos. A revista passava o assunto de capa para a agência e todos podiam opinar. Cinco frases eram enviadas pra revista, que escolhia a melhor. Na segunda-feira, o escolhido chegava na AlmapBBDO comemorando, cheio de moral. O tempo passou, a Veja emagreceu, perdeu um pouco o rumo com a eleição do candidato da extrema-esquerda, e perdeu também a graça. Quem passa hoje por uma banca, vai encontrar no cartaz amarelo com a capa da revista e os dizeres Leia em Veja. Assassinaram a criatividade, de uma hora pra outra. Uma pena.

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OS DISCOS DO DOMINGO

Depois do magnífico Acabou Chorare, ninguém esperava conteúdo tão contundente num segundo e terceiro disco da trupe Novos Baianos. Mas veio, e agora, encaixotaram os dois discos, o de 1973 e o de 1974. Ao todo, são vinte e quatro músicas, mas vou citar apenas cinco para que todos possam sentir que vale a pena investir na caixinha:

Sorrir de cantar como Bahia

Só se não for brasileiro nessa hora

Como qualquer dois mil réis

O samba da minha terra

Fala tamborim

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O LIVRO DO SÁBADO

O menino caiu dentro do rio, ticum,

ficou todo molhado de peixe.

A água dava rasinha de meu pé.

Ler e reler o poeta matogrossense Manoel de Barros (1916/2014) é sempre um exercício fora do comum. É como ler um dicionário fora da ordem alfabética, formando palavras cruzadas. Quem quiser relembrar sua obra, vá na Ocupação Manoel de Barros no Itaú Cultura, Avenida Paulista, 149. É como viajar.

[Este livro foi lançado em 1960. A ilustração é de João, seu filho, então com 5 anos. Quem redigiu o título foi sua filha Martha, então com 9 anos]

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